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Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira

Setor que emprega 447 mil trabalhadores e movimentou R$ 881 bilhões em 2025 exerce papel estratégico no abastecimento e na produtividade do país

Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira (Foto: Agência Brasil )
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Muito além do abastecimento nos postos, o setor de combustíveis ocupa uma posição estratégica para o funcionamento da economia brasileira. Responsável por conectar refinarias, importadores, bases de armazenamento e consumidores finais, a cadeia de distribuição garante o fornecimento contínuo de um insumo essencial para o transporte, a indústria, o agronegócio e diversos segmentos produtivos do país.

Em 2025, o setor de distribuição de combustíveis movimentou cerca de R$ 881 bilhões em faturamento, consolidando-se como um dos segmentos mais relevantes da economia brasileira. O segmento representa aproximadamente 7,3% do PIB do comércio brasileiro e responde pela movimentação de cerca de 137 bilhões de litros de combustíveis por ano no país.

Dados da LCA Consultoria Econômica, em estudo encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), mostram que o setor arrecadou cerca de R$ 232 bilhões em tributos em 2025. Desse total, R$ 165 bilhões corresponderam ao ICMS, equivalente a 24% de toda a arrecadação estadual brasileira.

A relevância econômica do segmento também se reflete na geração de empregos e na capilaridade da operação em todo o país. Segundo o levantamento, o comércio de combustíveis empregou 425 mil trabalhadores formais no ano passado, enquanto o setor de lubrificantes respondeu por outros 22 mil postos de trabalho. Ao todo, são 447 mil empregos e uma massa salarial de R$ 18,6 bilhões.

A estrutura do setor inclui atualmente cerca de 189 distribuidoras, 361 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos revendedores espalhados pelo território nacional. Essa rede é responsável por abastecer cerca de 200 mil veículos por hora, sustentando o funcionamento do transporte de cargas, da mobilidade urbana e das atividades produtivas em todas as regiões do país.

Como se forma o preço dos combustíveis

A composição do preço dos combustíveis no Brasil é resultado de uma cadeia multifatorial, influenciada por fatores nacionais e internacionais. O valor pago pelo consumidor envolve custos de produção, refino, importação, logística, tributos, mistura obrigatória de biocombustíveis e oscilações do petróleo e do câmbio.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que cerca de 61% do preço final dos combustíveis ao consumidor correspondem aos custos de produção e importação, diretamente influenciados pelo mercado internacional. Os tributos federais e estaduais representam aproximadamente 16% da composição do valor, enquanto a mistura obrigatória de biocombustíveis responde por outros 10%. A parcela destinada à distribuição e revenda soma cerca de 13% do preço final.

Dentro dessa estrutura, as distribuidoras atuam em uma cadeia logística que envolve transporte a partir de refinarias e usinas, armazenagem, mistura de combustíveis, operação de bases, frete e entrega em todas as regiões do país. Além disso, assumem custos administrativos, operacionais e financeiros. Já os postos revendedores arcam com despesas ligadas à manutenção das unidades, como aluguel, equipamentos, folha de pagamento, serviços e custos operacionais necessários para garantir o abastecimento ao consumidor final.

Segundo o economista e diretor da LCA Consultoria, Gustavo Madi, os dados da pesquisa ajudam a compreender a complexidade da formação de preços no setor. “A maior parte da composição está relacionada ao custo de produção, importação, tributos e fatores internacionais.”

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Mercado internacional influencia preços no Brasil

O cenário global exerce influência direta sobre os preços dos combustíveis no país, especialmente devido à dependência brasileira da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende do mercado externo. 

Em períodos de instabilidade geopolítica ou de alta no petróleo, os custos internacionais tendem a subir, pressionando toda a cadeia de abastecimento. As oscilações cambiais também impactam diretamente os preços internos.

“A volatilidade do petróleo e do câmbio impacta diretamente os preços ao consumidor, especialmente porque o Brasil ainda depende da importação de parte relevante do diesel consumido no país”, afirma Gustavo Madi.

Nesses cenários, distribuidoras e importadoras exercem papel importante para garantir o abastecimento nacional. Além da ampliação das importações, as empresas precisam lidar com custos adicionais de logística, armazenagem e aquisição de combustível no mercado internacional.

O Brasil possui atualmente 16 refinarias em operação, porém a produção interna ainda não supre toda a demanda nacional de diesel, o que amplia a relevância das distribuidoras na manutenção do abastecimento em todas as regiões do país.

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Distribuição garante abastecimento e segurança energética

Para o presidente do Conselho de Administração do Sindicom, David Zylbersztajn, a distribuição desempenha função essencial para a segurança energética do país. Segundo ele, o setor garante que os combustíveis cheguem com qualidade, segurança e regularidade a todas as regiões brasileiras.

“A distribuição é uma infraestrutura crítica para o Brasil. São investimentos constantes em logística, armazenagem e controle de qualidade que asseguram o abastecimento mesmo em cenários adversos”, afirma.

O setor de distribuição atua no Brasil há 114 anos e já atravessou mais de 20 guerras e diversos conflitos internacionais que impactaram o suprimento global de petróleo, mantendo o abastecimento energético nacional mesmo em cenários de elevada instabilidade geopolítica.

O impacto da cadeia vai além da operação logística. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), os combustíveis líquidos e biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética brasileira. Os combustíveis líquidos e biocombustíveis sustentam um sistema rodoviário responsável por cerca de 65% do transporte de cargas e 95% da movimentação de passageiros no Brasil, segundo dados do Atlas CNT do Transporte 2025, da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

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Operação logística exige planejamento e infraestrutura

O abastecimento de um país com dimensões continentais como o Brasil demanda planejamento, armazenagem e integração entre diferentes modais de transporte.

Segundo o professor Marcio Lago Couto, superintendente de Pesquisa na FGV Energia, a distribuição atua como elo fundamental entre refinarias, importadores e consumidores finais.

“A distribuição de combustíveis é uma infraestrutura crítica porque conecta refinarias, importadores e consumidores finais, garantindo que um insumo essencial para a economia chegue de forma contínua e segura a todas as regiões do país.” 

Expansão dos renováveis exige planejamento

O avanço dos biocombustíveis e da transição energética também impõe novos desafios à cadeia de distribuição. A ampliação da mistura obrigatória de combustíveis renováveis exige investimentos em infraestrutura, adaptações operacionais e maior capacidade logística.

Para Zylbersztajn, a evolução do setor energético demanda planejamento técnico permanente. “A transição energética traz novos desafios operacionais para o setor. Cada avanço dos biocombustíveis exige adaptações logísticas, planejamento e rigor técnico para garantir eficiência e segurança.”

Em um cenário de crescente demanda energética, expansão dos biocombustíveis e maior integração ao mercado global, o setor de distribuição segue desempenhando papel decisivo para assegurar o funcionamento da economia brasileira e a estabilidade do abastecimento nacional.

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Investimentos dependem de previsibilidade regulatória

O setor de combustíveis também depende de estabilidade institucional e previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo. A cadeia exige aportes significativos em refinarias, logística, infraestrutura de distribuição e expansão da produção de biocombustíveis.

Segundo David Zylbersztajn, regras claras e estáveis são fundamentais para garantir segurança energética e continuidade dos investimentos. “Sem estabilidade e clareza nas regras, o risco de desabastecimento aumenta e toda a economia é impactada.”

Já na avaliação de Marcio Lago Couto, mudanças abruptas em normas tributárias, ambientais ou operacionais aumentam a percepção de risco e dificultam o planejamento das empresas.

“Previsibilidade regulatória é essencial para garantir investimentos em infraestrutura e expansão logística. Mudanças abruptas aumentam a percepção de risco e podem comprometer a eficiência e a segurança do abastecimento”, afirma.

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