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Cientistas pedem ação global para salvar os oceanos e alertam sobre impacto climático

Mais de 2 mil especialistas reunidos na França pedem fim de subsídios à pesca predatória e ratificação urgente do Tratado de Alto Mar

Cientistas pedem ação global para salvar os oceanos e alertam sobre impacto climático (Foto: Reprodução )

247 - Mais de dois mil cientistas de todo o mundo estão reunidos, entre os dias 9 e 13 de junho, em Nice, no sul da França, para a terceira conferência One Ocean Science, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). Pouco antes da abertura oficial do evento, o comitê científico da conferência divulgou um manifesto com recomendações urgentes para proteger o oceano, considerado um “bem comum essencial para sustentar a vida e a prosperidade” no planeta. 

As diretrizes elaboradas pelos especialistas serão oficialmente apresentadas neste domingo (8) a chefes de Estado e de governo, com o objetivo de influenciar decisões políticas em defesa dos mares. O conteúdo do manifesto, detalhado pela rádio francesa RFI, está estruturado em dez temas prioritários, como a descarbonização do transporte marítimo, o combate à pesca ilegal, a eliminação de subsídios que promovem a pesca excessiva e o compartilhamento justo dos benefícios obtidos com recursos genéticos marinhos.

O principal foco, no entanto, é a emergência climática. “Se quisermos evitar muitas ondas de calor marinhas, se não quisermos uma mortalidade maciça de corais, devemos respeitar o Acordo de Paris, ou seja, reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, afirma François Houllier, presidente do Ifremer, instituto francês de pesquisa marinha e um dos líderes do congresso.

Entre as medidas defendidas está a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. Quanto à preservação da biodiversidade marinha, os cientistas pedem a rápida ratificação do Tratado de Alto Mar, assinado por 81 países em 2023. O tratado estabelece mecanismos para proteger 30% dos oceanos até 2030, mas ainda precisa ser ratificado por mais nações para entrar em vigor.

“É muito importante que ele seja ratificado, tanto por causa das disposições contidas no tratado quanto porque, quando ele entrar em vigor, haverá uma COP que levará os Estados a se comprometerem mais firmemente do que o fazem hoje com sua proteção”, reforça Houllier.

Jean-Pierre Gattuso, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), também alerta que o tempo para agir está se esgotando. Segundo ele, a meta de proteger 30% dos oceanos precisa incluir áreas de alta proteção. “Desses 30%, 10% devem ser fortemente protegidos. E há muito trabalho a ser feito nesse sentido. No Mediterrâneo, por exemplo, apenas 0,6% é estritamente protegido, o que é totalmente insuficiente", destaca Gattuso.

Outro ponto de destaque no manifesto é o combate à poluição plástica, cuja produção deve ser reduzida drasticamente. O tema tem gerado tensões nas negociações internacionais e segue como um dos maiores desafios da agenda ambiental contemporânea. Para os cientistas, garantir a saúde dos oceanos exige decisões políticas corajosas e imediatas, sob o risco de impactos irreversíveis para o planeta.