Bolsonaro está colocando o futuro do Brasil em risco, diz Nobel da Economia Joseph Stiglitz

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o economista criticou a atuação política dos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Jair Bolsonaro, em relação à pandemia do coronavírus

(Foto: Reuters/Edgard Garrido)
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247 - Prêmio Nobel da Economia em 2001 e professor da Universidade Columbia, o economista Joseph Stiglitz, em entrevista ao Estado de S. Paulo, criticou a atuação política dos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Jair Bolsonaro, e falou sobre a importância do estímulo à ciência para enfrentar a pandemia de coronavírus.

Para o economista, perguntado sobre o dilema entre salvar a economia e salvar vidas, “se você não salvar as pessoas, a economia será devastada. Pessoas não irão ao restaurante, ficarão nervosas quanto a ir ao trabalho, não irão voar por aí, haverá medo no ar. Basicamente, a economia se encaminhará para a paralisia se não pararmos a pandemia. Por isso, é uma boa decisão colocar a prioridade nas pessoas e controlar a pandemia.”

Também, segundo ele, Bolsonaro e Trump mostram que estão interessados no seu próprio poder, sem princípios. “Devemos enxergar o que eles têm feito não como algo baseado em um conjunto de princípios ideológicos coerentes, mas como um oportunista tentando lidar com a situação”, disse.

Stiglitz ainda colocou a morte das pessoas na culpa da inação dos governantes. Sobre as ações de Bolsonaro contra o isolamento social e a quarentena, o economista disse que “essas ações são custosas em muitos aspectos. De uma maneira mais ampla, é muito difícil para indivíduos manter distância, pessoas querem interagir, então é essencial dizer às pessoas que é perigoso se aproximar de outras pessoas para impedir a propagação da doença. É para isso que precisamos de liderança. E nós não temos essa liderança (nos EUA). E vocês (no Brasil) têm uma liderança ainda pior”.

Para ele, o financiamento estatal, neste momento, é “crucial” e é a única forma de evitar o colapso do sistema. “Para conter a pandemia, a saúde é o mais importante e isso tem de ser priorizado em termos de orçamento”, reforçou. O economista também defendeu “um aumento temporário nos impostos de pessoas com maior renda”.

O professor é defensor de um “capitalismo progressista”, que segundo ele, é um capitalismo com menos desigualdades e mais prosperidade. A política de Bolsonaro, entretanto, vai na direção oposta, afirmou. “Isso significa que a proteção do meio ambiente será pior, e você estará exposto a mais doenças, e a educação será prejudicada. O futuro do Brasil está sendo colocado em risco”, disse.

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