Cientistas alertam: momento mais perigoso da pandemia no Brasil é agora

Pesquisadores da área de cognição avaliam que a confusão dos dois discursos presentes na pandemia brasileira expõe o cidadão a risco permanente. O dilema entre se resguardar e a sedução de voltar à normalidade confunde o cérebro e nos faz tomar decisões erradas

www.brasil247.com - Comércio de rua reaberto na cidade de São Paulo 10/6/2020
Comércio de rua reaberto na cidade de São Paulo 10/6/2020 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


247 - Cientistas brasileiros  explicam por que é comum se chocar mais no início de uma pandemia e ir perdendo o medo depois. Para eles, esse é o dilema atual do brasileiro: a perda desse medo deixa toda a população mais exposta

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo relata os detalhes do trabalho dos pesquisadores Alexandre Barbosa, da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Unesp em Botucatu, Luiz Eugênio Mello, neurocientista e professor da Unifesp e atual diretor científico da Fapesp e Daniel Kahneman, que ganhou o Nobel de economia em 2002.

“Por mais extraordinário que o cérebro humano seja, ele tem limitações quando analisamos riscos. Isso acontece porque, embora haja diferentes sistemas neurais para tentar entender que tipo de ação vale ou não a pena tomar, ainda tropeçamos em obstáculos impostos pela nossa própria natureza ao decidir, por exemplo, durante o curso da pandemia, se podemos sair de casa e, caso isso aconteça, como vamos nos comportar.

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Se somarmos isso ao fato de que as informações que o indivíduo recebe podem ser conflitantes —ao mesmo tempo em que há alta de casos e mortes, a economia começa a ser reaberta, pessoas se aglutinam em bares, e festas começam a ser organizadas—, traçar o melhor caminho a seguir pode se tornar um fardo.”

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A matéria destaca: “‘criou-se um discurso dicotômico entre o que é necessário ser feito e o que nos propomos a fazer. O brasileiro se sente perdido’, afirma o infectologista Alexandre Barbosa”.

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A reportagem ainda acrescenta que “de maneira simplificada, existem duas maneiras de avaliar riscos. A primeira e mais rápida é também a mais primitiva, por meio da estrutura cerebral conhecida como amígdala (aquelas que ficam na garganta são as tonsilas palatinas, no jargão médico). Diante de algo potencialmente aversivo, a atividade da amígdala provoca aquela sensação de alerta, gerada pela descarga de adrenalina, hormônio associado a comportamentos de luta ou fuga.”

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