“Escolha difícil”: médico relata seleção de pacientes que receberão tratamento em hospitais

A escolha de quem receberá - ou não - tratamento já é uma realidade no Brasil, com pacientes de Covid-19 e também outras doenças, uma vez que não há espaço nem UTI para todos durante a pandemia do coronavírus. Confira entrevista com o médico intensivista Ricardo Goulart Rodrigues, de São Paulo, na TV 247

Ricardo Goulart Rodrigues
Ricardo Goulart Rodrigues (Foto: Reprodução)
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247 - O médico intensivista Ricardo Goulart Rodrigues conversou com a TV 247 e falou sobre a situação das UTIs do Brasil durante a pandemia de Covid-19. Ele disse que os médicos já estão tendo que escolher quem irá, ou não, receber tratamento contra o vírus, e que esta é uma decisão difícil e delicada.

Ele explicou também que o protocolo de alocação de recursos em esgotamento durante a pandemia, ou seja, o protocolo de como definir as prioridades de quem tratar, é “indefinido”. “É uma ‘escolha de Sofia’. Você tem que fazer uma escolha, você tem que priorizar quem vai para o ventilador mecânico, você tem um recurso finito, você tem uma demanda muito grande, você tem que escolher prioridades. Qual seria a prioridade? A gravidade, a idade, morbidade? É muito difícil isso. O protocolo de alocações de recursos é um pouco indefinido, a gente não tem como fazer essa triagem de uma forma correta”.

Rodrigues contou que na última semana teve que fazer uma escolha entre duas pacientes e afirmou que este é um momento no qual se faz necessária a experiência do profissional. “Eu dou um exemplo que tive no Vila Nova Cachoeirinha essa semana. Estava com um leito vago, estava com mais de 90% de ocupação e tinha uma senhora de 88 anos já com câncer de mama que caracteristicamente tinha Covid-19. Pela tomografia entrou em falência respiratória e ela foi entubada no pronto-socorro. Assim que eu ia dar a vaga chegou uma lúpica [doença hematológica] de 31 anos com insuficiência respiratória, teve que entubar. Obviamente é fácil, infelizmente eu tinha que dar prioridade para aquela paciente mais jovem. Essa é uma escolha difícil, o profissional tem que ter experiência para saber como escolher esse paciente”.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

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