70 anos do cinema Noir

Gnero surgiu h sete dcadas, influenciou geraes de cineastas e criou verdadeiros cones da histria do cinema, como os detetives dures encarnados por Humphrey Bogart ou Robert Mitchum

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247_Natália Rangel - O marco inaugural do cinema noir foi o filme O Falcão Maltês, de John Houston, protagonizado por Humphrey Bogart, que estreou nos EUA em 1941, há 70 anos, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas foi apenas após o conflito que surgiria a denominação história pela qual o estilo ficou conhecido até os dias de hoje. E como santo de cada não faz milagre, não veio de Hollywood essa nomenclatura, mas da França: para espanto de seus colegas americanos, foram os cinéfilos da terra de Honoré de Balzac que deram ao estilo o nome de film noir. É o que nos relata o pesquisador A.C. Gomes de Mattos em seu livro O Outro Lado da Noite (Artemídia Rocco, 2001). O nome da escola é uma referência à Série Noire, do escritor Marcel Duhamel, que tinha uma temática semelhante a dos filmes inaugurais do gênero. Suas características? Geralmente havia um detetive particular em cena que nem de longe lembrava os assépticos Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Arsène Lupin e Jane Marple, todos europeus. Eram sujeitos durões, que falavam a língua das ruas e, se preciso, batiam abaixo da linha da cintura para atingir os seus objetivos.

O que os franceses provavelmente não sabiam é que os noirs descendiam, em boa parte, de obras literárias infinitamente melhores. Na verdade, a relação entre literatura e cinema atingiu seu ponto máximo nessas produções dos anos 1940, que contaram, entre outros roteiristas, com craques como Raymond Chandler e Dashiell Hammett, autores de clássicos do suspense como “O Sono Eterno” (The Big Sleep) e o Falcão Maltês, abmos levados para as telas -, eles alcançaram três indicações ao Oscar de roteiro: Chandler por Pacto de Sangue, de 1945, e A Dália Azul, de 1947; Hammett por Watch on the Rhyne, de 1943.

A massificação dos filmes em cores, a partir da década de 1950, reduziu o espaço dos noirs, cuja visão algo sombria do mundo se enquadrava melhor ao preto e branco. O gênero entrou em baixa no início dos anos 1960, mas não tardou a se adaptar à nova estética hollywoodiana, e continua até hoje a influenciar cineastas dos quatro cantos do planeta. Hollywoodland (2006), de Allen Coulter, Los Angeles, Cidade Proibida (1997), de Curtis Hanson, e o cultuado Blade Runner (1982), de Ridley Scott, são apenas alguns exemplos de filmes que beberam nesta boa fonte. A seguir outros que o público não deve deixar de conferir:

Laura (1944), direção de Otto Preminger, protagonizado por Gene Tierney

À beira do abismo (1946), adaptação da obra The Big Sleep, de Raymond Chandler. Direção de Howard Hawks e protagonizado por Humphrey Bogart – ator que ocupa no cinema noir o mesmo lugar conquistado por John Wayne nos faroestes. E a estrela Lauren Bacall, então esposa de Bogart.

Os Assassinos (1946), direção de Robert Siodmak, com Burt Lancaster e Ava Gardner

A Marca da Maldade (1958), de Orson Welles, em que o cineasta também interpreta o papel de um policial corrupto. O filme conta ainda com a atuação de Charlton Heston e Jack Palance.

Chinatown (1974), de Roman Polanski, com Jack Nicholson e Faye Dunaway, em atuações memoráveis. Coube ao polonês a direção da melhor produção em cores da história do gênero noir.

O último dos valentões (1975), de Dick Richards, tem como protagonista Robert Mitchum como o personagem Philip Marlowe, detetive durão criado pelo escritor Raymond Chandler.

Cliente morto não paga (1982), de Carl Reiner, o filme só tem grandes estrelas no elenco: Humphrey Bogart, Burt Lancaster, Cary Grant, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Bette Davis. Trata-se de uma comédia protagonizada por Steve Martin e que faz um tributo ao cinema noir exibido uma colagem de cenas dos grandes clássicos.

A dama do cine Shangai (1987), de Guilherme de Almeida Prado, inspira-se em clássico noir: A dama de Shangai, de Orson Welles, com Rita Hayworth. A produção brasileira é estrelada por Antônio Fagundes e Maitê Proença.

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