A música brasileira que o Brasil não conhece (parte 2)

De Salvador à Natal: o pop rock redondo da baiana Thathi e toda a irreverência da potiguar Khrystal

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Chegamos ao segundo capítulo dessa série com duas mulheres que merecem a atenção do grande público. Ambas já trilham suas carreiras no sentido sempre vertical, dando passos largos para ampliar cada vez mais o raio de alcance dos seus trabalhos.

É importante esclarecer que nesses artigos tenho feito questão de abordar, num mesmo texto, músicos com estilos completamente distintos, apesar disso não ser uma regra. Dessa forma, tenho a intenção de contribuir para a quebra de preconceitos e paradigmas e de ajudar a desconstruir o estereótipo acerca da música produzida no Nordeste. Gostaria de esclarecer, ainda, que os artistas aqui abordados são apenas a ponta do iceberg. Uma pequena mostra da diversidade musical brasileira produzida por aqui. Em resumo, tem muito mais de onde esses vieram! É que muita gente ainda acha que aqui os artistas se enfeitam sempre com cabaças, calças frouxas de elástico e saem pelas ruas teatralizando sua música de forma folclórica, como se fossem um personagem fantástico de uma das belíssimas histórias de Ariano Suassuna. Aos desavisados, pasmem: o Nordeste é pop, é rock, é tudo. E não pretende mais ser uma caricatura artística para o restante do país.

Mesmo nos trabalhos que podem soar com maior característica regional, a universalidade está sempre presente, e é isso que faz da música produzida aqui uma porta para um mundo de possibilidades, que o diga Raul Seixas, que soube, como poucos, explorar com vigor a sua musicalidade, gravando do baião ao rock do diabo.

A primeira personagem da história de hoje é baiana, de Salvador, atende pelo nome de Thathi e empunha uma Gibson Les Paul durante suas apresentações.

Tendo lançado seu primeiro disco, “Por Cima”, com grande repercussão no seu estado, a cantora, compositora e guitarrista caiu nas graças de ninguém menos que Robertinho do Recife, que produziu no Rio de Janeiro seu segundo trabalho, a ser lançado em breve.

A garota de voz doce, que sabe compor e tocar guitarra conquista também pelas suas performances no palco, o qual já teve o prazer de dividir com nomes como Caetano Veloso, Luiza Possi, Isabella Taviani e outros grandes nomes da nossa música. Porém, Thathi não precisa de passaporte ou atestado para ingresso na cena musical brasileira. Sua música fala por si só.

Fazendo parte de uma geração de artistas que aprendeu a se produzir, a cantora tem, desde já, um nível de profissionalismo inquestionável, atributo que considero fundamental para um artista nos dias de hoje.

Além do carisma, Thathi se revela dona de melodias envolventes, cantadas de forma verdadeira e enxuta. Sem firulas na voz, a baiana nos brinda com versos como os de “Trancas”: “Vem,/ pouco importa todos os medos e as trancas na porta/ Vem, nem quero saber/ Quero acordar com você”.

Para conhecer melhor o trabalho da Thathi:

http://www.thathi.com/

Thathi cantando “Longe de Mim”, de sua autoria:

Veja também a performance maravilhosa em que a cantora, literalmente, arrebata a vovozinha para o rock’n’roll:

Nascida na cidade de Natal-RN, a segunda personagem da nossa história é a cantora, e também compositora, Khrystal.

Dona de um brilho que o próprio nome já lhe compete, a Nêga, como gosta de ser chamada, desconstrói todos os paradigmas de cantora. No palco, Khrystal toca violão, canta, dança, conta piadas e domina completamente o público. Com uma comunicação que a torna, em poucos minutos, íntima de quem a assiste.

Tendo lançado seu primeiro disco, “Coisa de Preto”, em 2007, em que gravou grandes compositores brasileiros como Rosil Cavalcanti, Jacinto Silva, Elino Julião, Cátia de França, Lenine e Chico César, teve também a participação de duas músicas do grande violonista Guinga, com o próprio tocando suas composições em parceria com o letrista Aldir Blanca. A artista realizou uma bem sucedida turnê pelo país; visitou 16 capitais, tendo que voltar quatro ou cinco vezes em muitas delas e vendendo, no país da pirataria, 9.000 discos durante seus shows.

Khrystal é um furacão! E é exatamente essa a sensação que ela causa em seus shows.

Em 2010, tive a oportunidade de conferir de perto esse talento da música brasileira, num show onde ela canta canções suas e mais algumas releituras de outros artistas. Foi um momento ímpar, ver aquela mulher desbravando os acordes do seu violão com vigor e desenvoltura. Como quem quer devorar sua própria criação, Khrystal se entrega totalmente ao personagem que encarna.

Por falar em personagem, é importante falar que a artista também está enveredando na arte do cinema; recebeu o convite de Alceu Valença para atuar em seu filme "A Luneta do Tempo", que ainda está sendo rodado no interior de Pernambuco, com lançamento previsto para o fim de 2011.

No momento, Khrystal está trabalhando um show transitório chamado "O Trem", todo dedicado as suas composições. Com temporada em Alagoas e Ceará, ela chega a Natal com o show entrosado e grava na Casa da Ribeira seu primeiro disco ao vivo, com versão também em DVD, em fase de finalização para lançamento ainda em 2011. Paralelo a isso, finaliza um disco de estúdio com canções que apareciam nos shows, como "Candeeiro Encantado”, “A Cara do Brasil” e “Carcará”, com lançamento previsto também para 2011.

Para acompanhar os passos da cantora acesse: http://khrys.tal.zip.net/

Aqui Khrystal canta “Coisa de Preto”, parceria sua com Terto Aires, no Teatro Rival Petrobrás, no Rio de Janeiro, em Maio 2009:

http://www.youtube.com/watch?v=BloBhhBKavk

Segue a artista interpretando “Sete Desejos” de Alceu Valença, Especial Som Brasil:

http://www.youtube.com/watch?v=GOe-falc_EY&feature=related

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