A volta da fada verde

Frana liberou no pas a produo e o consumo de absinto, bebida que inspirou artistas e poetas e estava proibida h quase um sculo

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  Por Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris - O absinto, bebida que inspirou artistas e escritores como Vincent van Gogh, Paul Marie Verlaine e Arthur Rimbaud, volta a entorpecer a França após quase um século. A lei que proibiu a sua venda em 1915 foi revogada há alguns dias no país. Os produtores da fada verde, como era conhecido o drinque pela sua cor e suposto efeito alucinógeno, esperam uma explosão nas vendas. No início do século XX, o absinto era considerado uma droga das massas na Europa, que levava a população ao alcoolismo e desencadeava outras doenças. A certa altura, tornou-se uma espécie de cachaça do povo, bebida preferida das classes populares e também entre os artistas, com seu alto teor alcoólico de 70%. O absinto está presente em diversas passagens famosas de biografias célebres. Em 1873, Verlaine atirou em Rimbaud, seu amante na época, após consumir uma grande quantidade da bebida. Van Gogh foi apresentado ao absinto pelo pintor Henry Tolouse Lautrec e dedicou a ele uma tela: “Natureza Morta com Absinto”. O princípio ativo da substância é uma planta chamada Artemisia absinthium e seu poder alucinatório foi responsabilizado por surtos psicóticos e mortes. O próprio Van Gogh estaria sob seu efeito quando cortou a própria orelha em 1888 e depois a deu como um presente a uma prostituta de um bordel das redondezas. Em 1912, cerca de 220 milhões de litros da bebida foram produzidos na França.

Desde então, o absinto foi proibido em quase em todo mundo. Os seus efeitos alucinógenos, no entanto, nunca foram comprovados. Este fato levou muitos países a liberarem a produção e o consumo, como aconteceu nos Estados Unidos e no Brasil. Na França, foi uma rusga internacional motivada por questões econômicas (e culturais) que desencadeou a revogação da proibição instaurada em 1915 – o governo francês decidiu liberar a bebida logo que a Suíça pediu à União Europeia exclusividade no uso do nome Absinto. O regime europeu de proteção geográfica abrange produtos como o presunto de Parma ou o queijo Roquefort, por exemplo.

O argumento da França é de que a bebida foi criada em Pontarlier, em seu território, em uma vila a poucos quilômetros da fronteira com a Suíça. Com a volta da França ao jogo, o mercado do Absinto promete explodir. George Rowley, diretor da fabricante britânica La Fée, avalia que o atualmente minúsculo comércio poderia alcançar US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão em vendas no prazo de cinco anos. Atualmente, ele não ultrapassa os US$ 40 milhões anuais. “Nunca antes tivemos um produto a reunir tantas histórias intrigantes e sugestivas como o Absinto, um ingrediente chave em muitos cocktais há 100 anos”, diz Rowley. Em 2000, La Fée se tornou a primeira marca a destilar o Absinto na França desde o banimento da bebida. A empresa se beneficiou de uma isenção que permite a produção para fins de exportação. O maior mercado é os Estados Unidos – responsável por metade de todas as vendas a nível global.

 

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