HOME > Cultura

Afrika Bambaataa, pioneiro do hip hop, morre aos 67 anos

Criador da Zulu Nation deixa legado central na formação do gênero e na fusão com a música eletrônica

Afrika Bambaataa (Foto: Reprodução/Instagram)

247 - O DJ e produtor Afrika Bambaataa morreu aos 67 anos, segundo informações publicadas pelo portal G1. De acordo com a reportagem, o artista faleceu na madrugada desta quarta-feira (9) em decorrência de complicações causadas por um câncer.

Nascido no bairro do Bronx, em Nova York, no fim da década de 1950, Bambaataa teve uma trajetória marcada pela transformação social por meio da música. Ainda jovem, integrou a gangue Black Spades, onde rapidamente alcançou o posto de “warlord” (líder de guerra), antes de direcionar sua atuação para a cultura hip hop emergente.

A partir dos anos 1970, passou a organizar festas que ajudaram a consolidar o hip hop como movimento cultural nas ruas do sul do Bronx. Esses eventos cresceram em escala e relevância, tornando-se referência para DJs, MCs, dançarinos e artistas visuais.

Em 1980, lançou o single “Zulu Nation Throwdown”, inspirado na Universal Zulu Nation, coletivo fundado por ele para reunir artistas e ativistas da cena hip hop. O grupo desempenhou papel importante na promoção de valores como paz, união e expressão cultural.

Dois anos depois, em 1982, Bambaataa alcançou projeção internacional com a música “Planet Rock”. A faixa, produzida em parceria com Arthur Baker, chegou à quarta posição na parada de R&B dos Estados Unidos e se tornou um marco ao incorporar elementos eletrônicos ao hip hop. A canção utilizou samples de “Trans-Europe Express”, da banda alemã Kraftwerk, criando um som inovador que influenciaria gêneros como techno, house e EDM em todo o mundo.

Em 1985, o artista participou da produção do álbum “Sun City”, projeto musical contra o apartheid que reuniu grandes nomes da música internacional, como Joey Ramone, Run-D.M.C. e U2.

Nos últimos anos, a trajetória de Bambaataa também foi marcada por controvérsias judiciais. Ele enfrentou acusações de abuso sexual feitas por diversos homens, relacionadas a episódios ocorridos entre as décadas de 1980 e 1990. Em 2025, foi obrigado a pagar um acordo a um dos acusadores, que alegou ter sido vítima de tráfico sexual nos anos 1990, após decisão judicial à revelia devido à ausência do artista no tribunal.