Autocover e segregação subestilística

A tal nação roqueira anda meio bunda-mole. É tanta vontade de xingar o “funk” carioca, o pagodeiro, o axé, e o raio que os parta, que acabam xingando uns aos outros e esquecendo de consumir o produto que tanto defendem

  Eis que no sossego do mormaço de um segunda-feira, no meio das férias escolares, me deparo com uma notícia, no mínimo, inusitada: O Def Leppard, conhecida banda inglesa de Hard Rock, irá regravar praticamente toda a sua discografia, cerca de cento e oitenta músicas. De acordo com Joe Elliot, vocalista do grupo, em entrevista dada ao National Public Radio, apenas alguns B-sides japoneses ficarão de fora do projeto.

  Segundo a informação oficial, a ideia surgiu porque as versões originais não podem ser gravadas no iTunes, por entraves contratuais – no auge do grupo, entre o fim dos anos 70 e início dos 80, não havia cláusulas sobre mídias digitais, evidentemente.

  Feito o circo, convenhamos...  Já foi-se o auge do “New Wave Of British Heavy Metal”, que de “new” já não tem absolutamente nada;  Digo auge comercial, e não musical – a voz do Elliot continua impecável. Mas fato é que, nos últimos dez anos, foram apenas dois álbuns, sendo que um não foi autoral, e o outro um fiasco de vendas. Claramente, assistimos a uma medida desesperada de artistas que perderam seu público predileto – o jovem – para uma concorrência, digamos... Diferente. Não entremos em detalhes aqui.

  Evidencia-se que, na verdade, o problema não está na incapacidade de repetir músicas semelhantes às antigas. É o público que mudou. Rapazes, autocover não vai ajudá-los. O rock vem mesmo perdendo espaço na mídia. Ao mesmo tempo, impressiona: Ainda tem muita gente ouvindo Led Zeppelin por aí.

  A tal nação roqueira anda meio bunda-mole. É tanta vontade de xingar o “funk” carioca, o pagodeiro, o axé, e o raio que os parta, que acabam xingando uns aos outros e esquecendo de consumir o produto que tanto defendem. “Funkeiros” não perdem o “balie funk” por nada.

  Manowar é gay, Slipknot é “poser”, Guns n’ Roses é “farofa”, Avenged Sevenfold é emo... E a galera vai se autodenegrindo nessa segregação subestilística ao invés de se unir à favor de um movimento que era bacana, jovem, e ia além da música... Rock é atitude!

  E acreditem, existem milhões de bandas mais recentes que fazem jus às origens do bom e velho rock – Parem de lamentar a morte do John Lennon. É só uma questão de procurar e consumir, e essa cena minúscula de rock and roll uma hora muda. O que falta para essas bandas é justamente gente disposta a ouvir.

  Deixo-lhes, como farei em todas as postagens, uma recomendação de música. Encerro o meu texto ao som do humor de Steel Panther!

  http://www.youtube.com/watch?v=yfB7vF7nCdA  

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