"Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" estreia nesta sexta

Warner Bros informou, ao 247,  que a exibição está confirmada e não será feito nenhum esquema de segurança especial; leia artigo de Contardo Calligaris sobre a tragédia e os heróis de Denver; veja trailer do filme

"Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" estreia nesta sexta
"Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" estreia nesta sexta (Foto: Divulgação/Warner Bros)

247- "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" estreia esta sexta-feira no Brasil, e, segundo a assessoria de imprensa Warner Bros,  as estreias do longa estão confirmadas e não será feito nenhum esquema de segurança especial, conforme apurou o 247.

O filme será exibido em mais de 800 salas, em todo o Brasil, e espera-se que não apareça nenhum vilão real durante o filme e que os homens comuns não precisem encarnar o herói de Gotham City e morrer para defender suas namoradas, como aconteceu no último dia 20, em Denver nos EUA, quando James Holmes matou 12 pessoas no cinema "Century 16" de Aurora, localizado no subúrbio da capital de Colorado. (Leia abaixo o artigo de Contardo Calligaris, publicado, nesta quinta-feira, no jornal Folha de S. Paulo).

O último longa da trilogia do diretor Christopher Nolan era para ser o maior blockbuster do ano, em todo o mundo, mas a tragédia nos EUA interferiu muito na bilheteria do filme. Nos EUA, o longa arrecadou 160,8 milhões de dólares nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá no fim de semana dos dias 21 e 22 de julho. O faturamento é inferior às expectativas, que eram de de 170 milhões a 198 milhões de dólares, segundo informou a Warner Bros, em matéria publicada na Reuters. Entretanto, mesmo não tendo arrecadado o que esperava na estreia, a distribuidora acredita que "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" baterá o recorde do segundo filme da trilogia, que arrecadou US$ 1 bilhão.

 

 

 

Onde está Batman? - CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 26/07


Dizem que Batman fez falta em Aurora, Colorado; mas talvez ele estivesse lá, disfarçado de espectador

O filme "O Cavaleiro das Trevas" estreia amanhã. Pelo trailer, entendi que Batman reaparece em Gotham City, que precisa dele, desesperadamente. O novo vilão que assola a cidade é Bane, vestido de colete à prova de balas e máscara antigás.

Na madrugada do dia 20, em Aurora, Colorado, um tal James Holmes, 24, vestido à la Bane e armado de rifle, espingarda e duas pistolas, atirou na plateia que assistia à pré-estreia do filme. Ele matou 12 pessoas e feriu dezenas. Por sorte, a arma mais letal, o rifle, travou no meio da matança.

Na noite do massacre, a frase que pipocava na tela era: "Where is Batman when we need him?", onde está Batman quando precisamos dele?

Entre os espectadores sobreviventes, vários vestiam a camiseta com o logo do morcego. Alguns talvez estivessem completamente a caráter, pois existe, nos EUA, o hábito de comparecer a uma estreia vestindo o figurino de um personagem do filme. Ora, os espectadores disfarçados de Batman não supririam a falta de Batman. Em compensação, é possível que tenha acontecido o inverso: talvez Batman tenha comparecido lá, em Aurora, disfarçado de espectador.

Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves jogaram suas namoradas no chão e as protegeram dos tiros com seu corpo: eles se sacrificaram, e elas se salvaram. E Jarell Brooks, 19 anos, no meio daquele inferno, empurrou na sua frente e levou até à saída Patricia Legarreta com suas duas filhas pequenas, que ele encontrou perdidas no escuro e nos disparos. Patricia e as meninas se salvaram. Jarell não morreu, mas, ao amparar as três como um escudo, foi baleado nas costas.

Fazer a coisa certa não é um automatismo: o marido de Patricia e pai das meninas, por exemplo, desorientado no meio do massacre, encontrara só a saída, não a mulher e as filhas, que ficaram por conta.

Em suma, talvez Batman estivesse naquele cinema de Aurora, disfarçado de Jarell Brooks, Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves.

Infelizmente, além de Batman em vários disfarces, no cinema de Aurora, havia também seus (e nossos) inimigos -James Holmes estava disfarçado de Bane e com os cabelos do Curinga.

A moral dessa história é que os "ruins" se vestem de Bane ou de Curinga: eles querem se destacar, mostrar ao mundo que eles são únicos e confirmar seu "glamour" graças ao nosso olhar -admirativo ou apavorado, pouco importa, contanto que fiquemos vidrados neles.

Em tese, a mesma coisa poderia ser dita de Batman, que, apesar de não revelar sua identidade, é tão espalhafatoso quanto qualquer Curinga. Só que Batman não esteve em Aurora. Em Aurora, nossos heróis, os "bons", ao contrário do assassino, foram quase invisíveis.

Como explicar o que aconteceu aos nossos filhos? Acharia bom lhes dizer que o que aconteceu (ou algo parecido) vai acontecer sempre; e, quando acontecer, não poderão contar com a chegada de Batman, mas poderão, isso sim, descobrir se há um Batman neles, ou não.



 

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