Bernardo Kucinski: Bolsonaro supera qualquer possibilidade da imaginação humana

Em entrevista à TV 247, o jornalista e escritor Bernardo Kucinski falou sobre o início do governo Bolsonaro e sobre o lançamento de seu livro ficcional que retrata o momento político brasileiro; “As distopias, em um certo sentido, são alegorias, você sabe que tudo aquilo é irreal mas é parecido com algo que é real , acaba dando mais relevo a coisas do real que a pessoa não estava percebendo”, explicou; assista

247 - O jornalista e escritor Bernardo Kucinski falou à TV 247 sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro e de seu livro, “A Nova Ordem”, que retrata o momento político do Brasil. Ele explicou que, apesar de ficcional, a novela redigida por ele faz referências ao governo Bolsonaro e chama a atenção do leitor para o que ele ainda não havia percebido no cenário real.

Kucinski contou como trabalhou o texto da obra e como são feitas as alusões ao atual governo. “O livro é uma distopia, eu montei ele como duas narrativas paralelas: tem uma narrativa ficcional, que é muito louca, e tem uma narrativa na forma de notas alentadas de rodapé que vão descrevendo os éditos da Nova Ordem, são como os Atos Constitucionais. Esses éditos são referências claríssimas ao governo Bolsonaro, tem o édito que acaba com o ministério do Trabalho, tem o édito que acaba com as universidades federais, e vai por aí”.

O escritor brincou ao dizer que Bolsonaro quase acabou com a literatura por ultrapassar os limites da imaginação com suas ações como presidente. “Bolsonaro quase conseguiu matar a literatura brasileira porque é impossível um ficcionista conseguir retratar o absurdo que se instalou no Brasil com o Bolsonaro, ele supera qualquer possibilidade da imaginação humana, um guru na Virgínia que usa os palavrões mais cabeludos que você possa imaginar, os filhos dando palpites, os decretos dele, cada um mais pernicioso que o outro”.

Bernardo Kucinski avaliou que as distopias, como classifica seu livro, podem realçar pontos da realidade que o leitor ainda não havia percebido. “As distopias, em um certo sentido, são alegorias, você sabe que tudo aquilo é irreal mas tudo aquilo lembra, é parecido com algo que é real, é semelhante, acaba dando mais relevo a coisas do real que a pessoa não estava percebendo”.

O jornalista ainda disse que o atual governo não pode ser colocado como ditatorial por ser “esculhambado demais” para isso. “A gente só não pode dizer que é uma ditadura porque ele é caótico e esculhambado demais para a gente chamar de ditadura. A atitude é ditatorial, a atitude é de arrogância, de imposição, é um governo de desconstrução de anos em que a gente foi construindo participação popular, inserção popular, direitos das minorias e trabalhadores”.  

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