‘Califórnia’ contém Ney Lisboa, Bowie e Cazuza

A energia da descoberta cultural e do despertar hormonal da adolescência, matéria-prima de inúmeros sucessos do cinema, formatou um certo padrão estético, que costuma enquadrar os filmes com protagonismo jovem. Por um certo modo de contar diferente sobre isso, talvez, Califórnia, de Marina Person, mereça uma atenção especial da crítica

A energia da descoberta cultural e do despertar hormonal da adolescência, matéria-prima de inúmeros sucessos do cinema, formatou um certo padrão estético, que costuma enquadrar os filmes com protagonismo jovem. Por um certo modo de contar diferente sobre isso, talvez, Califórnia, de Marina Person, mereça uma atenção especial da crítica
A energia da descoberta cultural e do despertar hormonal da adolescência, matéria-prima de inúmeros sucessos do cinema, formatou um certo padrão estético, que costuma enquadrar os filmes com protagonismo jovem. Por um certo modo de contar diferente sobre isso, talvez, Califórnia, de Marina Person, mereça uma atenção especial da crítica (Foto: Gisele Federicce)
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Por Ronaldo Martins Botelho, do Cosmonicar

A energia da descoberta cultural e do despertar hormonal da adolescência, matéria-prima de inúmeros sucessos do cinema, formatou um certo padrão estético, que costuma enquadrar os filmes com protagonismo jovem. Por um certo modo de contar diferente sobre isso, talvez, Califórnia mereça uma atenção especial da crítica. De fato, depois de pedradas como Vidas sem Rumo (1983), Kids (1995) e Trainspotting (1996), ficou mais complexo falar dos dramas que povoam o universo jovem por meio do cinema. Inevitável também identificar que a diretora não consegue escapar de uma certa pieguice no roteiro, típica dos filmes que costumam retratar essa idade das descobertas.

Mas é justo também notar que, nessa ausência de novidades entre as produções audiovisuais que tematizam esse intenso momento de passagem entre a infância e a fase adulta, Califórnia inova pela linguagem e o conteúdo.

É perceptível no filme uma combinação, equilibrada, de três elementos fortes: a interioridade feminina, desvendada com leveza por meio do cotidiano de uma adolescente de classe média alta, dividida entre a liberdade possível, a segurança necessitada e o desejo pulsante; o risco na sexualidade, a partir de uma doença que transformou profundamente os relacionamentos, revisitado sem as luvas do medo e do pudor - que já selaram a abordagem desse tema, entre o tabu e o exagero; mas com o toque especial, e o grande mérito de Marina Person: carregar-nos em uma poética viagem aos anos 80, com todas as suas principais referências e rebeldias.

Em uma década de tantas incertezas e excessos, como a que vivemos, olhar para trás e ver de novas formas como recuperamos uma certa liberdade é um exercício salutar para o entendimento do que nos tornamos. E nessa volta a um Brasil em despertar (?!), Clara Gallo, Caio Blat e Paulo Miklos (outra vez a música dando o tom) compõem um elenco harmonioso, nutrido de uma trilha sonora que provoca nostalgia em quem viveu ou apenas ouviu aqueles tempos. "Sempre quis unir o cinema e a música, minhas duas paixões, para mostrar como foi ser adolescente nos anos 80", declara Marina, que foi, por vários anos, Vj da MTV.

Enfim, Califórnia é um belo filme para colorir uma semana, relembrar um passado marcante e respirar mais suavemente o ano que se inicia.

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