Cantora mexicana Chavela Vargas morre aos 93 anos

Autora de mais de 80 álbuns de canção ranchera mexicana, também ficou conhecida por seu estilo rebelde e desafiador fora dos palcos

Cantora mexicana Chavela Vargas morre aos 93 anos
Cantora mexicana Chavela Vargas morre aos 93 anos (Foto: Bernardo Montoya/Reuters)

Opera Mundi - A cantora mexicana de origem costarriquenha Chavela Vargas morreu neste domingo (05/08) devido a uma parada respiratória que causou um agravamento em seu já delicado estado de saúde. As informações foram confirmadas por seu médico pessoal, José Manuel Núñez, e sua amiga e biógrafa Maria Cortina. 

"Ela estava muito consciente até o último momento, expressou seu amor pelo México e disse que leva as melhores lembranças e os aplausos de seu público", comentou Núñez.

A artista de 93 anos morreu às 12h55 locais (14h55 de Brasília) devido a uma insuficiência respiratória aguda, a uma broncopneumonia crônica e uma falha renal crônica aguçada, detalhou.



Trajetória

Nascida em 1919 na cidade costarriquenha de San Joaquin de Flores, Isabel Vargas Lizano se mudou para o México aos 14 anos onde, segundo recorda a agência de notícias Associated Press, quando começou a cantar nas ruas. Só iniciou sua carreira profissional aos 32 anos, tornando-se uma figura de referência na explosão artística mexicana de meados do século XX. Antes havia sido cozinheira, motorista, costureira e vendedora de roupas.

Conhecida por sua voz chorosa e seu estilo desafiador às convenções, Chavela gravou mais de 80 álbuns da tradicional canção "rancheira" mexicana. Além de sua música, ficou também conhecida por vestir-se como homem e carregar uma pistola no palco e por ter sido amante da pintora Frida Kahlo. Foi também amiga dos pintor Diego Rivera, marido de Frida, e do escritor espanhol Federico Garcia Lorca.

O jornal espanhol El País afirma que Chavela "aborrecia-se" quando lhe faziam perguntas sobre Frida, por quem foi apaixonada, mas gostava de recordar sua vida com ela e com Rivera: "Convidaram-me para uma festa em casa deles. E fiquei. Convidaram-me para viver com eles e aprendi todos os segredos da pintura de Frida e Diego. Segredos muito interessantes, que não revelarei nunca. E éramos felizes todos. Vivíamos um dia de cada vez, sem um centavo, por vezes sem ter o que comer, mas mortos de riso". Em 2002 apareceu no filme Frida, cantando a música La Llorona. A artista só falou abertamente sobre a sua homossexualidade aos 81 anos, quando publicou uma autobiografia intitulada Y si quieres saber de mi passado.

O consumo excessivo de álcool atrapalhou sua carreira. Em1992, foi "redescoberta" pelo cineasta Pedro Almodóvar, que passou a utilizá-la em vários de seus últimos filmes. "Não acredito que haja neste mundo um palco suficientemente grande para ela", disse uma vez o realizador espanhol sobre ela.

No último dia 12, Chavela foi internada de urgência em um hospital espanhol, mas acabaria por ter alta e por voltar ao México, onde queria morrer. Ela "era como os toureiros, sempre a despedir-se e sempre a regressar", afirma o editorial do El País.

O médico que a acompanhou disse, citado pela Associated Press, que Chavela se recusou a aceitar medidas médicas que lhe prolongassem a vida. "Queria ter uma morte natural".

"Nunca tive medo de nada porque nunca magoei ninguém", dissera em 2011, num concerto de homenagem na Cidade do México.

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