Dama das Camélias é “uma linda história de amor”

Em nova resenha, João Paulo Cunha fala sobre o livro de Alexandre Dumas Filho, que "se transformou num clássico"; "Despe os hipócritas e questiona valores. É sempre atual como o é o amor! O tempo se encarregou de consagrá-lo", avalia o ex-deputado; trata-se de "um belo livro, sobre uma linda história de amor. De prazeres efêmeros e de dor longa", diz ele; leia a íntegra

Em nova resenha, João Paulo Cunha fala sobre o livro de Alexandre Dumas Filho, que "se transformou num clássico"; "Despe os hipócritas e questiona valores. É sempre atual como o é o amor! O tempo se encarregou de consagrá-lo", avalia o ex-deputado; trata-se de "um belo livro, sobre uma linda história de amor. De prazeres efêmeros e de dor longa", diz ele; leia a íntegra
Em nova resenha, João Paulo Cunha fala sobre o livro de Alexandre Dumas Filho, que "se transformou num clássico"; "Despe os hipócritas e questiona valores. É sempre atual como o é o amor! O tempo se encarregou de consagrá-lo", avalia o ex-deputado; trata-se de "um belo livro, sobre uma linda história de amor. De prazeres efêmeros e de dor longa", diz ele; leia a íntegra (Foto: Gisele Federicce)

247 - Na nova resenha publicada em seu blog, João Paulo Cunha fala de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas Filho, para ele, "um belo livro, sobre uma linda história de amor". "Despe os hipócritas e questiona valores. É sempre atual como o é o amor! O tempo se encarregou de consagrá-lo", descreve Cunha. Leia abaixo a íntegra da resenha sobre o livro que se passa em Paris e "se transformou num clássico":

A Dama das Camélias

O amor arrebata quando desperta. Não há território no peito capaz de acomodar. Ele sobrepõe à razão e encanta os enamorados. Não dá bola para os acontecimentos pretéritos. Não há história além daquela que começa ali.

"A Dama das Camélias" é um belo livro, sobre uma linda história de amor. De prazeres efêmeros e de dor longa. Escrito em meados do século XIX por Alexandre Dumas Filho (Editora Martin Claret – texto integral traduzido por Regina Célia de Oliveira e Ediouro Publicações – texto adaptado de Paulo Silveira), se transformou num clássico. Despe os hipócritas e questiona valores. É sempre atual como o é o amor! O tempo se encarregou de consagrá-lo.

Foi encenado milhares de vezes pelo mundo afora. Virou filme e fez sucesso. O texto foi traduzido para várias línguas. Adaptado muitas vezes e atualizado outras tantas. E o fato marcante foi a transformação numa ópera de Giuseppe Verdi, denominada La Traviata ("A mulher caída"), apresentada pela primeira vez em 1853, em Veneza.

É uma história real e autobiográfica. Paris fervia na primeira metade do século XIX. Um jovem (Armand Duval) originário do interior e recém-formado em Direito é iniciado no mundo da cultura e do prazer de Paris. Frequenta teatro, bons cafés, restaurantes e observa as cenas noturnas da cidade. Seu olhar encontra Marguerite Gautier. "Alta e esguia" fazia "realçar sua beleza com simples arranjos do vestuário". Frequentava o teatro e em seu camarote habitava a beleza, o prazer e a alegria. Armand fixa em Marguerite e repara em seus "olhos negros e um arco tão puro de sobrancelhas". Cílios longos que, ao se fecharem, faziam sombra "sobre o rosado das faces". Completava com um "nariz fino, reto, espiritual" e uma "boca regular com, lábios que se abrem sobre dentes brancos como leite" e a pele colorida de "veludo de pêssegos ainda intocados".

Com a ousadia de um coração apaixonado ele se aproxima da moça e descobre a cortesã mais linda da França. A paixão fulminante coloca-o numa situação de querer conhecer melhor aquela mulher. Não para saber o que foi sua vida, mas para sonhar o que pode ser o tempo que virá. E de forma surpreendente sua paixão é correspondida.

Marguerite não esconde que vive em boas condições graças à relação com Duques, Condes e ricos franceses anônimos. Percebe um ciúme sincero de Armand e tenta tranquilizá-lo dando a chave de sua casa. "Nunca permiti a alguém o que está me pedindo", disse Marguerite. "Mas ninguém a amou como eu. Deixe-me ficar com a chave". "Está bem, pode levá-la". O amante se alegrava: "Ser amado por uma cortesã é uma vitória difícil".

Contudo, a doença aborrecia a moça e preocupava o rapaz. Tuberculose costumava ser fatal. Ainda mais com uma vida desregrada. Atormentava também Armand sua família que vivia no interior e os recursos para manter a vida agitada em Paris. Como suprir as necessidades da amada? Ele vivia com uma mesada enviada pelo pai.

Resistindo as contradições de uma paixão despertada em estruturas de vidas diferentes o amor florescia entre eles. Óbvio que não era simples combinar a vida fácil de Marguerite, seus admiradores e sua agenda ocupada com o amor e o ciúme crescente de Armand. Desencontros e escaramuças apareciam constantemente entre os dois. Mas a entrega da mulher era real e seu amor por Armand a fazia projetar uma vida diferente a dois. Talvez passar uma temporada fora da capital num ambiente de campo que aproximasse ainda mais os dois e permitisse um conhecimento mais profundo sobre o hábito e os gostos mais comezinhos de ambos.

Resolveram então mudar para Bougival, próxima de Paris e com um clima bucólico que combinou com o momento que eles experimentavam. Marguerite abandonou tudo: a boa casa próxima de Champs Élysées, os criados, os jantares e as peças teatrais, os amigos que a sustentavam e a rotina de elegância. Entregou-se completamente a Armand!

No entanto, o passado de cortesã agoniava Marguerite que desabafava com o amado: "O nosso amor não é comum, Armand. Você me ama como se eu nunca tivesse pertencido a alguém, e tenho medo de que mais tarde, arrependendo-se e me apresentando o passado como um crime, você me force de novo a me atirar à vida de onde me tirou. E eu morreria se tivesse de fazer isso. Diga que jamais me abandonará". "Eu juro!"

Logo chegou a face dura do preconceito, da hipocrisia e do egoísmo. O pai de Armand veio do interior e sabendo que o filho estava vivendo com uma mulher da vida resolveu interferir. "É verdade que você vive com uma mulher chamada Marguerite Gautier?". "Sim, é verdade". "Sabe quem é essa mulher?". "Uma cortesã". Desconjurado, o pai tentou avocar a ele o papel de orientador: "Um pai tem sempre o direito de afastar o filho do mau caminho" e ameaçou com uma pretensa lição: "Um passo a mais e você não poderá sair da estrada que está seguindo e terá, pelo resto da vida, o remorso da sua juventude". O filho foi resoluto: "Impossível, pai. Lamento contrariá-lo". E foi mais profundo: "Marguerite não é a mulher que o senhor julga. Esse amor, longe de me atirar a uma vida de erros, é capaz de desenvolver em mim os mais nobres sentimentos. O amor verdadeiro sempre aperfeiçoa".

Armand não sabia que o pai já havia procurado Marguerite pedindo que ela se afastasse do filho. Quando retornou para a casa, seguro de que iria encontrar Marguerite e, orgulhoso, diria que enfrentou o pai pelo amor que sente por ela. Mas a amada tinha partido. Deixou, além do cheiro e das lembranças, uma carta triste e magoada: "Quando você receber esta carta, Armand, já serei amante de outro homem. Tudo está terminado entre nós. Volte para junto de seu pai, vá rever sua irmã, moça casta, que desconhece as nossas misérias e perto de quem esquecerá bem depressa o que uma mulher perdida, a quem chamam Marguerite Gautier, lhe terá feito sofrer e a quem você resolveu amar por um instante e lhe ficou devendo os únicos momentos felizes de uma vida que, ela o espera, não se prolongará por muito tempo". Para Armand, o teto do mundo aproximou de sua cabeça: "Eu não era bastante forte para suportar sozinho o golpe".

Marguerite e Armand voltam a Paris separados. Buscam pelos caminhos próprios o amor fácil do dinheiro e tentam superar suas tristezas. Por outro lado passam à agressão, provocando ciúme e ostentação. Marguerite volta a beber, dormir pouco e vira companhia de vários outros homens. Vê sua saúde piorar rapidamente. Armand passa a circular com outra cortesã, bonita também, para provocar Marguerite. Apesar deste cenário eles não esquecem os bons momentos que viveram e do amor que continua a tocá-los.

Armand partiu para longe e deixou Marguerite pensativa e acamada. A doença agrava e sentindo aproximar o fim ela resolve deixar uma carta confessando as razões da separação e de sua partida da casa onde estavam vivendo. De forma preambular, declara: "Devo a você os únicos momentos de alegria que tive em minha vida". E mais: "Escrita por uma mulher como eu, semelhante carta pode ser considerada uma falsidade, a menos que a morte a santifique com a sua influência e que, em vez de uma carta, seja ela uma confissão."

Depois, resignada perante a vida, conta da visita que recebeu do pai de Armand e demonstra na carta tristeza, ironia e desalento. "Apenas uma hora depois que você saiu, seu pai apareceu... havia orgulho e até ameaças em suas primeiras palavras... o senhor Duval se acalmou e começou a dizer que não podia permitir por mais tempo que seu filho se arruinasse por minha causa... além da amante há a família, além do amor a o dever. A idade das paixões sucede a idade em que o homem, para merecer respeito, precisa estar apoiado a uma posição séria... Minha filha vai se casar com o homem que ama, entrará numa família honrada que exige o respeito e a honra. Meu futuro genro soube que Armand vivia em Paris, com a senhora, e ameaçou desfazer o compromisso. O futuro dessa moça, minha filha, que nada lhe fez e que tem o direito de contar com o futuro, está em suas mãos. Tem a senhora o direito de destruir esse futuro?". Marguerite começou a chorar e percebeu o que o pai não conseguiu falar para ela: que o passado não lhe dava o direito de sonhar.

Mesmo ainda amando percebeu que o fim tinha chegado. Da cama ao cemitério foi um caminho de tempo curto. Armand continuava fora de Paris e não acompanhou a agonia final da amada. No cemitério, agora passado tantos anos, Armand lembrava seu amor e acompanhava o translado dos restos mortais da amada. Saía de uma cova provisória e emprestada para uma definitiva e eterna. Pediu aos coveiros que deixassem permanentemente camélias vivas para lembrar, além do perfume, os 25 dias que as flores ficavam brancas e os outros cinco que ficavam rubras. E que a imagem de Marguerite sempre com um buque dessas flores lhe tinha dado o nome de A Dama das Camélias.

João Paulo Cunha
Agosto/2014

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