Dan Stulbach ao 247: “A sociedade está doente”

Homem de TV, de teatro e de cinema, nessa entrevista exclusiva ao 247 Dan Stulbach se define politicamente: "Eu acho que sempre estive mais na esquerda". Sobre a Lava Jato, ele diz: "Claro, eu acho que prender uma pessoa no hospital na operação da mulher me parece um exagero". O ator acredita que o impeachment não melhorou o clima do país: "Eu acho que há uma enorme tristeza, um enorme bode no ar que mesmo com o impeachment não se dissipou. A solução não está nessa pessoa ou naquela. Naquele que entrou, naquele que saiu. Há uma coisa maior. Eu acho que há falta de diálogo como um todo, eu acho que a sociedade está doente". Para ele, o governo atual "é de centro-direita", "Temer é desprovido de carisma" e "tem perfil de mordomo de filme de terror"

Homem de TV, de teatro e de cinema, nessa entrevista exclusiva ao 247 Dan Stulbach se define politicamente: "Eu acho que sempre estive mais na esquerda". Sobre a Lava Jato, ele diz: "Claro, eu acho que prender uma pessoa no hospital na operação da mulher me parece um exagero". O ator acredita que o impeachment não melhorou o clima do país: "Eu acho que há uma enorme tristeza, um enorme bode no ar que mesmo com o impeachment não se dissipou. A solução não está nessa pessoa ou naquela. Naquele que entrou, naquele que saiu. Há uma coisa maior. Eu acho que há falta de diálogo como um todo, eu acho que a sociedade está doente". Para ele, o governo atual "é de centro-direita", "Temer é desprovido de carisma" e "tem perfil de mordomo de filme de terror"
Homem de TV, de teatro e de cinema, nessa entrevista exclusiva ao 247 Dan Stulbach se define politicamente: "Eu acho que sempre estive mais na esquerda". Sobre a Lava Jato, ele diz: "Claro, eu acho que prender uma pessoa no hospital na operação da mulher me parece um exagero". O ator acredita que o impeachment não melhorou o clima do país: "Eu acho que há uma enorme tristeza, um enorme bode no ar que mesmo com o impeachment não se dissipou. A solução não está nessa pessoa ou naquela. Naquele que entrou, naquele que saiu. Há uma coisa maior. Eu acho que há falta de diálogo como um todo, eu acho que a sociedade está doente". Para ele, o governo atual "é de centro-direita", "Temer é desprovido de carisma" e "tem perfil de mordomo de filme de terror" (Foto: Ana Pupulin)

Por Alex Solnik, do 247 - Homem de TV, de teatro e de cinema, nessa entrevista exclusiva ao 247 Dan Stulbach se define politicamente: "Eu acho que sempre estive mais na esquerda". Mas não diz se já votou em Lula: "Não falo em quem voto".

Em cena há mais de um ano com a comédia "Morte acidental de um anarquista", atualmente em São Paulo, no papel de um louco que se disfarça de juiz, fala sobre a Lava Jato: "Claro, eu acho que prender uma pessoa no hospital na operação da mulher me parece um exagero".

Do impeachment ficaram dúvidas: "Você ouve especialistas e estudiosos que dizem que é justificável e outros dizem que não, o que me deixou em constante estado de dúvida".

O resultado não melhorou o clima do país: "Eu acho que há uma enorme tristeza, um enorme bode no ar que mesmo com o impeachment não se dissipou". O governo atual "é de centro-direita", "Temer é desprovido de carisma" e "tem perfil de mordomo de filme de terror".

Solidário àqueles que representa atualmente no palco, entende que a frase de Renan no impeachment – "isso é um julgamento no hospício" - "é um demérito aos hospícios e aos loucos".

Dan, eu fui muito amigo do teu tio, o Roman Stulbach, na nossa juventude, aos 16, 17, 18. Aliás, acho que você puxou o Roman, que foi poeta, cineasta. Pelo que eu me lembro teu pai é engenheiro, alguma coisa assim...

Meu pai é engenheiro. É... o Roman...

Puxou o Roman, não foi?

A gente teve muito pouco contato. Ele morava no Rio, eu morava em São Paulo...ele era meio ovelha negra na família... cineasta...e acho que o maior medo de todo mundo era que eu fosse para esse caminho também. Então, quando eu quis ser ator, cara, meu avô ficou muito triste. O pai do meu pai e do Roman. Ele ficou muito triste porque... enfim... as questões da família ali...mas eu tive muito contato com meu tio depois de mais velho... quando eu já tinha vinte e poucos anos morei um pouco com ele no Rio...a gente estabeleceu uma relação muito carinhosa...falei com a Juliana, a filha dele, ontem... ela fez aniversário ontem...estava sempre com o Henrique... meus primos perderam os dois pais muito cedo...de uma forma trágica... mas o meu tio era mais sonhador que eu. Talvez seja fruto da geração, talvez seja fruto da personalidade dele também.

Ele era um grande poeta... você chegou a ver os poemas dele?

Vi... vi alguma coisa.... mas, de novo... em família tudo isso é muito complicado...as coisas são ditas, mas não são ditas... ele e meu pai nunca... sempre se deram respeitosamente bem, claro, tinham carinho e amor de irmão, mas nunca foram muito unidos, o Roman tinha pudor de falar comigo porque meu pai poderia ficar bravo...aquelas coisas de família... eu curti pouco o Roman, infelizmente...

Nas famílias judaicas, como as nossas, ser artista é uma desgraça.       

É uma desgraça...

Se você pode ser engenheiro, médico ou dentista pra que inventar? Você tem três opções!!!

No meu caso era Engenharia porque eu era bom de Matemática... eu cheguei a fazer um ano de Engenharia, mas larguei...

Eu escrevi uma peça junto com o Roman, era o show de fim de ano do colégio...nós tínhamos a matéria “Teatro” no currículo...era um colégio estadual... e nossos professores eram Maria Alice Vergueiro e Chico de Assis...

Ahã...

No fim de ano nós escrevemos uma sátira sobre o colégio chamada “És tu Dante”? que se passava no inferno de Dante... eu fiz o papel do diabo...

Como é que o Roman era no colégio?

Era um cara muito popular...

Ah, é?

Sim, era um líder e tinha uma namorada linda...que todo mundo invejava, chamada Halina...

Ah, sim.

Você conheceu a Halina?

Não, eu não conheci, cara. Quando eles se separaram eu era muito pequeno e também como era outro mito familiar essa história dele ter se separado porque descobriu que ela estava com outro...

Isso foi uma história incrível. Não é que ela estava com outro, ela estava com o professor Rudá de Andrade, o melhor amigo do Roman. Professor dele... meu professor... e     que estava casado com a irmã dela...

É... então...

E a quem Roman introduziu na família...

Foi uma merda gigante. Eu nunca falei disso com ele...ele também começou a beber muito quando eu era moleque...

A gente aprendeu a beber... quer dizer, eu aprendi a beber com o Chico de Assis...

Sei...

Porque depois da aula ele nos levava ao bar mais próximo, chamado “Sujinho”, os mais chegados. Ele nos ensinou o que era “rabo de galo”, conhaque, cachaça. O Roman já bebia muito na época. Depois, na faculdade, eu fui fazer Cinema, como ele e lá também tínhamos nosso grupo boêmio... o Aloysio Raulino, o Plácido de Campos Jr., o Walter Rogério... e saíamos para beber com nossos professores, como o Rudá, o Roberto Santos, Maurice Capovilla, João Batista de Andrade todo dia até às seis da tarde...o Rudá tinha a capacidade de beber um litro de vodka sem se alterar...

Olha...

Não mudava o tom de voz, o andar, nada...dirigia, fazia grandes negociações, tudo isso com a cara cheia de vodka. Ele criou o Museu da Imagem e do Som. E a Escola de Comunicações e Artes. Certa vez, a gente estava filmando no Embu, o Rudá nos levou no jipe do alojamento ao set de filmagem dirigindo em marcha a ré... dez quilômetros em marcha a ré!

Nossa...

Você já viu um louco desse? O Rudá era um cara muito engraçado. Filho do Oswald de Andrade, né. Na faculdade o Roman e o Rudá se tornaram os maiores amigos. Porque eram os dois que tinham mais resistência a bebida. Roman levou Rudá para a casa da namorada dele, que era a Halina. Foi lá que o Rudá conheceu a irmã dela, com quem se casou. Ela com 18 anos e ele com 40. A Halina era linda, uma atriz de Hollywood. Muito simpática. Não sei como não fez filmes. A gente saía muito junto, eu, Roman e Halina. Quase todo dia. Chegamos a abrir uma produtora de comerciais...

Quando eu era moleque eu também tinha projetos, sonhos, é uma época muito linda, você acredita pra cacete, tem amigos, quer fazer junto! É como o elenco dessa peça, a gente é muito ligado, é uma turma da antiga, o que é meio raro. Mas, enfim. O Brasil mudou também.

Esse juiz que você interpreta na peça está mais para Sergio Moro ou Ricardo Lewandowski?

A peça tem uma evidente questão política porque trata de um caso que aconteceu na Itália, mas, eu digo sempre, ela é política, mas não é partidária. Se eu tiver que escolher entre um e outro, e eu adoraria fazê-lo, eu já colocaria a peça dando um partido a ela e eu acho que isso diminui o espetáculo. Ele é um juiz e cada espectador vai escolher se ele é Lewandowski ou se é Moro, inclusive porque a plateia fala frases. Eu peço à plateia que me ajude a interpretar o juiz, pergunto “o juiz fala o que”? Aí vem de tudo. E vêm todas as frases possíveis, de um lado e de outro e minha função ali é abrir o leque de possibilidades.

E você, como cidadão, o que diz de Sergio Moro? Que juiz ele é?

Eu acho ele um homem importantíssimo, ele mudou a história do país, ele está marcando o seu tempo, marcando a nossa história. Entre eventuais erros que possa haver, com certeza os acertos em termos de importância política são enormes.

Você acha que todas as ações da Lava Jato foram corretas? Prender antes de julgar, por exemplo?

Eu não tenho conhecimento jurídico para analisar o que é cabível e o que não é. Claro, eu acho que prender uma pessoa no hospital na operação da mulher me parece um exagero. Agora, a polícia teve a sua justificativa. Eu acredito que a Lava Jato mudou os rumos da investigação da corrupção política no país e eu torço para que isso continue acontecendo. Acho que eventuais exageros, como esse de prender no hospital, são exageros inevitáveis, vamos dizer assim. Eu torço para que as prisões sejam justas, que elas tenham correlação com a investigação, que elas tenham plena justificativa.

Como você viu o day after do impeachment? Você gostou do que aconteceu?

Eu acho que todos nós estamos amadurecendo politicamente. Talvez esse seja o maior ganho. Quando você tem uma discussão sobre educação, por exemplo, de um jeito ou de outro todo mundo fala de educação, o que acha bom e o que acha ruim, eu acho positivo para o país. Eu... a peça coloca isso de certa maneira...e eu vejo assim... o escândalo é às vezes maior que o fato em si, as pessoas se envolvem no escândalo, esbravejam, se colocam a favor, contra, mas aí passa porque depois vem outro escândalo do qual é mais importante falar. Me faltam certezas. Eu não sou dos que têm certezas. Eu tinha certezas quando mais novo. Toda essa questão do impeachment está baseada nas pedaladas... você ouve especialistas  e estudiosos que dizem que é justificável e outros dizem que não, o que me deixou em constante estado de dúvida.

Você definiria como impeachment ou golpe?

Como impeachment.

Temer tem qualidades de líder para tirar o país da crise? Ele tem carisma?

Não, eu acho ele desprovido de carisma. Agora, não sei se um líder precisa ter carisma para fazer mudanças. Eu torço para que as mudanças sejam feitas, para que o país ande, progrida... nós temos uma discrepância social assustadora...o Brasil precisa caminhar pra frente. Claro, todos os últimos governos sempre ficam com alguns ministérios mais importantes e distribuem os outros para seus conchavos políticos, eu acho que isso também é uma enorme perda para o país. É muito difícil avaliar. Eu torço para que as mudanças sejam feitas.

Você acha justo o movimento “Fora Temer”?

Eu não tenho nada que opinar sobre o movimento. Cada um fala o que quer, manifesta e sente a política e o seu país da maneira que quer, não tenho avaliação sobre, não tenho julgamento sobre...

Faz tempo o “Fora” aparece junto aos nomes de praticamente todos os presidentes... Fora Getúlio, Fora Dutra, Fora JK,  Fora Jânio...

Eu acho que o Brasil é refém de uma certa cultura personalista, que vem do presidencialismo também... cultura personalista de que existem heróis e vilões...salvadores da pátria e vilões... eu torço por uma estrutura mais sólida, por pessoas mais competentes, ministérios mais competentes...a ideia do salvador não me arrebata.

Quem é o vilão agora? É o Lula? Você concorda com o que acontece com ele... alguns chamam de perseguição, outros que não é... o que acha do cerco a Lula?

Eu não tenho isso. Eu não tenho uma parede com fotos de heróis e de vilões. Eu não boto a foto de ninguém para jogar dardo nem um poster na parede para idolatrar. Não é da minha cultura. Não é da minha personalidade. Eu acho que ele não é herói nem vilão.

Você teve proximidade com Lula em algum momento?

Sim, a gente se encontrou duas vezes, por conta do lançamento de uma novela que se posicionava contra a violência contra a mulher chamada “Mulheres apaixonadas”, quando ele era presidente, tivemos maior proximidade naquele instante. Eu fazia um personagem que acabou promovendo a discussão sobre a violência contra a mulher.

Você chegou a votar nele? Chegou a votar no PT?

Não falo em quem eu voto, cara.

Onde você acha que vai parar a Lava Jato? Vai pegar Temer, Renan etc?

Cara, eu espero que todos os corruptos sejam presos. Isso é falado na peça, inclusive. De que partido sejam. Isso vale para empreiteiros, pessoas de qualquer profissão, função pública mais ainda, eu espero que todos sejam presos, seja de que partido forem, desde que evidentemente provada a culpa, sejam devidamente julgados, espero que todos sejam condenados e presos.

Você se lembra daquela frase do Renan: esse impeachment é um julgamento no hospício?

É um demérito ao hospício. É um demérito aos loucos. Dos quais eu faço parte. Acho que é um demérito.

Você assistiu pela TV as sessões da Câmara, do Senado, madrugada adentro?

Assisti tanto as do Senado quanto as da Câmara.

E qual foi a tua avaliação?

Uma contradição na nossa avaliação, pelo menos na minha. Você fica triste, se deprime, se revolta com o nível dos nossos representantes, mas é de alguma maneira como às vezes você criticar a televisão do país. É o espelho da nossa sociedade. Então, de alguma maneira eles são os nossos representantes, são o nosso espelho. Então a tua crítica não dá para reduzir a eles; somos nós. Somos nós os culpados. Agora, evidentemente foram dois espetáculos tristes.

Você acha que o Lula vai ser preso, vai acontecer alguma coisa com ele?

Cara, eu não sei, é aquilo que eu falei antes. Se ele for acusado, culpado, e devidamente julgado e provada a sua culpa, eu penso que sim, não só ele, mas todos.

Mas o que você acha desse clima belicoso no país em que se pede que prendam fulano ou sicranho, o clima no Brasil era mais amistoso, não era? E essa divisão entre coxinhas e petralhas?

Eu sou um defensor da dúvida, eu sou um defensor da mudança de ideia, do diálogo. Na minha humilde visão, eu não sou um sociólogo, eu acho que as redes sociais têm um enorme papel nisso. Eu vejo as redes sociais muito responsáveis por essa polarização. Na medida em que você segue alguém que você coopte, quando não segue alguém que tem opinião diferente de você, você acaba se acostumando a só ouvir pessoas que pensam como você, a só ouvir pessoas como você e se incomodar muito com a opinião diferente. E esse incômodo muito facilmente se transformou em raiva. Pelo radicalismo, pela falta de educação e pela falta do bom senso. Acho que esse costume de ouvir pessoas só iguais a você, pessoas que radicalizam uma ideia que você já tem te deixa menos aberto a uma opinião diferente. E isso acaba se manifestando nas redes sociais ou na rua, em todos os lugares. Eu acho que há uma enorme tristeza, um enorme bode no ar que mesmo com o impeachment não se dissipou.

Eu acho que piorou...

Então, o bode é maior. A solução não está nessa pessoa ou naquela. Naquele que entrou, naquele que saiu. Há uma coisa maior. Eu acho que há falta de diálogo como um todo, eu acho que a sociedade está doente.

O pior é que a gente não sabe qual é a doença nem qual é o remédio...

O remédio é democracia. O remédio é você ouvir alguém diferente de você. Conviver com pessoas diferentes. A rede social de certa maneira é uma armadilha, e vai criando guetos, criando grupinhos, turmas, bolhas, um fechado ao outro. Agora, como tudo é cíclico eu torço para que esse ciclo logo se encerre e a gente tenha uma abertura maior ao diálogo em breve. Algumas coisas que a peça diz eu concordo mais, algumas coisas eu concordo menos, mas acho que são importantes de serem ditas. Eu estou no lugar do artista, o que promove e o que provoca o diálogo.

Você acha que existe algum risco à democracia atualmente?

Não.

Tá tudo tranquilo nesse sentido?

Não, não está tranquilo, eu acho que os radicais estão aí, mais presentes do que nunca, acho que há um cerceamento de diversas maneiras, mas eu acredito muito na nossa democracia e acho que ela não corre risco de maneira nenhuma.

Esse ministro da Justiça, por exemplo, você confia nele?

Cara, eu nem o conhecia. É difícil você confiar em pessoas das quais você não conhece a história, não sabe direito como elas foram parar onde estão...

Ele é ligado à repressão... foi secretário da Segurança Pública em São Paulo... e...a repressão e a Justiça são diferentes, não?

É evidente.

Parece que ele está no lugar errado, tanto que recorrentemente mete os pés pelas mãos. De cada três atitudes dele, quatro são desastrosas.

Sim, essa última em que ele teria de certa maneira antecipado a prisão do Palocci...

A prisão dos “terroristas” da Olimpíada...eles nem sabiam fazer bomba, como é que iam praticar um atentado daí a uma semana?

Ali também havia uma enorme tensão no ar para que alguma coisa acontecesse...talvez essa seja uma justificativa entre aspas para essa atitude intempestiva...é o que eu te falei antes: eu torço para dar certo.

Você se define como? Direita ou esquerda?

Eu acho que sempre estive mais na esquerda. Quando mais garoto mais, depois menos. Tive um pensamento muito mais dentro de um ideal socialista, vamos dizer assim. Muito mais à esquerda.

Agora a direita está vendendo a ideia de que a direita é que defende a liberdade e que a esquerda são os ladrões do PT. A direita são os caras legais. Vejo muito isso na minha página do facebook.

Claro que essa é uma ideia completamente superficial e caricata.

Não acha que esse governo é muito de direita? Não é um governo bem de direita?

De extrema-direita não acho que ele é...é aquele centro-direita... acho que é um governo de centro-direita.

E isso é bom para o Brasil?

Cara, é aquilo que eu falei antes... eu espero que as coisas mudem...eu acho a troca de ideologias ou de governos saudável...eu pessoalmente, ainda não sei que cara esse governo tem, porque ele é tão fatiado...tão distribuído... acho que ele tem uma cara econômica muito evidente que, aliás, é muito parecida com a do primeiro mandato do presidente Lula... as figuras e a ideologia econômica...

Mas a diferença é que o FMI já está aí...

Já... já...

E com Lula, ao contrário, o FMI ficou bem longe...isso significa que, como a gente está vendo na Europa, vamos ter que apertar os cintos ainda mais...apertem os cintos que os banqueiros querem mais grana...e o ministério que temos aí é muito fraco, um ministério do PMDB e aliados...e que tenta implantar um programa de governo que não foi aprovado nas urnas...

E o PMDB é um partido que a gente nunca soube direito o que pensa. A única coisa que a gente sabe é que eles querem ficar no poder. Sempre no poder. Porque sempre se associaram, tal.

E é um monstro de várias cabeças...

Exatamente.

Tem desde Sarney a Jarbas Vasconcelos e Eduardo Cunha. Você acha que ficamos livres dele definitivamente depois da cassação?

Não, acho que não. Acho que ele não é o tipo de figura que some. Talvez ele suma por um tempo, mas ele vai voltar. E com certeza ali nos bastidores, na coxia do palco ele está atuando. Não sei que tipo de atuação, mas talvez usando as informações que ele tenha, as suas influências... acho que ele vai continuar vivo. Na sombra de diversas atitudes de seus aliados.

Me diz uma coisa: o Brasil foi sempre um país bem-humorado, mas agora não tem nenhum jornal de humor nas bancas. Por que?

Quase não tem mais jornal, né.

Sempre teve. Careta... O Malho... Pasquim... Falando em coisas engraçadas: você acha que o Temer tem de fato o “phisique-du-role” de um mordomo de filme de terror como o definiu o Antônio Carlos Magalhães? Você o contrataria para uma peça de terror?

Não, eu não o contrataria. Mas que ele tem o perfil, tem.

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