Dirceu, uma biografia que passa bem longe da verdade

Desinformação, erros de Otávio Cabral ou má-fé? São tantos os erros factuais na biografia de José Dirceu, escrita por em editor de Veja, que o jornalista Renato Dias (foto) questiona se ele não seria um historiador com bico de tucano

Dirceu, uma biografia que passa bem longe da verdade
Dirceu, uma biografia que passa bem longe da verdade

Por Renato Dias

Um apartamento de três quartos na Vila Madalena, em São Paulo, e uma casa em Vinhedo (SP). Esse era o patrimônio de José Dirceu (PT-SP) quando este deixou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, em 2005. Nada incompatível com os rendimentos de um advogado formado na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) que havia exercido os mandatos de deputado estadual, três vezes de deputado federal e de presidente nacional do PT. Os dados aparecem em Dirceu – A Biografia (2013), Editora Record, 343 páginas, de autoria de Otávio Cabral.

Condenado por peculato e suposta formação de quadrilha, o seu patrimônio particular no ano em que foi cassado pela Câmara dos Deputados é uma demonstração de que ele não teria desviado recursos públicos para bolsos privados, muito menos se enriquecido de forma ilícita. Não é o que informa o jornalista e escritor. Segundo ele, pasmem,  Dirceu, desde criança, dava sinais de que não seria um homem de bem. “Ele (...) pulava muros de casa para roubar frutas”, relata o repórter de Veja à página 17. Pelo seu raciocínio, nascia um “Maluf de esquerda”.

Com uma narrativa inspirada à época da guerra fria,  63 supostas entrevistas, cujos nomes não aparecem em notas de rodapé – as fontes se escondem nas declarações em off -, ele conta a vida do líder petista. Do seu nascimento em Passa Quatro (MG), Vale do Paraíba, filho de Castorino Oliveira, simpatizante da UDN,  e Olga Guedes da Silva. O pai era dono de uma gráfica. A mãe, do lar. Dirceu começou a trabalhar com oito anos de idade, estudou no Ginásio São Miguel e arrumou o seu primeiro emprego como Office-boy em uma imobiliária.

Em São Paulo, Dirceu fez o colegial no Colégio Paulistano. Na obsessão de mostrar o voraz apetite sexual do biografado, ele relata, não com pormenores de “50 tons de cinza”, o início de suas atividades sexuais. Otávio Cabral  informa que ele concluiu o ensino médio em 1963 e morou no mesmo quarto com Marcos Paulo, que tempos depois brilharia como ator da TV Globo.  Em um delírio típico de quem nutre ódio pelo personagem que descreve, Otávio Cabral  insiste que mesmo sob a efervescência política de 1964, Dirceu apoiaria Jango para apenas “se opor ao pai”.

Dirceu ingressou na PUC em 1965. Curso: Direito. Registro: o primeiro dos Oliveira e Silva a entrar em uma universidade.  Um ano antes, ele engajara-se no Partidão [Partido Comunista Brasileiro], de linhagem marxista. O PCB recusaria a adotar  a estratégia de luta armada. Otávio Cabral ressuscita reportagem de Veja sobre Ernesto Che Guevara, aquela que a revista dos Civita apontava que o argentino revolucionário não tomava banhos e exalava mau cheiro, e frisa, à página 25, que o ‘Allan Dellon dos pobres’ não gostava de tomar banho.

A mídia patropi é engraçada. Não se entende. Arnaldo Jabor chamava o alto clero do PT, à época da hegemonia de Dirceu, de “bolchevique”. Jornalista, Elio Gaspari prefere o termo “comissário”.  Otávio Cabral vai além. Ele afirma que nos anos rebeldes, pré-1968 e pós-1968 [durante a ditadura civil e militar (1964), que ele define apenas como militar, escondendo a participação civil, em particular dos grandes conglomerados de comunicação], Dirceu buscava a “ascensão profissional e pessoal”. Nada mais falso. A juventude sonhava com a revolução.

Mas ela faltou ao encontro, lembra o historiador Daniel Aarão Reis Filho. Para identificar o primeiro amor de seu personagem, não precisou pesquisar muito. Bastou ler Iara, de Judith Patarra e dar control + c e control + v.  A musa da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e depois de Carlos Lamarca, o Capitão da Guerrilha,  teve um tórrido romance com o então dirigente estudantil.  Otávio Cabral não soube precisar a data da primeira prisão do enragé, classificado por ele, de forma pejorativa, de ‘Ronnie Von das massas’. Nada engraçado.

1968: escritor tropeça na sopa de letras das esquerdas

Historiador que parece ter o bico de tucano, Otávio Cabral registra que, em outubro de 1967, Dirceu derrota Catarina Meloni, da Ação Popular (AP), e é eleito presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE-SP) e denuncia fraude. Não apresenta provas. O irônico é que ele refere-se à AP como sendo liderada por José Serra, que havia fugido do Brasil no mesmo ano do golpe. Para agradar seus patrões, ele garante que o ódio do esquerdista à mídia é da década de 1960, em uma constatação, no mínimo, etnocêntrica.  Termo da antropologia.

Revelada como informação exclusiva, o epísódio  ‘Maçã Dourada’, agente do Deops (SP) que transou com o militante estudantil, já havia sido divulgada há tempos. O autor deve mesmo é agradecer o jornalista e professor Caio Túlio Costa, que lhe permitiu o festival de citações de sua entrevista com Dirceu. O escritor transcreve, sem crítica, documento do Deops (SP) que acusa o dirigente.  O manual do bom jornalista recomenda que se ouça o outro lado. Longe disso.  Às favas os escrúpulos de consciência, como sapecou Jarbas Passarinho.

Em tom de indignação, ele informa que, no Crusp,  mais de dois mil livros “subversivos” foram apreendidos nos apartamentos decorados com pichações políticas, como “abaixo a ditadura”, “virgindade dá câncer” (Página 45). Deus nos acuda!!! Após classificar, na Batalha da Maria Antônia, em 1968, em São Paulo, o recuo dos estudantes como “covardia”, ele garante que jamais foi provado que o tiro que matou o estudante secundarista José Guimarães  partira da arma de um policial. Mais: os estudantes seriam “massa de manobra” de Dirceu. Mentira. O mundo pegava fogo à época: França, Vietnan, China, EUA, México...

Longe de entender bem a sopa de letras da esquerda brasileira, ao narrar os bastidores do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna (SP),  ele se esquece de citar o PC do B, criado em 1962 e que deflagraria, em 1972, a guerrilha do Araguaia. Otávio Cabral fala em 706 presos. Veja contou 920. “No sítio, foram encontrados preservativos usados e caixas de anticoncepcionais”, informa.  O autor ainda arremata com um ar de indignação: “não era apenas a política que movia aqueles setecentos jovens”. 

Preso, Dirceu passou exatos 10 meses e 24 dias na prisão. Acabou libertado após a captura, não sequestro como aponta o autor [Mais uma disputa pela memória],  do embaixador dos EUA no Brasil, o liberal Charles Burke Elbrick. Com o ato complementar 64, foi banido do Brasil. Antes, exibiu as algemas após conclamação de Flávio Tavares em fotografia histórica. Ele foi o quinto a pisar em solo mexicano. Em 30 de setembro de 1969, com mais 12 comunistas de linhagens diversas, embarca para Cuba, onde seria recepcionado por Fidel Castro, El Comandante.

José Dirceu de Oliveira e Silva adota, em Havana, o codinome Daniel. Otávio Cabral diz que ele era mulherengo, mas insinua também suposto caso homossexual com Alfredo Guevara. Algo esquizofrênico para o leitor, não acham? Para desqualificar a passagem do ex-presidente da UEE-SP pela ilha, ele recorre à uma declaração de Fernando Gabeira, seu inimigo, e fecha com informações de Paulo de Tarso Venceslau, hoje mais do que  inimigo. Não custa lembrar: os dois (Paulo de Tarso Venceslau e Dirceu) se distanciaram no ano turbulento de 1997.

Na ilha dos irmãos Castro, dissidentes da Ação Libertadora Nacional fundam o Movimento de Libertação Popular (Molipo), organização que adotaria a estratégia de luta armada contra a ditadura civil e militar. Dos 28 membros-fundadores, dezoito foram assassinados no Brasil. Seis deles, em Goiás. O autor não dá essa informação.  Integram a lista Boanerges de Souza Massa, Rui Vieira Berbert, Jeová de Assis Gomes, Arno Preiss,  Márcio Beck Machado e Maria Augusta Thomaz. A escalada de quedas começou com a prisão e tortura do médico Boanerges Massa.

Militante do Molipo muda-se para o Paraná

Queimado no Brasil, José Dirceu retorna a Cuba, implanta uma prótese no nariz e instala-se no Oeste do Paraná, em Cruzeiro do Oeste. Lá ele engata um romance com Clara Becker, não revela a sua real identidade, para não cair nas teias da repressão, tem um filho e  ganha o apelido de “Pedro Caroço”. Com a Anistia, revela o seu nome, retorna a Cuba, retira a prótese e muda-se para São Paulo. Entre idas e vindas, termina o seu relacionamento com Clara Becker.  Em 17 de dezembro de 1979, desembarca no Aeroporto de Congonhas.

Prazer, companheiro Zé Dirceu, já ouvi falar muito de você. Puxa uma cadeira. Como vai o Fidel?

Assim o líder metalúrgico Luiz Inácio – que viraria Lula – da Silva disse ao estender a mão para cumprimentá-lo. Dirceu foi um dos 111 signatários da ata de fundação do Partido dos Trabalhadores. Quatro anos depois, o ex—líder estudantil integrou, em nome do PT, a coordenação da campanha nacional por eleições diretas para presidente da República.  Em 1986, é eleito deputado estadual. Em 1989, coordena a campanha presidencial de Lula. O sapo barbudo chega ao 2º turno: Dirceu costura apoio de Márcio Covas e Lula veta Ulysses Guimarães.

O autor de Dirceu – A Biografia mantém um silêncio sepulcral sobre a manipulação do debate na TV Globo. Fernando Collor de Mello  sobe a rampa do Palácio do Planalto. Em 1990, Dirceu vira deputado federal e muda-se para a Capital da República: Brasília (DF).  O parlamentar petista constitui-se em um dos líderes do movimento de impeachment de Collor.  Itamar Franco assume. O PT recusa-se a compor o governo federal. Em 1994, Lula e Dirceu, agora candidato a governador de São Paulo, são derrotados nas urnas sob o Plano Real.

Empreiteiras: César Benjamin acusa. Dirceu chora

 

Acusado por César Benjamin, em 1995, de ter recebido doações de empreiteiras, José Dirceu chora, mas derrota o goiano Hamilton Pereira (Pedro Tierra) e ocupa a presidência nacional do PT.  Ele denuncia o golpe da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, articula o nome de Leonel Brizola para a vice de Lula em 1998 e prepara a máquina para a vitória petista em 2002, com um “Lulinha paz e amor” e um PT dócil. O dirigente petista celebra aliança com o PL, atrai José Alencar para a vice e faz um acordo de acerto de pagamentos de gastos de campanha.

Em 2003 assume a Casa Civil. Ele defende acordo político com cargos para o PMDB. Lula veta. Dirceu faz pacto com FHC e não investiga casos de corrupção em sua gestão nem adota medidas para rever a privataria de 1997 a 2002. O presidente da República o define como o “capitão do time”. O PTB, conta o autor, vira o partido preferido do Palácio do Planalto para abrigar os deputados da oposição que mudavam de lado. Em2004, estoura o escândalo Waldomiro Diniz, cuja gravação de pedido de propina é de 2002. Dirceu fica fragilizado.

Uma gravação, que o autor não revela, mas que teria sido feita pelo araponga Dadá, e repassada a Policarpo Júnior, amigo de Carlinhos Cachoeira, que vai parar na Veja e surta Roberto Jefferson. O cardeal do PTB diz que o PT pagava mesada aos deputados da base aliada. Otávio Cabral não faz o contraponto: nos mapeamentos das votações no Congresso não há relação entre a liberação dos recursos e os votos nas mensagens. Paulo Moreira Leite diz que tratam-se de acertos de campanhas eleitorais. Aristides Junqueira admite Caixa 2.  Dirceu cai da Casa Civil em 16 de junho de 2005 e perde o mandato por 293 a 192.

Com a quebra dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais de Dirceu nada é encontrado. Ao contrário do caso Demóstenes Torres. Lula investe seu capital político no que André Singer chama de “subproletariado”, remonta seu núcleo político com Dilma Rousseff e afasta-se da crise. Dirceu esboçou escrever um livro. O título provisório era “30 meses”, o tempo que ficou no Palácio do Planalto. Ministro do Supremo, Ricardo Lewandowisk admite que a imprensa acuou o STF. O mesmo STF que extraditou Olga Benario e abençoou o golpe de 1964 faz o “maior julgamento de sua história”. Seria cômico se não fosse trágico. Em sua última frase no livro, Otávio Cabral diz que Dirceu jamais chegou a lugar nenhum. O que justificaria o seu livro, então?

Desinformação, erros de Otávio Cabral ou má-fé?

Com agradecimentos a Policarpo Júnior,amigo de contraventor condenado, e a Thais Oyama, que fez resenha favorável a seu livro em Veja, Otávio Cabral prefere não informar ao leitor que os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo jogaram água benta no golpe de Estado de 31 de março de 1964, que depôs o presidente da República, João Goulart.

O autor informa na obra que pós-1969 Dirceu estava foragido. Não é verdade.  Banido do Brasil, ele encontrava-se no exílio. Trata-se de uma disputa pela memória social e histórica. Outro erro, à página 73: ele relata que João Leonardo teria morrido, como Onofre Pinto, ao retornar ao País. O militante do Molipo morrera no Nordeste somente no ano de 1975.

Mais uma informação equivocada do jornalista de Veja é sobre  Molipo.  A estratégia da nova organização não era repetir a ALN e sim deflagrar a guerrilha rural. Detalhe: apenas Lício Maciel relata a tresloucada ideia de que Dirceu era o infiltrado na organização. Os 18 militantes caíram por erros de avaliação, descuido com segurança e delações de militantes sob torturas.

Otávio Cabral tropeça na história: o nome real do agente Carioca é Jo­a­quim Ar­thur Lo­pes de Sou­za, co­di­no­me Ivan, agente do Centro de Informações do Exército (CIE) supostamente protegido pelo general ge­ne­ral An­tô­nio Ban­dei­ra, mai­or íco­ne mi­li­tar du­ran­te a guer­ri­lha [do Ara­gu­aia], de acordo com o editor-chefe do Jornal Opção, Euler de França Belém.

Sem apurar direito a acusação, Otávio Cabral quer jogar um cadáver da luta armada nas costa de Dirceu. O livro Orvil – Tentativas de Tomada do Poder (2012), 925 páginas, de Lício Maciel [Que o acusa de ser o delator do Molipo] e José Conegundes Nascimento, R$ 72,00, atribui a morte do policial Thomas Paulino de Almeida a Márcio Beck Machado, morto em 1973.

Os arquivos do Projeto Brasil Nunca Mais, que estão sob a guarda do Arquivo Edgar Leuenroth, da Universidade de Campinas (Unicamp), mostram que os processos referentes ao Molipo [Movimento de Libertação Popular, dissidência da ALN] não apresentam nenhuma informação de que Dirceu teria participado de ações armadas com mortes nos anos de chumbo. Ne-nhu-ma!

Mal-informado, ele não sabe que Fernando Gabeira, ícone de Veja até ser flagrado na farra das passagens aéreas, pegou, no Brasil, e não importou da Suécia, a tanga de crochê lilás que marcou a sua volta ao Brasil pós-Anistia. À página 122, ele diz que a criação da tendência petista Articulação, em 1983, excluiu os sindicalistas. Ao contrário, eles eram a espinha dorsal.

O repórter relata que a corrente O Trabalho, da 4ª Internacional, também teria sido cooptada na mesma época. Não foi.O Congresso Nacional da ex-OSI do racha,que editava o jornal O Trabalho,ocorreu apenas em 1987. Preto no branco: Tancredo Neves, página 124, não era do MDB, em 1984, mas do PMDB. Um pouco de história não faria mal ao aprendiz de historiador.

O escritor afirma, à página 129, que a Convergência Socialista, “esquerda petista mais raivosa”,  havia saído do PT em 1989.Errado.Com Rui Pimenta, a  Causa Operária saiu primeiro, em 1990, e fundaria o PCO. A CS, expulsa, pulou fora em 1991 e criaria o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado [PSTU]. José Maria de Almeida era seu principal dirigente.

“Lula teria 31 milhões de votos, quatro milhões a menos do que Collor – o primeiro civil eleito democraticamente presidente do Brasil em 25 anos”, registra ele à página 136 de Dirceu – A Biografia. Errado. A última eleição presidencial no Brasil ocorreu no ano de 1960. Portanto, 29 e não 25 anos antes.

Mais uma gafe do autor pode  ser conferida à página 139. Ele frisa que Collor de Mello havia pedido para a população defendê-lo e sair de preto às ruas. Ocorreu, na verdade, o contrário. Os descontentes com a corrupção, daquele que Veja definiu como “O Caçador de Marajás”, é que foram de preto às ruas. Otávio Cabral inverte as posições. 

Ele não sabe também – página 140 – que Luiza Erundina, ao assumir cargo no governo Itamar Franco, foi suspensa do PT. Dirceu – A Biografia conta que Chico Alencar acompanhou Heloísa Helena. Errado. O PSOL foi fundado em 6 de junho de 2004. Chico Alencar deixou o PT após a crise política de 2005 antes do prazo final para mudança de sigla - Página 197.

Dirceu – A Biografia define o “escândalo dos aloprados” como “novo caso de corrupção”. Não foi. Era venda de dossiê contra tucanos. O que havia no documento? Ele não revela nem sob tortura. Até supostas cantadas de Dirceu a mulheres sozinhas em bares ou restaurante constituem alvo de sua devassa. Quanto ódio

 Ele é acusado e foi condenado pelo STF por formação de quadrilha.O que ele fez foi amansar o PT para transformá-lo na maior máquina eleitoral do Brasil e utilizar o Caixa 2. O resto é balela de  Joaquim Barbosa e veneno destilado pelo autor, amigo de Policarpo Júnior e incensado por sua chefe Thais Oyama.

Mais um equívoco:  esse tese de que ele não chegou a lugar algum soa infantil. Dirceu teve uma história de erros e acertos, vitórias e derrotas. Apenas isso. Otávio Cabral poderia ter revelado os nomes de suas fontes, checado as informações controversas e ouvido o outro lado da história. (Renato Dias)

Seis meses para uma biografia

Jornalista de Veja, Otávio Cabral informa ter levado apenas seis meses para escrever Dirceu – A Biografia (2013), Record, 355 páginas. Personagem complexo e contraditório, o ex-ministro-chefe da Casa Civil merecia um tempo mais elástico para ter a sua vida devassada, não acham?

O escasso tempo talvez explique o festival de erros e inverdades que o autor comete. Apesar de abençoado por sua chefe Thais Oyama e orientado por Policarpo Júnior. Editor do site Opera Mundi e da revista Samuel, o jornalista Breno Altman, citado na obra, diz que se trata de caso para o Procon.

O que mais me deixou perplexo é a sua prospecção de que o menino que roubava frutas em Minas Gerais já desenvolvia as impressões digitais de quem seria um inimigo da cultura republicana, avesso à ética na política. Assim como revelar que o seu apoio a Jango seria apenas para contrariar o pai.

Parece piada.

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