É possível sentir cheiro dos Bolsonaros no ar do Brasil, diz artista portuguesa

“Tu sentes os Bolsonaros, tu cheiras no ar. Incomoda muito quando tu entras num prédio e tem a porta de serviço e a da frente. Não é possível, isso é proibido! Não pode haver uma hierarquização de pessoas no espaço arquitetônico", diz a artista portuguesa Grada Kilomba, que está no Brasil para participar da Flip

247 -  Uma das grandes vozes do movimento feminista negro atual, a psicóloga, pensadora e artista descendente de angolanos, portugueses e são-tomenses radicada em Berlim, Grada Kilomba participa da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, onde lança “Memórias da Plantação”, que sai no país pela editora Cobogó.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ela diz: "sabes o que eu acho? A história colonial nunca foi tratada devidamente. É uma ferida de 500 anos muito profunda, com uma violência e brutalidade que nós próprios ainda não nos apercebemos. Ao mesmo tempo é vista como uma história que já passou e que, portanto, não precisa ser falada. Acho que é aí que habita o grande problema”, diz Kilomba, durante a montagem de sua exposição."

Ela ainda acrescenta: "o extrativismo ambiental, a desumanização e o controle aguerrido de fronteiras são para ela ecos dessa história inflamados no presente. É justamente para colocar o dedo nas feridas, ou “perturbar esse ‘white cube’”, que seus vídeos e instalações ocupam quatro salas do museu paulistano."

E edifica uma percepção de Brasil dolorosa para todos nós brasileiros: "tu sentes os Bolsonaros, tu cheiras no ar. Incomoda muito quando tu entras num prédio e tem a porta de serviço e a da frente. Não é possível, isso é proibido! Não pode haver uma hierarquização de pessoas no espaço arquitetônico. A extrema direita está a voltar, porque sempre esteve lá, porque nunca foi embora. Quando eu mostro meu trabalho no Brasil e quando mostro na África do Sul é idêntico, porque são países com uma urgência democrática.”

Ao vivo na TV 247 Youtube 247