Especial 22: Mário de Andrade

Escritor inaugurou o modernismo brasileiro e foi um dos organizadores mais engajados da Semana de Arte Moderna de 22, que completa 90 anos esta semana

Especial 22: Mário de Andrade
Especial 22: Mário de Andrade (Foto: Divulgação)

Lucas Reginato _247 - Se uma obra fundou o modernismo brasileiro, ela é Pauliceia Desvairada, que reúne poesias de Mário de Andrade publicada em 1922. “São Paulo é um palco de bailados russos./Sarabandam a tísica, a ambição, as invejas, os crimes/e também as apoteoses de ilusão...”, ele escreveu no que é considerado um grande retrato histórico da capital paulistana. A proximidade entre poesia e a rua é inspiração para que ele, junto com seus colegas modernistas, organizasse a Semana de Arte Moderna de 22, que completa 90 anos nesta semana.

Junto a Oswald de Andrade, com quem rompeu mais tarde, e Anita Malfatti, intelectuais que se conheceram durante festas em São Paulo, Mário de Andrade foi o mais engajado organizador da Semana e foi surpreendido com o sucesso de público. Apresentou alguns ensaios e debateu com avidez durante as discussões sobre arte e estética do evento.

Não só foi responsável por um dos principais retratos de São Paulo, ao lado de Adoniran Barbosa e Rita Lee, entre outros, como também criou o “herói brasileiro”: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, foi descrito no romance homônimo de 1928. O índio preguiçoso que acaba na cidade grande é uma caricatura do brasileiro e reflexo do futurismo pregado na Europa do começo do século vinte. O protagonista ficou ainda mais conhecido em 1968, quando foi interpretado por Grande Otelo sob a direção de Joaquim Pedro de Andrade.

Mário de Andrade é provavelmente o mais talentoso escritor do modernismo brasileiro, e mostrou sua flexibilidade ao longo de mais de trinta obras e alguns outros clássicos com Amar, verbo intransitivo, e Lira Paulistana.

Em 1960, quinze anos após a sua morte, seu nome batizou a Biblioteca Nacional de São Paulo, que detém o segundo maior acervo do País. Um monumento na Rua da Consolação, a mesma do cemitério em que está enterrado, que lembra que, se São Paulo tem um escritor símbolo, é Mário de Andrade.

 

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