"Fazer show é uma maravilha"

Eramos Carlos está há cinquenta anos na estrada e não se cansa dos palcos

"Fazer show é uma maravilha"
"Fazer show é uma maravilha" (Foto: Divulgação)
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Por Eder Fonseca _ Panorama Mercantil - Erasmo Esteves nasceu no bairro da Tijuca na Zona Norte do Rio de Janeiro, sua mãe saiu da Bahia grávida de um homem que não quis assumir a paternidade. Erasmo conhecia Sebastião Rodrigues Maia (que mais tarde seria conhecido como Tim Maia) desde a infância, entretanto a amizade só viria na adolescência por conta da febre do Rock and Roll. Em 1957, Tim Maia montou a banda The Sputniks, os membros da banda eram Tim, Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e Roberto Carlos.

Após uma briga entre Tim e Roberto, o grupo foi desfeito, Wellington desistiu da carreira musical, o único remanescente era Arlênio que no ano seguinte resolveu chamar Erasmo e outros amigos da Tijuca, Edson Trindade e José Roberto, conhecido como "China" para formarem o grupo vocal "The Boys of Rock". Participou efetivamente junto com Roberto Carlos e com Wanderléa do programa Jovem Guarda onde tinha o apelido de Tremendão, imitando as roupas e o estilo de seu ídolo Elvis Presley.

Seus maiores sucessos como cantor nessa fase foram "Gatinha Manhosa" e "Festa de Arromba". Com o término do programa, entrou em crise, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de seu parceiro Roberto Carlos e de sua esposa, Narinha. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul, lança Carlos, Erasmo em 1971. O disco, que abre com "De Noite na Cama", escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz um polêmica ode à maconha.

Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. Homem de Rua, lançado pela Sony Music em 1992, chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela De Corpo e Alma, mas a canção era tema do personagem de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Tomás, assassinou a atriz Daniela Perez, num crime que chocou o país. Outra gravação de destaque foi "A Carta", na qual Erasmo cantou com Renato Russo.

Somente em 2001 Erasmo voltaria a lançar um disco novo. Em 2010, Erasmo compôs em parceira como Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle um samba enredo para a GRES Beija-Flor, que anunciou um enredo sobre Roberto Carlos para 2011, porém, o samba composto por Erasmo não passou nas eliminatórias, a canção escolhida foi "A Simplicidade de um
Rei", que tem como um dos co-autores, JR Beija-Flor, filho do intérprete da Escola, Neguinho da Beija-Flor. Erasmo lançou um novo disco intitulado Sexo em agosto de 2011, além de recentemente ter lançado o livro "Minha Fama De Mau", onde conta a sua trajetória.

A seguir a entrevista com o Tremendão

Panorama Mercantil-Além de ser um dos maiores compositores da música brasileira, o senhor é conhecido por falar o que pensa sem meias palavras, principalmente em relação ao sexo. O mundo está mais liberal, mas não ficou mais careta em relação a isso?
Erasmo Carlos- Sim, acho que a culpa é do politicamente correto que incentiva a hipocrisia.

Panorama- O senhor disse certa vez que no auge da Jovem Guarda ninguém tinha consciência dos problemas do país porque ninguém lia jornal. Hoje as pessoas leem mais, nisso incluindo os artistas, e alguns problemas ainda persistem, como vê essa situação?
Erasmo- É um triste retrato da realidade, a impunidade se profissionaliza e desincentiva o protesto do cidadão, mesmo com a overdose de informações.

Panorama- Em 1995, o senhor foi vaiado no Rock in Rio. Como o senhor se sentiu naquela ocasião, já que é um dos precursores do rock no Brasil, e foi justamente vaiado num festival que era de rock?
Erasmo-Naquela época o rock em português era muito popular, e não condizia com os anseios de uma plateia "pseudo" americanizada, que acreditava piamente que Ozzy Osbourne literalmente comia morcegos.

Panorama-Como enxerga o cenário musical brasileiro, onde a qualidade ficou relegada ao segundo plano, principalmente nas rádios FM?
Erasmo-É o jabá oficializado que domina os espaços e impõem a mesmice que lhes interessa.

Panorama- Elifas Andreato disse que as gravadoras foram sempre um empecilho contra a criatividade, o senhor concorda com ele?
Erasmo- Concordo em parte, pois acho que dependia da gestão. André Midani, por exemplo, foi um grande incentivador da criatividade artística, na Polygran e na Warner, durante os anos 70 e 80.

Panorama-Você sempre foi considerado um rebelde, hoje a juventude não anda meio bunda-mole?
Erasmo-Os tempos mudaram. As bundas-moles de hoje, fazem plásticas e ficam duras.

Panorama-O senhor disse certa vez que se sentia incomodado em dizer sobre Roberto Carlos em suas entrevistas, nos conte mais sobre isso?
Erasmo- Jamais poderia ficar incomodado ao falar de Roberto Carlos, que é um anjo que faz parte da minha vida. O que me irrita é me sentir usado exageradamente por tabela somente para satisfazer a curiosidade do entrevistador, que não conseguiu fazer uma entrevista com o próprio Roberto Carlos.

Panorama-Como é para um artista que não gosta de fazer shows, ter que subir ao palco mesmo já tendo feito milhares deles?
Erasmo-Adoro fazer shows, o problema é: cancelamentos de vôos, demora no aeroporto, troca de aeronaves, não poder fumar no percurso, hoteis, alimentação irregular, noites mal dormidas, etc...com tudo isso, o show em si é uma maravilha.

Panorama-O senhor disse que tem medo de errar quando lança um disco por exemplo, esse medo ainda persiste?
Erasmo-Sim, por isso eu procuro sempre fazer boas músicas.

Panorama- Com o livro "Minha Fama de Mau", o senhor definitivamente quis mostrar quem é Erasmo Carlos, já que muitos têm o ledo engano de achar que o senhor é apenas o "parceiro do Rei", e esquecem do homem que já vendeu mais de 100 milhões de cópias. Me corrija se esse pensamento estiver errado?
Erasmo-O livro "Minha Fama De Mau" apenas ajudou, porque onde mostro que sou Erasmo Carlos é nas minhas canções, e se eu sou parceiro de Roberto Carlos, também Roberto Carlos é meu parceiro.

Panorama-O senhor se arrependeu de alguma coisa nesses 50 anos de carreira?
Erasmo-Não, porque meus erros e acertos resultaram no ser humano e artista que sou hoje...e eu amo como eu sou hoje!

Panorama- O senhor já gravou com muita gente, e gostaria de gravar com João Gilberto que é o seu maior ídolo vivo, mas disse que acordou do sonho. Se decepcionou com ele?
Erasmo-De jeito nenhum, a vida segue e outros sonhos virão!

Panorama-Pelo jeito, aposentadoria nem pensar, já que tendo 71 anos o senhor ainda vive uma vida rock and roll, é isso mesmo?
Erasmo- Claro que é amigo... não sei fazer outra coisa!

 

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