Helinho do Salgueiro: "Almir Guineto é a minha grande influência"

Abrindo a série “Bambas do Samba”, o compositor salgueirense que já gravou com artistas como João Nogueira, Neguinho da Beija-Flor, Xandy de Pilares e Almir Guineto falou sobre sua carreira e destacou o samba como a cultura do morro. “O morro sempre é samba”. Assista na TV 247

Helinho do Salgueiro e Almir Guineto
Helinho do Salgueiro e Almir Guineto (Foto: Reprodução)
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Por Nêggo Tom - O programa “Um Tom de resistência”, na TV 247, recebeu nesta semana o compositor e sambista Helinho do Salgueiro. Tendo como ideia o resgate da nossa cultura popular através do gênero musical que melhor a representa, o projeto “Bambas do Samba“ pretende trazer grandes nomes do Samba para contarem um pouco de suas histórias e falarem sobre o tom de resistência que caracteriza o estilo musical. “O meu primeiro contato com o samba foi dentro de casa, através da minha mãe e do meu pai que eram apaixonados pelo gênero, e também no morro onde nasci e fui criado. Lá no morro tinham vários artistas como Almir Guineto, Chiquinho, dos Originais do Samba, Zé Borracha, Geraldo Babão, Noel Rosa de Oliveira, muita gente que influenciou a minha entrada no samba. Eu ficava vendo e ouvindo eles cantarem ‘partido-alto’, fazendo versos, e aquilo me deslumbrava. Eu ia para casa com aquilo na cabeça, e começava a escrever umas ‘besteirinhas’. Foi o começo de tudo. E tinha uma rapaziada que gostava de samba e nós nos reuníamos no final de semana para mostrar as músicas que tinha feito durante a semana. Assim começou a minha vida de compositor”, recorda o sambista.

Helinho recorda como entrou para a ala de compositores da Acadêmicos do Salgueiro. “Eu era ritmista e passei a compositor. Fui o compositor mais jovem da agremiação, com 17 anos de idade, e cheguei à final da disputa de samba-enredo logo na minha primeira participação”. Sobre ser filho de um casal de fundadores do Salgueiro, Helinho revela uma história inusitada envolvendo a sua mãe. “Era legal ser filho dos fundadores da escola. Mas eu era muito criança quando os meus pais se separaram, e eu fiquei morando com a minha mãe. E de vez em quando ela me dava uns ‘perdidos’, me deixava dormindo e metia o pé para o samba. Eu era muito moleque e ela não tendo com quem me deixar, ficava fazendo hora até eu dormir. Assim que eu dormia, ela ia para o samba”, lembra aos risos. Ele fala também sobre a grande influência que Almir Guineto teve na sua carreira. “Ele é a minha grande influência. Até porque, durante uma parte da minha vida eu convivi diretamente com a família dele. No morro, nós éramos vizinhos muito próximos e os filhos do Almir só andavam comigo. Tinha gente que pensava que eu era o irmão mais velho deles. Foi uma escola. Compondo, versando, era difícil alcançá-lo”.

Em 1989, a Acadêmicos do Salgueiro desfilou na Sapucaí sob um samba-enredo composto por Helinho. Com o enredo “Templo Negro Em Tempo de Consciência Negra”, a vermelho e branco da Tijuca ficou em terceiro lugar e o compositor falou sobre como o samba foi criado. “Nessa época foi até engraçado, porque eu estava afastado da escola. Dois anos antes eu havia concorrido com um samba, fui para final e depois rolou uma confusão sobre o vencedor da disputa. Eu me aborreci e me afastei. Quando me chamaram para a parceria em o ‘Templo Negro em Tempo de Consciência Negra’, eu ainda estava magoado e disse que não queria mais saber de fazer samba-enredo. Conversando com o meu irmão, fui convencido a voltar. Chegando lá, me mostraram uma primeira parte de um samba, e uma segunda parte que tinham esboçado. Eu gostei da primeira parte, mas disse que não havia gostado da sequência. Eles disseram que estava tudo bem e que poderíamos sentar, refazer ou corrigir aquela parte. Eu me lembro que chamei o Almirzinho (filho de Almir Guineto) para tocar e fomos para um bar em Copacabana, onde terminamos de compor o samba. E foi um grande sucesso. Um samba que marcou a escola”.

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O compositor relembrou alguns sucessos de sua autoria que foram gravados por grandes nomes do samba brasileiro, como João Nogueira, Almir Guineto, Eliana de Lima e Xandy de Pilares. “As pessoas me associam muito ao Grupo Revelação, que foi o grupo que mais gravou músicas minhas. Foram umas 35, mais ou menos. E por eu também ter feito parte do grupo lá no começo, antes de fazer sucesso. Mas eu gravei com quase todo mundo do samba. Da rapaziada mais jovem, eu gravei com Thiaguinho, Péricles, Turma do Pagode, Molejo, Pixote, Boka Loka. Só falta o Zeca Pagodinho”. Um dos grandes sucessos da carreira do compositor, a música “Menino de pé no chão” estourou na voz de Neguinho da Beija-Flor. Helinho contou como apresentou a música ao intérprete da escola de samba de Nilópolis. “Ainda era o tempo da fita cassete. Eu peguei o trem na Central do Brasil e levei lá em Nilópolis, onde ele ainda morava naquela época. Entreguei a música a ele, deixei meu telefone escrito na fita e fui embora para casa. Ele ouviu e me ligou depois perguntando se eu já tinha mostrado a música para alguém. Eu disse que não e ele falou assim: ‘Então não mostra não, porque essa vai ser a minha música de trabalho’. Foi um 'presentaço' que eu ganhei”.

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