Jorge, Amado pelo Brasil

Escritor baiano Jorge Amado completaria 100 anos nesta sexta-feira (10), ele escreveu mais de 30 romances, traduzidos para 49 idiomas e exacerbou em sua obra a miscigenação e o sincretismo religioso; governo do estado quer transformar casa do escritor em museu

Jorge, Amado pelo Brasil
Jorge, Amado pelo Brasil (Foto: Divulgação)
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Bahia 247 - O escritor baiano Jorge Amado completaria 100 anos nesta sexta-feira (10), período marcado por uma série de comemorações pelo Brasil, como um show de Caetano Veloso em Ilhéus. A data também lembra a colossal obra de Amado, que se mantém viva e atual até hoje.

Jorge Amado escreveu mais de 30 romances, traduzidos para 49 idiomas. Foi militante comunista até se afastar da ideologia devido às atrocidades stalinistas, porém manteve em sua obra a crítica a desigualdades sociais. Seus livros foram censurados, banidos e até queimados nas ruas e depois aclamados nas salas de aula e na Academia Brasileira de Letras, onde Amado ingressou em 1961.

O escritor colocou em primeiro plano personagens femininas fortes, sensuais e contestadoras. Trouxe uma literatura sensorial - repleta de cheiros e sabores - aliada a um olhar afiado para os costumes regionais. A força de sua obra extrapolou a literatura para se tornarem alguns dos maiores sucessos da cinema e teledramaturgia nacional.

Ele exacerbou em sua obra a miscigenação e o sincretismo religioso, o que ajudou para que em 1959 recebesse um dos mais altos títulos do candomblé. Apesar das inúmeras premiações que recebeu, Jorge Amado dizia que se orgulhava mais das do candomblé.

A Companhia das Letras começou a publicar as obras de Jorge Amado em 2009 e já lançou quase 40 títulos do autor. "Capitães de Areia" acabou se tornando um dos cinco livros mais vendidos da editora, ultrapassando a marca dos 600 mil exemplares.

A editora planeja mais dois lançamentos ainda para agosto deste ano. "Bahia de Todos os Santos" é uma espécie de guia de Salvador pelos olhos de Amado. Escrito originalmente em 1944, ele foi sendo atualizado ao longo dos anos conforme a cidade se modificava até uma última versão em 1986. Já "Toda a Saudade do Mundo" reúne correspondências entre Amado e sua esposa, a escritora Zélia Gattai.

"Humilde e humano"

Se o escritor deixa saudade em milhões impactados por sua obra, quem mais sente falta são os amigos, como o ator e amigo de Jorge Amado Cláudio Cavalcanti, que viveu João Magalhães na adaptação de 1981 de "Terras do Sem-Fim".

"Como todo homem da minha geração, a paixão com Jorge Amado começou com 'Capitães da Areia'. Depois li quase todos os livros dele", disse Cavalcanti ao UOL. "Depois tive o prazer de me tornar amigo dele. Ele era ao mesmo tempo de uma enorme humildade e de uma enorme humanidade", completou Cavalcanti.

Governo quer transformar casa em museu

"O governo da Bahia está totalmente engajado no projeto de fazer da casa onde morou Jorge Amado um espaço aberto à visitação pública", afirmou, hoje (10), o governador Jaques Wagner, após ser apresentado ao projeto presenteado pelo governo de Portugal à família do escritor, no café da manhã oferecido na casa onde morou o escritor, na Rua Alagoinhas, no bairro do Rio Vermelho. Elaborado pelo arquiteto português Miguel Correa, o projeto prevê adaptação e estruturação do imóvel para se adequar a novas funções, com novos espaços, como restaurante, exposição permanente dos objetos do escritor, além de um orquidário, tudo reunido em um museu aberto à visitação do público.

"Agora é a oportunidade de fazermos um grande centro de memória do escritor e para isso vamos buscar o arcabouço legal e institucional para pôr esse projeto em execução, transformando a casa em um memorial", afirmou o governador. Sobre a questão financeira, Wagner não acredita que seja problema. "Não é uma obra que vá requerer um volume de recursos elevado". Em relação a um possível tombamento do imóvel, o governador disse que ele já se encontra pronto, mas essa não é a vontade da família. "Na medida em que há uma decisão da família, o caminho está aberto e vamos seguir nessa direção, no caminho do consenso e do entendimento". Para o governador Wagner, o importante agora é qualificar o projeto.

Apoio da família

O neto do escritor baiano, Jorge Amado Neto, afirmou que a família sempre quis fazer da casa um memorial. "O dia de hoje marca o início do processo de reinserção e fortalecimento da cultura amadiana em Salvador e na Bahia. É o primeiro passo para que o povo da Bahia possa conhecer mais de perto o homem Jorge Amado em sua intimidade". Wagner enfatizou que é preciso que a figura política de Jorge Amado seja resgatada. E citou um exemplo: "A juventude não sabe que a lei da liberdade de culto religioso foi proposta por Jorge Amado, um homem defensor da liberdade, contra a discriminação e opressão". Deputado federal, em 1945, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) de São Paulo, Jorge Amado participou da Assembléia Constituinte, em 1946, tendo sido o autor da Lei da Liberdade de Culto Religioso.

Ao final do encontro, o governador Wagner entregou aos filhos e ao neto do escritor, Paloma, João Jorge e Jorge Amado Neto, respectivamente, um book com a campanha publicitária sobre o escritor produzido pelo Governo da Bahia. Concorrido, o café da manhã reuniu, além do governador Wagner, os secretários da Comunicação do Estado, Robinson Almeida, e da Cultura, Albino Rubim; o ministro da Cultura de Portugal, Francisco Viegas; artistas locais; os candidatos à prefeitura de Salvador, Nelson Pelegrino, ACM Neto e Mário Kertész, dentre outras autoridades da Bahia e de Portugal.

Com informações do Portal UOL

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