Leviatã, Leminski e La Mer

"Temas como burocracia e a perda da força da ex-União Soviética são retratados em Leviatã. A direção/roteiro do Andrey Zvyagintsev induz o espectador a pensar nos temas mais sórdidos da nossa humanidade. O filme é ambientado numa cidade que quase ninguém ouviu falar, nas praias soviéticas", diz Rafael Samways, em sua coluna sobre a cena cultural

"Temas como burocracia e a perda da força da ex-União Soviética são retratados em Leviatã. A direção/roteiro do Andrey Zvyagintsev induz o espectador a pensar nos temas mais sórdidos da nossa humanidade. O filme é ambientado numa cidade que quase ninguém ouviu falar, nas praias soviéticas", diz Rafael Samways, em sua coluna sobre a cena cultural
"Temas como burocracia e a perda da força da ex-União Soviética são retratados em Leviatã. A direção/roteiro do Andrey Zvyagintsev induz o espectador a pensar nos temas mais sórdidos da nossa humanidade. O filme é ambientado numa cidade que quase ninguém ouviu falar, nas praias soviéticas", diz Rafael Samways, em sua coluna sobre a cena cultural (Foto: Leonardo Attuch)

Por Rafael Samways

Na Tela

Ao contrário da passagem bíblica, ou mitológica, que expõem Leviatã como uma criatura dos mares, representado no Livro de Jó (Bíblia) como “a inveja”, o filme homônimo (ganhador em Cannes de melhor roteiro) traz algumas referências estéticas ao tal monstro. Não como um Kraken (figura temida em Piratas do Caribe), mas em itens que fazem parte da paisagem/fotografia retratadas na produção russa.

A trama acontece a partir de uma luta por terras. A tentativa da corrupção - a apropriação indébita de um prefeito, numa pequena cidade costeira da Russia é o argumento principal. A briga é levada a Moscow e mostra, claramente, a decadência do ser humano. Temas como burocracia e a perda da força da ex-União Soviética são retratados. A direção/roteiro do Andrey Zvyagintsev induz o expectador a pensar nos temas mais sórdidos da nossa humanidade. O filme é ambientado numa cidade que quase ninguém ouviu falar, nas praias soviéticas.

Para meu espanto (não lembrava o quanto é bom), revi Adeus Lenin, do diretor Wolfgang Becker. Foi um dos primeiros filmes com atuação do Daniel Brühl (O Quinto Poder, Bastardos Inglórios, O Homem Mais Procurado e outros Blockbuster de Hollywood). A trama é sobre um personagem que tenta esconder de sua mãe a queda do Muro de Berlim. Fantástico! As peripécias e improvisos para manter a Sra. Kerner no comunismo alemão rendeu várias indicações e prêmios. Dentre eles o Goya de Melhor Filme Europeu, em 2004. Passe na locadora e divirta-se com esta dica. Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=WjViOCJysuI

No Mp3

Em comemoração aos 70 anos de Paulo Leminski (se estivesse vivo) foi lançado no ano passado o “Leminskanções”. Trata-se de um álbum de composições dele e em parceria com Alice Ruiz, Itamar Assumpção e Moraes Moreira. Para os fãs de sua obra poética vale conferir. O CD é duplo e conta com 24 músicas. Onze de autoria apenas do polaco e treze em parceria com outros compositores.

Levando em conta as obras curitibanas, chamo a atenção para uma banda que gosto muito. A Maxixe Machine é considerada cult por muitos que conhecem a formação do “gênero original“. Os moços da MM misturam samba, polka e tem forte referência punk. Suas letras tiram onda da sociedade paranaense, do Paraná e suas peculiaridades. Seus shows sempre são super inusitados e performáticos. Nos últimos eles vestem macacões alaranjados, e um dos seus vocalistas, o Rodrigo Barros Del Rei, usa uma lanterna de mineiro em sua cabeça.

Performance a parte, alguns não sabem, mas a influência deles vem de uma ex-banda, na sua primeira formação do Maxixe Machine, chamada Beijo AA Força. Considerada uma das primeiras a explorar as referências Punk dos anos 80. Além disto, em seus shows, eles normalmente lembram, ou dedicam canções ao P.L. (Paulo Leminski). Não é atoa a atitude. Eles gravaram uma canção cuja letra é do poeta paranaense: trata-se da "Perdendo tempo” https://www.youtube.com/watch?v=f4cTRYrTFJw no álbum BarBabel (1998). Para quem quiser ouvir, o disco está disponível aqui http://radio.stereotoaster.com.br/discos/ouvir/43/363

No Confessionário

Andei ouvindo Julio Iglesias. Ohhhh! Numa pesquisa que fiz no ano passado sobre canções marcantes do século XX descobri “La Mer” (http://youtu.be/fztkUuunI7g) , de Charles Trenet (1946) . No entanto, os arranjos originais não dão a magnitude para ser um sucesso nos dias de hoje. Na versão do “Roberto Carlos espanhol”, com arranjos abusando de metais e batidas “disco”, a canção fica muito mais bela do que a original gravada pelo francês. Neste caso, o impressionante é que a “nova roupagem” para La Mer foi feita em 1976 e ainda continua moderna - confere aí e depois me diz o que achou do comparativo https://www.youtube.com/watch?v=rGf6sp2cFEc

Namastê!

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