Luiz Antonio Simas: Carnaval é a festa mais politizada

Em entrevista à TV 247, o historiador e escritor diz que a festa brasileira “agudiza uma série de tensões e revela muito sobre nossas contradições”. Assista

Luiz Antonio Simas, historiador, escritor e professor
Luiz Antonio Simas, historiador, escritor e professor (Foto: Divulgação)
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Por Regina Zappa - Luiz Antonio Simas, historiador, professor, escritor afirma que o Brasil foi projetado para ser um país excludente e que o Carnaval é a festa brasileira mais politizada, “que agudiza uma série de tensões e revela muito sobre nossas contradições”. Autor de 18 livros sobre cultura popular, entre eles “Samba Enredo – História e Arte”, com Alberto Mussa, “Dicionário da história social do samba”, com Nei Lopes, e, recentemente “O corpo Encantado das ruas”, Simas falou sobre a perseguição às culturas afrodescendentes, sobre branquitude e racismo estrutural, cultura popular, carnaval e samba.

Para ele, a música popular ocupa um espaço de informação que, infelizmente, o livro não ocupou, de difusão de informações e visão de mundo. “Um mergulho na história do Carnaval mostra um momento emblemático para entendermos as contradições brasileiras e as disputas que envolvem isso”, diz ele. “Os saberes afro-cariocas e afro-brasileiros, por exemplo, sempre foram vítimas de racismo e discriminação. Mas o samba, a roda de samba, a cultura popular operam na dimensão de uma rede de proteção social, assim como os terreiros são uma instância de afirmação de identidade e construção de coletividade e de invenção da vida no precário”. 

Simas acredita que hoje estamos numa fase marcada pelo corte de uma moral violenta ligada à crença neopentescostal, que opera na lógica do ódio. “Essa turma tem horror à rua porque ela quer os corpos domesticados pelo trabalho. E só.” Mas apesar disso, segundo ele, o Rio é uma cidade “fresteira”, que oferece frestas para escapar da opressão. “O Rio e o Brasil abrem frestas nesses muros cinzas da opressão que são erguidos à nossa volta. Existem fendas. Por isso gosto de dar aulas na rua.”

Apesar de ver que o Brasil oficial é um projeto de horror e de ódio, Simas reafirma: “Eu amo a brasilidade”.

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