Mamonas Assassinas: jaqueta e pelúcia encontradas intactas sobre caixões emocionam famílias
Exumação dos corpos foi marcada por momentos de forte emoção
247 - A exumação dos corpos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, realizada nesta semana em Guarulhos (SP), foi marcada por momentos de forte emoção para familiares e pessoas próximas dos músicos. Entre as descobertas que mais comoveram os presentes estavam objetos pessoais preservados junto aos caixões: uma jaqueta sobre o ataúde do vocalista Dinho e uma pelúcia encontrada sobre o caixão do guitarrista Bento Hinoto. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.
Segundo Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca ligada ao grupo, os itens foram localizados durante o processo de exumação, que integra o projeto de criação de um memorial permanente para os artistas. Ao veículo, ele enviou imagens exclusivas da pelúcia encontrada.De acordo com Claudia Hinoto, cunhada de Bento, o ursinho havia sido colocado no caixão por um familiar no momento do sepultamento, há quase três décadas.— "Ele estava praticamente intacto, um pouco sujinho de terra só. Provavelmente ele ficará no Memorial. Não me lembro exatamente, mas acho que foi a mãe dele que colocou. Ela queria ter colocado a guitarra dele, mas por medo de violação da sepultura, acabou não deixando".
O objeto será higienizado antes de integrar o espaço expositivo dedicado à memória da banda. Familiares relataram que a exumação foi conduzida com respeito e sensibilidade, reacendendo lembranças profundas da convivência com os músicos.Uma parente do guitarrista destacou o significado simbólico do projeto criado pelas famílias em parceria com o BioParque Cemitério de Guarulhos.— "É um projeto muito bonito, porque a árvore é o símbolo da vida. Então nada mais bonito que ter uma essência dos meninos nessas árvores. Para nós, o Alberto era o cunhado, o irmão, o filho, mas para o público, era o Bento"
Memorial transformará lembrança em símbolo de vida
Após a exumação, parte dos restos mortais dos cinco integrantes será cremada e transformada em adubo para o plantio de cinco árvores no cemitério onde os artistas estão sepultados. Cada árvore representará um membro da banda e funcionará como extensão simbólica das sepulturas originais, que permanecerão abertas à visitação gratuita.As cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis junto às sementes escolhidas pelas famílias. O crescimento das árvores poderá ser acompanhado por meio de uma plataforma digital, desde a germinação até o plantio definitivo.O memorial contará ainda com totens informativos, QR Codes com acesso a fotos e vídeos históricos e um espaço temático dedicado aos fãs, batizado de “cantinho Mamonas”.— "O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR Code e um ‘cantinho Mamonas’.
Tudo continuará gratuito"Fé, saudade e inspiração musical
O pai do vocalista Dinho, Hildebrando Alves, esteve presente na cerimônia e relembrou o processo de luto enfrentado pela família desde o acidente aéreo de 1996. Segundo ele, a fé e o carinho dos fãs foram fundamentais para superar a tragédia.— "Nesses 30 anos, compreendemos que a vida é assim, vamos todos morrer um dia. A inspiração do Dinho sempre foi a fazenda em que olhava o gado; para o 'Mundo Animal', eu acho que se baseou nisso"A mãe de Bento, Toshiko Hinoto, que participou intensamente da preservação da memória do filho ao longo dos anos, morreu há poucos meses e não presenciou a homenagem.
Tragédia completa 30 anos
A morte dos integrantes da banda completa 30 anos na próxima semana. Em 2 de março de 1996, os músicos retornavam de um show em Brasília quando o jatinho Learjet 25D fretado pelo grupo se chocou contra a Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo, durante uma tentativa de arremetida.Além de Dinho e Bento, morreram no acidente Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além do piloto, copiloto, um ajudante de palco e o segurança da banda.Na época, os Mamonas Assassinas viviam o auge da carreira. O primeiro e único álbum, lançado em 1995, havia se tornado fenômeno nacional, com milhões de cópias vendidas e shows lotados em todo o país.
O grupo se preparava para iniciar turnê internacional e trabalhar no segundo disco quando ocorreu o acidente.Quase três décadas depois, a descoberta da jaqueta e do ursinho preservados junto aos caixões reforçou, para familiares e fãs, a permanência do legado afetivo deixado pela banda — agora transformado em memória viva por meio das árvores que serão plantadas em homenagem aos artistas.