Mara Mourão: “Todo mundo pode mudar o mundo”

Diretora do filme Quem se importa fala, ao 247, sobre empreendedorismo social e como o longa pode inspirar pessoas; leia a entrevista e assista ao trailer

Mara Mourão: “Todo mundo pode mudar o mundo”
Mara Mourão: “Todo mundo pode mudar o mundo” (Foto: Divulgação)
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Aline Oliveira _247- Relatos de obras sociais bem-sucedidas, acompanhados de depoimentos emociados e frases de incentivo, capazes de sensibilizar pessoas dispostas a construir um mundo melhor. Esse é o mote de “Quem se importa”, o novo filme da cineasta paulista Mara Mourão, que estreou esta semana nos cinemas.

Filmado no Brasil, Peru, Estados Unidos, Canadá, Tanzânia, Suiça e Alemanha, “Quem se importa” traz histórias de empreendedores sociais - cujas ações causaram impacto positivo onde vivem - que, segundo a diretora, provam que é possível fazer algo em prol do bem comum.

O filme nasceu da necessidade de Mara de criar “algo que tivesse uma mensagem construtiva”. Depois de lançar, em 2005, Doutores Alegria (longa que retrata os bastidores dos palhaços da organização nos hospitais e que recebeu o selo da UNESCO por ser considerado uma obra que promove uma cultura de paz), Mara notou que filmes com temática social lhe traziam mais satisfação do que as comédias, gênero que ela trabalhava até então. O 247 convesou com a cineasta. Leia a entrevista.

247- Como foram selecionados os depoimentos para o filme?
Mara Mourão - Pesquisei bastante e cheguei a cinquenta empreendedores sociais. A seleção dos dezoito foi muito difícil porque tem muita gente fazendo coisas importantes mundo afora. Meu critério para seleção foi priorizar trabalhos de continentes diferentes, com áreas de atuação distintas, e que o idealizador do projeto tivesse facilidade para falar e não apresentasse um trabalho meramente burocrático, pois queríamos projetos com imagens para mostrar.

247- É possível traçar alguma característica em comum entre todos os empreendedores sociais entrevistados para o filme?
Mara Mourão - São pessoas diferentes, mas que têm em comum a sensação de plenitude, de quem conseguiu alinhar a missão de vida ao trabalho. Outro ponto em comum é a ética.

247- Quanto tempo você levou para fazer o filme?
Mara Mourão - A pesquisa levou quase um ano, a edição também durou esse tempo e o que demorou, também, foi o processo de captação de recursos. Mas o projeto existe desde 2008. Tive a ideia de fazê-lo depois de notar a repercussão do filme Doutores da Alegria.

247- O Doutores da Alegria foi lançado em 2005 e foi seu primeiro filme com temática social. O que fez você deixar de filmar comédias e passar a se dedicar a filmes com apelos sociais?
Mara Mourão - Fazia comédias e a reação do público era sempre: “Ah!, me diverti muito”. Mas eu queria algo que tivesse uma mensagem construtiva. Com o Doutores da Alegria, pessoas vieram me dizer que o filme mudou a vida delas. Por exemplo, professores disseram que passaram a ensinar melhor depois de ver o filme, e muita gente falou que mudou o rumo de sua carreira. Esses depoimentos me fizeram perceber o grande impacto que o filme teve na vida das pessoas e foi isso que me motivou a fazer o “Quem se importa”.

247- Você afirma que “Quem se importa” é mais que um filme, é um movimento. Explique isso.
Mara Mourão – Considero o filme um movimento porque eu vejo as pessoas compartilhando, espontaneamente, o trailer ou as notícias sobre ele. Eu acho que virou um movimento nesse sentido, que inspira pessoas a serem transformadoras. As pessoas entenderam que é importante fazer sua parte, fazer algo diferente.

247- De que forma você acha que o filme irá sensibilizar o público?
Mara Mourão - Ele passa a mensagem de que todo mundo pode mudar o mundo. Que qualquer pessoa pode fazer a diferença. Um dos personagens fala que você não toma uma pílula para se tornar um empreendedor social, que não é uma benção divina. Basta ter poder de transformação. É isso! O filme planta uma sementinha em cada um.

247- “Quem se importa” vai na contramão da cultura individualista que vivemos hoje. Você acha que as pessoas estão dispostas a fazer algo pelas outras? A se importar com as outras?
Mara Mourão - Sim, muita gente. O filme reúne diversos trabalhos de pessoas que perceberam que podem gerar um impacto positivo ao seu redor, independentemente do lugar em que vivem e da esfera que atuam, seja ela pública ou privada. Mas, obviamente, muita gente não se importa. Muitos falaram que eu devia ter retratado o que não dá certo. Só que eles não entendem que eu não me propus a fazer um filme sobre a realidade do empreendedorismo social no mundo. Não vim falar de ONGs que roubam dinheiro público ou de projetos que não deram certo. Quis mostrar uma fatia da realidade, de quem se importa. Não gosto da ideia de que tem que falar mal para entender a realidade. Não quis expor o que não deu certo, mas mostrar o que dá certo e inspirar as pessoas.

 

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