Marlene Crespo: desenhos da resistência

O livro "Desenhos da Resistência", que será lançado no sábado (15) é a reunião da obra gráfica da artista Marlene Crespo, que aos 86, ainda ativa, reúne na publicação seus principais trabalhos, especialmente o registro das lutas sociais durante a ditadura militar pós-1964. "Algo existiu, que não devemos esquecer", diz ela. Marlene foi presa três vezes pelo regime militar, duas vezes por ser ativista estudantil e a última e mais dramática, em 1973, acusada de pertencer a uma organização clandestina -passou dois meses entre o COI-CODI e o Dops, em São Paulo, onde foi barbaramente torturada.

Marlene Crespo: desenhos da resistência
Marlene Crespo: desenhos da resistência

247 - O livro "Desenhos da Resistência", que será lançado no sábado (15) é a reunião da obra gráfica da artista Marlene Crespo, que aos 86, ainda ativa, reúne na publicação seus principais trabalhos, especialmente o registro das lutas sociais durante a ditadura militar pós-1964. "Algo existiu, que não devemos esquecer", diz ela. Marlene foi presa três vezes pelo regime militar, duas vezes por ser ativista estudantil e a última e mais dramática, em 1973, acusada de pertencer a uma organização clandestina -passou dois meses entre o COI-CODI e o Dops, em São Paulo, onde foi barbaramente torturada.

Marlene Crespo tem uma vasta e sensível produção em gravuras, desenhos, bordados e outras formas de expressão nas artes plásticas. Realizou dezenas de exposições de seus trabalhos por todo o Brasil e publicou regularmente ilustrações em jornais; é autora de quatro livros com poemas e imagens, três deles voltados às crianças.

Sua dolorosa experiência nos centros de tortura da ditadura está parcialmente registrada no livro, ao lado de dezenas de outras obras elaboradas no período militar como contribuição à imprensa alternativa -jornais de diversos portes que veiculavam informações e ideias que o regime buscada silenciar. Publicações como Opinião, Movimento, Cobra de Vidro, Ex, Bondinho, Versus e outras. 

O livro reúne também obras publicada em veículos da imprensa comercial, especialmente no extinto caderno Folhetim, da Folha de S.Paulo. Os personagens dos trabalhos são, em sua imensa maioria, mulheres, indígenas, estudantes, operários, negros, moradores das periferias. 

O projeto do livro, segundo Marlene Crespo, "reflete uma história de vida diretamente ligada àqueles fatos. Poucos artistas viveram na pele, como vivi, a prisão e a tortura. Por outro lado, muitos protestos, expressos há décadas, continuam com razão de ser registrados graficamente, e aqui transpostos, poderiam ainda ilustrar publicações de hoje".

Lançamento de "Desenhos de Resistência", Editora Outras Expressões, São Paulo, 2018 - sábado (15) às 15 na Livraria Expressão Popular, à rua Abolição, 201, Bela Vista, São Paulo - com a presença da autora.

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