Massificação da arte e The Aristocrats

A melhora tão aclamada na educação, principalmente nos países subdesenvolvidos como o Brasil, deveria passar inevitavelmente por aulas de música nas escolas

O conceituado guitarrista de fusion Guthrie Govan (Asia, GPS), o headbanger Bryan Beller (Dethklok, Steve Vai), baixista, e o baterista virtuoso Marco Minneman (Ephel Duath, Paul Gilbert) gravaram um álbum juntos. A banda, nomeada The Aristocrats, eventualmente lembra Return To Forever, King Crimson ou até Joe Satriani. É uma mistura interessantíssima de Fusion e Rock, simplesmente genial.

  E provavelmente nunca ouviste falar desse grupo.

  Escrevo-lhes envergonhado da minha própria geração. E às vezes temo cair na tentação de sentir-me intelectualmente acima de alguém ou outrém porque o meu ouvido é relativamente decente. Decente, ou ao menos assim o considero. Temo ainda mais que essas pessoas se considerem da mesma forma – aí então algo está perdido – ou essa gente toda, ou a minha sanidade.

  E convenhamos que, independente disso, há algo muito errado com a juventude atual de uma maneira geral. Assistimos a Beatniks, Hippies, Rivetheads, Straight Heads, Grunges... E chegamos aos “hipsters”. Decadente. E para me ater à música, reflexo disso tudo, nem preciso ser específico para dizer que existe um processo de massificação que beira o burlesco.

  Por isso, sigo repetindo que a melhora tão aclamada na educação, principalmente nos países subdesenvolvidos como o Brasil, passa inevitavelmente por aulas de música nas escolas. E que sejam aulas de bom nível. A arte é por definição um reflexo da consciência do indivíduo frente ao seu contexto social. Jovens se mobilizando através da arte novamente seria mais que um sonho realizado, um indício de que talvez a nossa democracia um dia funcione.

  Acho que o fiasco de vendas desse, que é um dos melhores trabalhos recentes que tive a oportunidade de ouvir, talvez seja reflexo dessa alienação crescente. É uma quantidade tão gigantesca de cultura de massa que isso se torna uma lavagem cerebral. As pessoas nem sequer se importam com a qualidade da arte que consomem. É como não lavar a própria alface.

  Termino esse texto deixando-lhes com a segunda faixa desse álbum não-intitulado, para que o conheçam, o apreciem, e digam se este não merecia maior divulgação. 

http://www.youtube.com/watch?v=4j8EEZhoSxE

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