Médicos, os judeus do PT. A boçalidade não tem limite

Depois da tese da escravidão, a nova teoria que desponta nas páginas da Folha foi levantada pelo "filósofo" Luiz Felipe Pondé, mais um expoente da nova direita; segundo ele, assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos ocupam esse papel no governo petista; seu artigo é um amontoado de preconceito e desinformação, mas, segundo sua lógica, o ministro Alexandre Padilha deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos

www.brasil247.com - Depois da tese da escravidão, a nova teoria que desponta nas páginas da Folha foi levantada pelo "filósofo" Luiz Felipe Pondé, mais um expoente da nova direita; segundo ele, assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos ocupam esse papel no governo petista; seu artigo é um amontoado de preconceito e desinformação, mas, segundo sua lógica, o ministro Alexandre Padilha deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos
Depois da tese da escravidão, a nova teoria que desponta nas páginas da Folha foi levantada pelo "filósofo" Luiz Felipe Pondé, mais um expoente da nova direita; segundo ele, assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos ocupam esse papel no governo petista; seu artigo é um amontoado de preconceito e desinformação, mas, segundo sua lógica, o ministro Alexandre Padilha deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos (Foto: Leonardo Attuch)


247 - Até agora, o ataque em massa da elite brasileira ao programa Mais Médicos tem-se mostrado um retumbante fracasso. Começou com a ação organizada de colunistas da velha mídia, como Eliane Cantanhêde, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, à vinda de "escravos cubanos". Mas a reação selvagem de um grupo de médicos cearenses no desembarque de profissionais de Cuba – classificada como "abominável" pelo ex-presidente Lula – colocou esse grupo na defensiva. Além disso, a população aprova o programa e o Mais Médicos é hoje o principal fator de recuperação da popularidade da presidente Dilma Rousseff.

O tiro da direita se voltou contra os próprios conservadores, mas a oposição ao Mais Médicos ainda não recolheu sua artilharia. Nesta segunda-feira, a Folha publica um artigo que talvez entre para a história como uma das peças mais infames já impressas nas rotativas do grupo editorial da família Frias. O "filósofo" Luiz Felipe Pondé afirma que os médicos são "os judeus do PT". Estariam sofrendo campanha difamatória e sendo transformados em bodes expiatórios – assim como Hitler fez na Alemanha nazista.

Na verdade, o que o governo ofereceu aos médicos brasileiros foi uma bolsa de R$ 10 mil por mês a quem se dispusesse em trabalhar em regiões remotas, que, hoje, não têm profissionais de saúde. Como, em 701 municípios, não há nenhum médico interessado, foi necessário dar início a esta fase do Mais Médicos com profissionais estrangeiros. 

Pela lógica de Pondé, os rincões e as periferias do Brasil são campos de concentração. E o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, deve ser uma espécie de Hitler dos trópicos. Seu artigo é um amontoado de desinformação e preconceito. E chega às raias da boçalidade. Leia abaixo:

O fascismo do PT contra os médicos

Os judeus foram o bode expiatório dos nazistas. Nossos médicos são os "judeus do PT"

Luiz Felipe Pondé

O PT está usando uma tática de difamação contra os médicos brasileiros igual à usada pelos nazistas contra os judeus: colando neles a imagem de interesseiros e insensíveis ao sofrimento do povo e, com isso, fazendo com que as pessoas acreditem que a reação dos médicos brasileiros é fruto de reserva de mercado. Os médicos brasileiros viraram os "judeus do PT".

Uma pergunta que não quer calar é por que justamente agora o governo "descobriu" que existem áreas do Brasil que precisam de médicos? Seria porque o governo quer aproveitar a instabilidade das manifestações para criar um bode expiatório? Pura retórica fascista e comunista.

E por que os médicos brasileiros "não querem ir"?

A resposta é outra pergunta: por que o governo do PT não investiu numa medicina no interior do país com sustentação técnica e de pessoal necessária, à semelhança do investimento no poder jurídico (mais barato)?

O PT não está nem aí para quem morre de dor de barriga, só quer ganhar eleição. E, para isso, quer "contrapor" os bons cidadãos médicos comunistas (como a gente do PT) que não querem dinheiro (risadas?) aos médicos brasileiros playboys. Difamação descarada de uma classe inteira.

A população já é desinformada sobre a vida dos médicos, achando que são todos uns milionários, quando a maioria esmagadora trabalha sob forte pressão e desvalorização salarial. A ideia de que médicos ganham muito é uma mentira. A formação é cara, longa, competitiva, incerta, violenta, difícil, estressante, e a oferta de emprego descente está aquém do investimento na formação.

Ganha-se menos do que a profissão exige em termos de responsabilidade prática e do desgaste que a formação implica, para não falar do desgaste do cotidiano. Os médicos são obrigados a ter vários empregos e a trabalhar correndo para poder pagar suas contas e as das suas famílias.

Trabalha-se muito, sob o olhar duro da população. As pessoas pensam que os médicos são os culpados de a saúde ser um lixo.

Assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos brasileiros estão sendo oferecidos como causa do sofrimento da população. Um escândalo.

É um erro achar que "um médico só faz o verão", como se uma "andorinha só fizesse o verão". Um médico não pode curar dor de barriga quando faltam gaze, equipamento, pessoal capacitado da área médica, como enfermeiras, assistentes de enfermagem, assistentes sociais, ambulâncias, estradas, leitos, remédios.

Só o senso comum que nada entende do cotidiano médico pode pensar que a presença de um médico no meio do nada "salva vidas". Isso é coisa de cinema barato.

E tem mais. Além do fato de os médicos cubanos serem mal formados, aliás, como tudo que é cubano, com exceção dos charutos, esses coitados vão pagar o pato pelo vazio técnico e procedimental em que serão jogados. Sem falar no fato de que não vão ganhar salário e estarão fora dos direitos trabalhistas. Tudo isso porque nosso governo é comunista como o de Cuba. Negócios entre "camaradas". Trabalho escravo a céu aberto e na cara de todo mundo.

Quando um paciente morre numa cadeira porque o médico não tem o que fazer com ele (falta tudo a sua volta para realizar o atendimento prático), a família, a mídia e o poder jurídico não vão cobrar do Ministério da Saúde a morte daquele infeliz.

É o médico (Dr. Fulano, Dra. Sicrana) quem paga o pato. Muitas vezes a solidão do médico é enorme, e o governo nunca esteve nem aí para isso. Agora, "arregaça as mangas" e resolve "salvar o povo".

A difamação vai piorar quando a culpa for jogada nos órgãos profissionais da categoria, dizendo que os médicos brasileiros não querem ir para locais difíceis, mas tampouco aceitam que o governo "salvador da pátria" importe seus escravos cubanos para salvar o povo. Mais uma vez, vemos uma medida retórica tomar o lugar de um problema de infraestrutura nunca enfrentado.

Ninguém é contra médicos estrangeiros, mas por que esses cubanos não devem passar pelas provas de validação dos diplomas como quaisquer outros? Porque vivemos sob um governo autoritário e populista.

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