Morre Ideval Anselmo, referência do samba-enredo paulistano, aos 85 anos
Compositor marcou gerações do carnaval de São Paulo com sambas campeões e trajetória histórica na Camisa Verde e Branco
247 - O compositor Ideval Anselmo, um dos nomes mais importantes da história do samba-enredo em São Paulo, morreu aos 85 anos nesta Quarta-Feira de Cinzas (18), na capital paulista. A informação foi divulgada pela CNN Brasil. A causa da morte não foi informada pela família.
Reconhecido por sua longa ligação com o carnaval paulistano, Ideval construiu carreira marcada por títulos, composições históricas e forte atuação cultural dentro das escolas de samba. O velório acontece nesta quinta-feira (19), das 8h30 às 12h30, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.
Legado no carnaval paulista
Ideval Anselmo tornou-se um dos pilares da tradição do samba-enredo da cidade principalmente por sua trajetória na escola de samba Camisa Verde e Branco, onde iniciou sua caminhada artística em 1969.
Três anos depois, em 1972, apresentou seu primeiro samba-enredo, “Literatura de Cordel”, marco inicial de uma sequência de sucessos que ajudariam a consolidar o prestígio da agremiação no carnaval.
Suas composições conquistaram títulos importantes: a Camisa Verde e Branco foi campeã com sambas assinados por Ideval nos anos de 1974, 1976, 1977 e 1979. Posteriormente, ele também venceu o carnaval pela Rosas de Ouro, em 1984.
Ao longo das décadas, suas obras foram interpretadas por grandes vozes do samba brasileiro, como Jamelão, Eliana de Lima, Thobias da Vai-Vai, Fabiana Cozza e Oswaldo dos Santos.
Entre seus sambas mais conhecidos estão “Narainã, a alvorada dos pássaros” e “Atlântida e suas chanchadas”, obras que permanecem como referências musicais do carnaval paulista.
Homenagens e reconhecimento
A morte do compositor gerou uma série de manifestações nas redes sociais. Amigos, familiares e artistas destacaram a importância de Ideval para a cultura popular, classificando-o como “fundamental para a história do carnaval de São Paulo”.
O sociólogo Tadeu Kaçula, que trabalhou com o artista, relembrou a parceria musical e a influência recebida ao longo dos anos. Segundo ele, aprendeu com o compositor “sobre o samba e a cultura do carnaval paulista”.
A cantora Fabiana Cozza também prestou homenagem ao sambista. Em 2011, ela dividiu o palco com o pai, Oswaldo dos Santos, na gravação do clássico “Narainã (Alvorada dos Pássaros)”, produzido por Ideval Anselmo ao lado dos compositores Jordão e Zecão.
Trajetória dedicada ao samba
Nascido em 18 de setembro de 1940, em Catanduva, interior de São Paulo, Ideval dedicou mais de cinco décadas à música e à preservação das tradições carnavalescas.
Em 2005, passou a integrar a Embaixada do Samba Paulistano, grupo voltado à valorização da memória do gênero. Também lançou álbum solo reunindo sambas-enredo, composições em ijexá e músicas no estilo gafieira, ampliando sua atuação além dos desfiles carnavalescos.
A morte do compositor ocorre em meio ao encerramento do Carnaval, período que simboliza justamente o universo cultural ao qual ele dedicou toda a vida artística. Para sambistas e pesquisadores da cultura popular, Ideval Anselmo deixa um legado permanente na construção da identidade musical do carnaval de São Paulo.