“Não quero ser escravo de captação de recursos”

Marcelino Freire, criador e curador da Balada Literria, conversou com o 247 sobre o festival; evento no possui patrocnio formal; Augusto de Campos o homenageado desta edio

“Não quero ser escravo de captação de recursos”
“Não quero ser escravo de captação de recursos” (Foto: Divulgação)
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Aline Oliveira_247- “Tudo começou a partir de uma necessidade etílica”. A frase de Marcelino Freire para explicar a criação da Balada Literária, cuja sexta edição começou nesta quarta-feira em São Paulo, remete a uma visita do escritor à Festa Literária Internacional de Paraty, quando ele se viu 'obrigado' a tomar “cerveja cara e quente”, após a bebida gelada ter acabado na região.

O bom-humor do curador do festival expressa o clima de descontração presente em todas as edições da Balada Literária, criada em 2006, na Vila Madalena, bairro boêmio da zona oeste paulistana. “Lá não faltam bares”, brinca. Outro fator decisivo para escolha do lugar era a possibilidade de os frequentadores irem a todos os eventos à pé. Isso porque, até o ano passado, os espaços que abrigavam a Balada Literária estavam localizados em Pinheiros e adjacências.

Apesar dos detalhes à parte, o principal motivo da criação da Balada Literária é a vontade de Marcelino de deixar “a literatura mais viva, mais pulsante”. E é por isso que o escritor faz questão de a Balada ser aberta a todos. “Não tenho público-alvo. Quero unir todas as tribos, professores, estudantes e pessoas novas no cenário literário”, conta o curador, que se diz contra credenciais. “Nada de chachá, lista etc. Aqui é tudo de graça! Basta chegar e ver seus autores preferidos, conversar e fazer amigos”, completa.

Além de ser bem aceito pelo público, o formato do festival atraiu grandes nomes da literatura e música nacional, como João Ubaldo Ribeiro, Jorge Furtado, José Miguel Wisnik, Lygia Fagundes Telles, Luís Fernando Veríssimo, Antonio Cândido, Adélia Prado, Chico César, Emicida e Mario Prata.

A Balada Literária sobrevive sem patrocínio formal, apenas de parcerias com organizações comerciais. Marcelino diz não ter paciência para esperar os trâmites do Governo Federal. “Não tenho saco para as questões burocráticas. [Na hora de pedir patrocínio] Gosto de olhar no olho”, conta o curador, que também aponta falhas no método de patrocínios do Ministério da Cultura. “Eles deveriam vir atrás de nós. Por que não procuram o Sérgio Vaz (escritor e fundador da Cooperifa, que existe há 10 anos) e perguntam: 'o que você está precisando?'”. Entretanto, Marcelino afirma que o Ministério já o questionou por que ele não pediu recursos ou foi atrás de incentivos, como a Lei Rouanet. “Não quero ser escravo de escritório de captação de recursos”, completa.

Sexta Edição

A sexta edição da Balada Literária começou na quarta-feira e homenageará o poeta Augusto de Campos, que se apresentou no show de abertura com Adriana Calcanhotto e seu filho Cid Campos. “Escolhi Augusto para ser homenageado, porque além de ele completar 80 anos este ano, sua literatura tem tudo a ver com a geografia da cidade”, diz Marcelino.

A novidade é que a Balada se estenderá à Avenida Paulista e terá eventos na Casa das Rosas e no Itaú Cultural, além dos lugares de costume, como a Livraria da Vila, o SESC Pinheiros e o Centro Cultural B_arco.

Até o dia 20 de novembro, a Balada Literária reunirá artistas como Caetano Veloso, Tom Zé, Jorge Mautner, Laerte e Lourenço Mutarelli. Veja a programação completa aqui.

 

 

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