Ney, 70, vive um de seus momentos mais criativos

Aniversrio marca fase profcua na carreira do artista, que lana novo lbum este ano, atua na sequncia do filme O Bandido da Luz Vermelha e dirige monlogo inspirado em textos de Joo do Rio. Confira diversas fases do cantor em vdeos

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Natália Rangel_247 – O cantor, ator e diretor Ney Matogrosso nasceu na cidade de Bela Vista, em Mato Grosso do Sul, como Ney de Sousa Pereira – deixou a cidade aos 17 anos e entrou para a Aeronáutica. Ao sair da academia viajou para o Rio de Janeiro onde vivia de artesanato até, em meados da década de 1960, ser convidado para gravar os vocais do primeiro álbum do grupo Secos & Molhados. A voz aguda de Ney e seu estilo performático inauguraram um novo estilo e começou ali a sua trajetória que é uma das mais ricas e inovadoras da música brasileira. Em 1971, Ney adotou o nome artístico Matogrosso, em homenagem ao seu estado natal. Ele gravou álbuns que influenciaram toda uma geração de cantores e compositores e era transgressor e corajoso ao cantar, rebolar e se pintar todo cantando Por Debaixo dos Panos ou Homem com H em uma sociedade ainda mais conservadora e machista do que hoje, e isso ainda sob a ditadura militar.

O performático artista tinha um quê de David Bowie brasileiro, foi precursor da androginia no rock. Musicalmente, Ney era especialista em criar vanguardas: ele fez na década de 1970 cozinhas sonoras utilizando sons das florestas e ventanias muito antes que a inventiva islandesa Bjork trouxesse as mesmas referências ao seu repertório. Inquieto, extravagante, perfeccionista e muito focado em cada trabalho que faz, Ney está agora de volta ao teatro após 11 anos, desde que foi diretor do musical "Somos Irmãs". Ele dirige "Dentro da Noite", monólogo que reúne dois contos de João do Rio (1881-1921), que está em cartaz em São Paulo. O que o moveu de volta aos palcos foi a paixão pelo texto de João do Rio, autor que ele desconhecia e o fascinou pelo forte diálogo que cria com o escritor Nelson Rodrigues. Ney quer resgatar João do Rio de certo anonimato a que acabou relegado pela cultura brasileira. Também está com um trabalho importante no cinema: será o protagonista da continuação de O Bandido da Luz Vermelha, de Ícaro Martins e Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, diretor do primeiro longa, de 1968.

Enquanto se divide em diversas atividades, Ney finaliza também o seu novo álbum, só com canções inéditas de compositores muito admirados por ele, como Jards Macalé, Itamar Assumpção e Sérgio Sampaio, e também nomes novos na cena musical, como o Vítor Pirralho, de Maceió. A sua ligação com o teatro e com a representação também está fortemente presente na música, em suas apresentações, desde os tempos tresloucados de Secos & Molhados, passando por suas extravagantes performances já em carreira solo, uma pausa para cara limpa no início dos anos 1980 e a volta ao romantismo contido e elegante na fase atual, marcada pelo lançamento de seu álbum Beijo Bandido. Confira em vídeos as fases encarnadas pelo artista ao longo de sua carreira.

 

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