“O Brasil não está interessado em ver suas histórias”

Para Fernando Meirelles, os filmes que dão bilheteria são os que têm violência ou comédia; cineasta não faz filmes nacionais desde "Cidade de Deus", lançado em 2002; Seu novo filme, 360, foi rodado em vários países e estreia sexta-feira no Brasil; veja o trailer

“O Brasil não está interessado em ver suas histórias”
“O Brasil não está interessado em ver suas histórias” (Foto: Divulgação)
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Aline Oliveira _247- Há dez anos sem fazer um filme nacional, o cineasta Fernando Meirelles afirmou que apesar de não querer admitir, os números [dos espectadores de cinema no Brasil] mostram que o Brasil não está muito a fim de ver suas histórias no cinema. “Os números falam isso. Os filmes que têm funcionado são aqueles que têm a ver com a realidade do espectador, que são as comédias e filme sobre violência (como Cidade de Deus, que teve mais de 3 milhões de espectadores)”, analisa o cineasta. “Filmes de época ou fora a realidade do espectador não têm acontecido. Para um filme fazer 1 milhão de espectadores no Brasil, ele tem que pegar essa nova classe C, que é um público novo, formado pela televisão”.

Para responder essa questão, feita pelo 247 durante entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, Meirelles se baseou no fato de Xingu (filme de Cao Hamburguer, lançado este ano e produzido pela O2, que pertence ao Meirelles) não ter arrecadado a bilheteria esperada. “Xingu custou R$ 12 milhões e só teve 300 mil espectadores”, disse Meirelles analisando o fato de não ter lógica fazer um filme com esse custo e ter uma repercussão tão baixa. “Para ficar zero a zero [pagar as contas], acho que precisava 1,6 milhão, 1,7 milhão”, declarou.  É por esse motivo que Meirelles recusou o convite de adaptar o romance “Grande sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, por “ser muito caro”.

Desde Cidade de Deus – lançado em 2002, cujo roteiro foi feito por Bráulio Mantovani –Meirelles só tem trabalhado com roteiros já prontos, encaminhados para seu e-mail. E foi dessa forma que a história de 360 - novo longa do cineasta, que entra em cartaz nesta sexta-feira- chegou a suas mãos. “Recebo roteiros quase que diariamente e esse me chamou a atenção por ter o nome de Peter Morgan (“Frost/ Nixon”)”. 

Para fazer o roteiro, Morgan se inspirou no texto da peça Reign, do dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler, e fez uma trama que mistura várias pessoas e países, o que chamou a atenção de Meirelles. “Ele viaja muito e queria mostrar como a vida está globalizada, por isso acho que o filme é 80% do Peter Morgan, 3% da peça, e o resto é meu”.

360 começa em Viena e passa por Paris, Londres, Bratislava, Denver e Phoenix, interligando pequenas histórias e personagens que se encontram ao longo da narrativa.  Considerado um filme-mosaico, o longa constrói ligações amorosas que vistas separadamente parecem incompletas. “As histórias têm menos tempo do que eu gostaria e há até o risco de ficar um pouco superficial. Por isso, tem de olhar o tema geral, que, no caso, é o relacionamento amoroso, feito e desfeito”.

No elenco, estão Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz, Ben Foster, Juliano Cazarré e Maria Flor, que falou, durante a entrevista, sobre a experiência de contracenar com o veterano astro britânico. “Ele é muito simples e ao mesmo tempo muito profundo”.

 

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