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O lirismo e a tragédia de Lúcio Cardoso no teatro

Clssico da literatura brasileira, a obra Crnica da Casa Assassinada, do escritor mineiro Lcio Cardoso, levada aos palcos pelo diretor Gabriel Villela, no Rio de Janeiro

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Natália Rangel_247 - A estreia no Rio de Janeiro da peça “Crônica da Casa Assassinada” nesta sexta-feira 3 (no teatro Maison de France) marca o início de um resgate da obra do escritor mineiro Lúcio Cardoso (1912-1968), o “Dostoievski de Minas Gerais”, como já foi chamado devido às suas tramas densas e existencialistas. Cardoso era homossexual e só conseguiu assumir a sua sexualidade depois de se mudar para o Rio de Janeiro aos 17 anos e disse certa vez, com rancor, sobre o seu estado natal: “meu inimigo é Minas Gerais”, em referência à repressão e ao preconceito vivenciado na cidade de Curvelo, onde nasceu e depois em Belo Horizonte. A peça que agora chega aos palcos cariocas tem a criativa direção de Gabriel Villela e Xuxa Lopes como protagonista. Ela é Nina, a mulher que se casa com um dos filhos da família Menezes e passa a integrar o clã.

A personagem é a figura chave da trama, a pessoa que desmascara toda a mazela e podridão oculta sob uma fachada tradicionalista e austera, perdendo-se de si própria neste torturante processo. O palco abrigará cenas fortes de sexo, com direito a necrofilia, incesto e adultério – tudo que é torpe, pecaminoso e repulsivo é familiar àquele casarão apodrecido. Trata-se da primeira montagem da história de Lúcio Cardoso que foi lançada pela editora José Olympio em 1959 e teve impacto importante em nossa literatura. Uma das famosas admiradoras de seu estilo era a escritora Clarice Lispector, sua grande amiga. Outras obras do autor também voltarão às prateleiras das livrarias. A Companhia das Letras anunciou recentemente que irá relançar todas as 15 obras do escritor no início de 2012.