Obra-prima do modernismo, consumida pelo fogo

“Samba”, de Di Cavalcanti, foi uma das obras da coleção de Jean Boghici destruídas por um incêndio, no Rio de Janeiro 

Obra-prima do modernismo, consumida pelo fogo
Obra-prima do modernismo, consumida pelo fogo (Foto: Divulgação)
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Vermelho.orgUma das mais importantes obras da história da arte brasileira e principal item da coleção de Jean Boghici, a pintura “Samba” (1925), de Di Cavalcanti, foi destruída em um incêndio de grandes proporções em seu apartamento, na rua Barata Ribeiro, em Copacabana, no Rio, onde mantém uma coleção particular, que começou na década de 1960. Sua coleção, que inclui telas viscerais de Antonio Dias dos anos 1960, é considerada uma das mais importantes do século XX no país.

Pioneiro no mercado da arte no país, o marchand começou a comprar obras e chegou a abrir uma galeria, a Relevo (fechada em 1969). Na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Duvivier, o espaço investiu em artistas que já tinham galeria, adquirindo obras de Alfredo Volpi, Di Cavalcanti, Pancetti e Guignard, mas também apostou nos novos nomes de então, como Antonio Dias, Rubens Gerchman e Wanda Pimentel.

A galeria foi cenário de importantes exposições, como a coletiva da Escola de Paris, em 1964, que mais tarde deu origem à histórica mostra “Opinião 65”, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio.

Colecionador e marchand, influenciou os mais importantes colecionadores do país, como Sérgio Fadel, Luiz Antonio de Almeida Braga e Gilberto Chateaubriand — este, lembram os amigos, costuma dizer que Boghici é “pai” de sua coleção.

O apartamento duplex na Rua Barata Ribeiro, onde o colecionador vive com a mulher, Geneviève, guardava os tesouros de seu acervo, que também ocupa parte da galeria que leva seu nome, em Ipanema. Seu acervo de pinturas internacionais também tem nomes de destaque, como Lucio Fontana e Modigliani. Ele possui ainda móbiles de Alexander Calder e obras de Rodin.

Museu no porto

Organizador da exposição inaugural do Museu de Arte do Rio, o MAR, na Zona Portuária, Leonel Kaz usaria 180 obras da coleção de Boghici para preencher o terceiro andar da instituição, cuja inauguração está prevista para setembro. Um catálogo com 250 páginas e imagens do acervo do colecionador será publicado pela editora Aprazível na ocasião da mostra.

"É uma realidade dramática, mas posso afirmar: se esse incêndio tiver grandes proporções, a arte brasileira terá sofrido golpe tão ou maior do que aquele vivido no incêndio do MAM", diz Leonel Kaz, referindo-se ao acidente no museu carioca nos anos 1970, que deteriorou boa parte do acervo da instituição.

Boghici namorou Lygia Clark, e, em textos, ela chegou a mencionar que ele foi quem deu a ideia de usar dobradiças em seus célebres “bichos”. Foram elas que fizeram as obras serem maleáveis. Nascido na Romênia em 1928, Boghici, que estudou engenharia, mudou-se para Paris, onde dividiu apartamento com o secretário do escultor romeno Constantin Brancusi, outro expoente da história da arte.

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