Os Beatles psicodélicos

Trs cidados instigados assumem a fase psicodlica, ps 1966, do quarteto ingls no projeto The Mockers

Integrantes do grupo Cidadão Instigado, do Recife, Rian Batista (baixo e voz), Regis Damasceno (guitarra e voz) e Clayton Martin (bateria) sempre tocavam algumas canções dos Beatles nas passagens de som. Resolveram, então, encarnar o quarteto de Liverpool no projeto The Mockers. O nome é inspirado em Ringo Starr que, ao ser perguntado se os Beatles eram "mods" ou "rockers", respondeu: "somos mockers".

Ao contrário das inúmeras bandas covers dos Beatles, o power trio não adota terninhos e vão muito além do iê-iê-iê, interpretando, com vigor, clássicos como Eleanor Rigby, Savoy Truffle, Taxman, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, a belíssima A Day in the Life, entre outros. Como diz Regis: “não fazemos cover”. Preferem falar que fazem um tributo à banda mais famosa que Jesus Cristo, com boa dose de personalidade.

Neste fim de semana, eles realizeram dois shows na choperia do Sesc Pompéia, em São Paulo. O primeiro, na sexta-feira, teve participações especiais do guitarrista canhoto Edgard Scandurra (ex-Ira) e da cantora paulista Juliana R. No sábado, foi a vez dos gauchos Beto Bruno (vocal) e Pedro Pelotas (teclado), da banda de rock porto alegrense Cachorro Grande. Foi neste segundo que a reportagem do 247 esteve presente e pode notar que os dois deram um molho paradoxalmente delicado e agressivo à segunda metade da apresentação. Explicação: Pedro assumiu um piano de meia-calda em Honey Pie e seguiu no restante do show, adornando a cama feita pelo grupo à voz rouca e desesperada de Beto, que assumiu as próximas músicas, destacando Yer Blues e Helter Skelter.

Um hábito dos Mockers é abrir os shows com o baixista atacando em inglês o prólogo de Two of Us, do álbum Let it be. No repertório, seguem 21 canções, entre as quais, as menos conhecidas e obscuras Blue Jay Away, She Said, She Said e The Sun King.

Os arranjos originais são mantidos à risca. Da platéia, você se pergunta de onde vem o som do mellotron – teclado eletromecânico polifônico usado por Paul – quando começa Strawberry fields forever (confira vídeo). Em instantes, percebe que trata-se da guitarra precisa de Regis que usa uma espécie de sampler no captador ligado a um pedal para gerar o efeito. O mesmo se repete em I am the Walrus e Eleanor Rigby. No baixo, Rian recupera o timbre idêntico ao Hofner de Paul e Clayton repete com destreza as batidas minimalistas de Ringo Starr.

A originalidade do trio vai além se for percebido que o repertório leva somente títulos que nunca foram tocados ao vivo pelo grupo inglês, lembrando que o último show dos Beatles foi realizado em agosto de 1966, pouco depois do lançamento de Revolver. Depois disso, a banda nunca mais se apresentou em público. Exceto pela aparição curta no terraço da Apple Records, em 1969, que ficou eternizada no clipe de Get Back.

O que The Mockers faz não é fácil. Tocar em trio canções da fase em que os Beatles desistiram das turnês para viajar na ideia de fazer barulho com tudo quanto fosse possível, trancados no estúdio da Abbey Road. Um dos fatores - além do cansaço do assédio desvairado dos fãs - que levaram a banda a não tocar mais ao vivo, era a impossibilidade de reproduzir tantas invenções no palco.

Estas são só algumas razões que convidam a conhecer os The Mockers e tentar imaginar como seriam aquelas canções se fossem tocadas ao vivo pelos gênios que as criaram.

 

 

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