Roberto Justus, o Carnaval e a síndrome do pavão

Publicitrio renomado, Roberto Justus administra a conta da Pantene, da Procter Gamble, que patrocinou a Rosas de Ouro e que, por sua vez, homenageou Roberto Justus; mas quando um jornalista quis saber se a homenagem era comprada, Justus despejou sua ira; afinal, por qu?

Roberto Justus, o Carnaval e a síndrome do pavão
Roberto Justus, o Carnaval e a síndrome do pavão (Foto: DANIEL TEIXEIRA/Agência Estado)

247 – O que é o Carnaval, senão uma exaltação ao narcisismo, transformada em espetáculo pela força do big business? Onde destaques, passistas, famosos e aspirantes a celebridades desfilam suas curvas e sua alegria de viver, diante de uma multidão sempre pronta a aplaudir. Sharon Stone está num camarote, Michel Teló canta “Ai, se eu te pego” vinte vezes por noite e bundudas, como a panicat Jaqueline Khoury, declaram que sempre tiveram um caso de amor com o samba. Embora 74% dos brasileiros prefiram tirar os dias de Carnaval para descansar, ninguém escapa da overdose insana de “bumbum baticumbum prugurundum”. A festa pagã e egomaníaca invade todos os espaços. E é também o momento ideal para que os homens de sucesso, os grandes vencedores da sociedade, sejam admirados pela multidão.

Antigamente, as homenagens prestadas pelas escolas de samba eram póstumas, até por uma questão de compostura. Hoje, são feitas em vida, porque os desfiles são cada vez mais caros e demandam patrocínios de governos, estatais e empresas privadas. É uma lógica perversa, que transforma uma festa popular em negócio. E, de todos os desfiles, nenhum foi mais emblemático do que o da escola Rosas de Ouro, de São Paulo. Patrocinada pela Pantene, uma das marcas da Procter & Gamble, a escola homenageou o publicitário Roberto Justus. A conta da Pantene, por sua vez, é administrada pelo grupo de agências de publicidade Newcomm, que pertence a quem? Ao próprio Justus. Foi assim que um dos nossos grandes vencedores pôde se iludir e se inebriar com a “homenagem” que o povo lhe prestou. O único passo fora do compasso se deu quando um jornalista lhe perguntou se o enredo foi comprado. “Você pediu que fosse homenageado na Rosas?”, perguntou o jornalista. Furioso, o publicitário respondeu. “Você está louco? Eu pedir uma homenagem?”

Justus é, sem sombra de dúvida, um gênio da publicidade. Conhece os anseios dos consumidores e, como poucos, domina a arte da venda. Tanto que sua agência é uma das maiores do Brasil, administrando contas de empresas como Casas Bahia, Vivo, Telefônica, Danone e Procter & Gamble. Ele cria valor para seus clientes porque sabe vender produtos. No entanto, o publicitário tem falhado na venda do produto que mais admira: ele próprio. Justus já tentou ser cantor, apresentador de TV e, desta vez, destaque de escola de samba. A seu favor, ao menos é possível exaltar a coragem de expor a própria vaidade em público. Afinal, ele é apenas um dos milhares de personagens do Carnaval, mais ou menos famosos, que usam a festa para expor a sua síndrome do pavão. Uma gente que parece gritar a plenos pulmões: “Eu me amo, eu me amo, eu amo, não posso mais viver sem mim”.

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