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Cultura

Sem graça

O Stand Up Comedy é prática antiga, divertida, contundente, mas como tudo que se perde no excesso, decaiu muito, tanto no Brasil como em outros países

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O humor nacional está acabando com a Graça. Rafinha Bastos, Danilo Gentili e tutti quanti, entre milhares de exemplos, se servem das desgraças alheias para fazer rir uma plateia que gargalha com humilhações impostas ao semelhante. A necessidade de dar risada virou desespero para uma classe média embrutecida, uma juventude preconceituosa, uma gente ignorante, que a cada gargalhada compactua com a desumanidade e a falta de ética.

O Stand Up Comedy é prática antiga, divertida, contundente, mas como tudo que se perde no excesso, decaiu muito, tanto no Brasil como em outros países. Entre nós, o oportunismo, a vulgaridade e o desrespeito são a lei. Assim também programas de TV como Pânico e CQC – que, dentro dos limites, conseguiam algumas boas tiradas – acabaram indo longe demais. A graça vai se perdendo, o constrangimento ocupa seu lugar e a liberdade de expressão acaba confundida com a falta de responsabilidade com o que se diz.

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Cada jovem um pouco mais exibido, que se destaca na turma, entre os colegas de sala de aula, é um candidato em potencial ao filão do humor. A medir pelas altas somas que rolam nas exibições por todo o país, ser “engraçado” é bom negócio. Basta um vídeo caseiro no YouTube para que um moleque se torne “humorista”, posição antes ocupada por profundos atores, formados, estudiosos da comédia e de suas modalidades. A internet encurtou alguns caminhos na comunicação, mas também na formação vocacional, principalmente artística, de jovens que confundem comédia com a espontaneidade de suas idiossincrasias.

Quando se é adolescente é comum rirmos do outro como se quiséssemos exorcizar em nós aquilo que mais tememos. Se as atenções estão voltadas para o vexame alheio, estamos livres de sermos vistos em nossas deformidades. Mas elas aparecem quando, cada vez mais, rimos do que é indevido, desrespeitoso, criminoso. Que o idiota fale, é compreensível, já que ele é ele, porém, segui-lo é uma vergonha. Denunciar tais abusos é dever.

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Assusta o fato de artistas medíocres terem público tão grande. Lotam teatros com plateias que vão dos moços que riem antes da piada aos idosos recalcados, em puberdade que teima passar, passando por aqueles que fazem qualquer coisa para esquecer suas vidas. Reafirmo: mais preocupante do que um sem noção proferir pérola de seu caráter distorcido, é constatar o tamanho da influência que tal beócio exerce sobre tantos seguidores.

Tudo sempre converge para a condição risível da educação no país. Toda e qualquer atividade não pode se desviar do intuito de beneficiar, despertar, incentivar e amar ao próximo. Precisamos aprender a nos responsabilizar pelos outros, por aquilo que não foi nós que fizemos ou dissemos. “Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros”, escreveu Dostoiévski. Devemos ser responsáveis pelas perseguições que sofremos, sob pena de transformar a ausência de limites auto-impostos em outra lacuna, ainda maior – a falta de humanidade.

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