Seminário online sobre documentário brasileiro reúne 24 cineastas

Com o tema Clássicos e Novos Clássicos, o na Real_Virtual acontece em novembro e está com inscrições abertas

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247 - O Seminário NA REAL_VIRTUAL sobre Documentário Brasileiro, um dos grandes sucessos da temporada de 2020 na internet, anuncia uma nova edição em novembro próximo. Com o tema Clássicos e Novos Clássicos, o evento vai reunir 24 cineastas de diferentes gerações para discutirem seus trabalhos e o pensar/fazer documentários no Brasil.
Serão 12 encontros entre 3 de novembro e 10 de dezembro, ambientados na plataforma Zoom. As inscrições estão abertas (aqui) até o dia 31 de outubro.

A curadoria é assinada pelo documentarista e professor Bebeto Abrantes, o crítico e pesquisador Carlos Alberto Mattos e a pesquisadora e programadora Carla Italiano. A produção é capitaneada por Kerlon Lazzari, a Associação Imaginário Digital e a Supimpa Produções. 

Nos dois módulos realizados em 2020, o NA REAL_VIRTUAL consagrou um modelo de debate ao mesmo tempo denso e informal, com alto padrão de conteúdo e muita simpatia. Previamente a cada encontro os participantes recebem bibliografia, material de apoio com textos e links de filmes sobre cada realizador. Será emitido certificado de participação para quem frequentar, no mínimo, oito encontros do seminário.

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O conceito da curadoria para esta na nova edição é estabelecer pontes entre os diretores ou diretoras de cada dupla e seus filmes. Sejam linhas de continuidade, sejam rupturas no tratamento da linguagem cinematográfica, sejam ainda apenas pequenas variações de alguns dos elementos temáticos ou da gramática audiovisual. Assim, cada encontro vai propiciar um diálogo entre dois realizadores ou realizadoras com diferentes inserções históricas no cinema brasileiro, mas com pontos de contato que favoreçam o debate e as possíveis convergências. 

A programação é a seguinte:

3 Nov 21: Silvio Tendler e Eliza Capai – Lugares da política       

5 Nov 21: Theresa Jessouroun e Cristiano Burlan – O corpo como alvo

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10 Nov 21: Marcos Pimentel e Marília Rocha – Essa gente brasileira     

12 Nov 21: Tetê Moraes e Camila Freitas – Lutas pela terra      

17 Nov 21: Geraldo Sarno e Henrique Dantas – Sociedade, religiosidade e arte popular        

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19 Nov 21: João Batista de Andrade e Toni Venturi – Cinema de compromisso

24 Nov 21: Allan Ribeiro e Letícia Simões - Intimidades                    

26 Nov 21: Eduardo Escorel e Carlos Adriano – Arquivo a dentro, arquivo a fora

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1 Dez 21: Orlando Senna e Cavi Borges – As muitas frentes do audiovisual

3 Dez 21: Sandra Kogut e Aline Motta – Artes visuais e busca em família 

8 Dez 21: Jom Tob Azulay e Ana Rieper – No coração do pop         

10 Dez 21: Jorge Bodanzky e Takumã Kuikuro – Navegando entre culturas

Sinopses dos encontros

Silvio Tendler e Eliza Capai - Lugares da política

Nessas práticas de cinema engajadas em uma transformação social, a política encontra seu lugar. Com uma filmografia de mais de 70 títulos em diferentes linguagens, Silvio desenvolveu um interesse especial por biografias históricas de caráter social. Seu clássico Jango (1984) se dedica à carreira do ex-presidente João Goulart, articulando entrevistas e um rico material de arquivo. Lançado corajosamente ao final do regime ditatorial, o filme é, em si, um acontecimento que fez história. Igualmente contundente é Espero tua (Re)volta (2019), terceiro longa da paulistana Eliza, que traz na bagagem documentários e séries de alto poder comunicativo. Narrado por três jovens que atuaram nas mobilizações estudantis em São Paulo desde 2015, é marcado pela energia pulsante de seus protagonistas no embate de discursos e imaginários. Silvio e Eliza se voltam para o passado de um país, seja ele próximo ou distante, de modo a melhor iluminar o presente.

Theresa Jessouroun e Cristiano Burlan - O corpo como alvo

Quando a violência se torna algo incomensurável, existe ação possível? Às voltas com essa pergunta de difícil resposta, eles constroem obras críticas que elucidam as bases excludentes da sociedade brasileira. Atuante desde a década de 1980, Theresa possui uma filmografia versátil na qual o corpo se coloca como objeto central, transitando por temas desde o samba até questões de gênero. Em À Queima Roupa (2014), ela aborda a violência policial no Rio de Janeiro em um arco de 20 anos, partindo da Chacina de Vigário Geral, em 1993. Já na periferia da metrópole paulista, Cristiano, que também possui uma trajetória notável na ficção e no teatro, constrói uma difícil trilogia do luto ao investigar a morte de três familiares próximos. Em Mataram Meu Irmão (2013), o assassinato do irmão mais novo revela um ciclo estatal de abandonos e brutalidades, ligando o indivíduo à tragédia coletiva.

Eduardo Escorel e Carlos Adriano – Arquivo a dentro, arquivo a fora

Eduardo e Carlos sabem que as imagens de arquivo nunca se calam totalmente. Cada um à sua maneira, eles acreditam no potencial de revelação, questionamento e ressignificação que elas guardam à espera de um novo olhar. Eduardo, com sua vasta experiência de montador e diretor desde o Cinema Novo, tem realizado um desvendamento exemplar dos arquivos históricos do século XX, de que é prova, entre outros, 35: O Assalto ao Poder (2002). De sua parte, Carlos recorre à pesquisa e à poesia nos seus curtas laboriosos, que recriam fragmentos do cinema mediante um arsenal de recursos de edição e reenquadramento. No longa Santos Dumont: Pré-cineasta? (2010), ele parte de um fabuloso achado do pré-cinema para especular sobre a gênese do cinema e da aviação. O diálogo de Carlos e Eduardo tem tudo para ser um momento extraordinário.

Tetê Moraes e Camila Freitas - Lutas pela terra

Frente ao desafio de documentar as lutas por reforma agrária no país, elas compartilham uma entrega passional. Tetê, veterana diretora e educadora carioca, é detentora de uma sólida carreira no documentário, na qual se destaca a trilogia dedicada a um assentamento do MST no Rio Grande do Sul. Sua atenção volta-se para as mulheres que encabeçam essa luta diária, em especial à personagem que intitula o incontornável Terra para Rose (1987). Trinta anos depois e ecoando a mesma reivindicação por uma justa distribuição de terras, Camila realiza Chão (2019), seu primeiro longa-metragem após vários trabalhos em curta e na direção de fotografia, oferecendo uma imersão sensível no dia-a-dia de uma ocupação do MST em Goiás. Neste encontro de trajetórias coletivas que têm na questão fundiária seu ponto de convergência, o cinema se enraíza em um terreno de labor e esperança.

Geraldo Sarno e Henrique Dantas – Sociedade, religiosidade e arte popular 

Eis aqui dois baianos de fina estirpe, profundamente interessados pela expressão do povo brasileiro. Geraldo é autor de filmes memoráveis como Viramundo (1964), Cantoria (1970) e Jornal do Sertão (1970), mantendo-se em diversificada atividade no cinema há 56 anos. Sua pesquisa estética, amparada em Dziga Vertov e Serguei Eisenstein, reverbera com frequência em todas as fases da sua filmografia. Já Henrique se dedica tanto ao universo da música baiana, como no recente Dorivando Saravá – O Preto que Virou Mar (2019), no qual investigou a espiritualidade em Dorival Caymmi, quanto ao mundo do cinema, da política e da imaginação infantil. Em que pese fazerem um cinema documental bastante diferenciado entre si, Geraldo e Henrique representam duas gerações afinadas no desejo de pensar a fundo o país em seus aspectos sociais, religiosos e artísticos.

João Batista de Andrade e Toni Venturi – Cinema de compromisso

Eles têm estado juntos nas batalhas pela construção do cinema paulista, assim como na consciência do papel social que o cinema pode desempenhar. João Batista começou a fazer filmes nos anos 1960 e assinou diversos clássicos no cinema e na televisão. Vlado – 30 Anos Depois (2005) é apenas um exemplo do seu trabalho voltado para a expressão popular, as lutas políticas e a história brasileira. Toni estreou no longa-metragem em 1997 com O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes (1997), premiado numa das primeiras edições do Festival É Tudo Verdade. Seus documentários seguintes transitaram com êxito por questões como o movimento dos sem-teto, o ensino progressista e o racismo estrutural brasileiro. São duas gerações que se identificam pela dedicação às boas causas e á busca de novos formatos no cinema do real.

Allan Ribeiro e Letícia Simões - Intimidades

No universo do documentário pessoal, eles transformam as armadilhas da intimidade em força de criação artística. Os filmes do carioca Allan, que há duas décadas trabalha como diretor, roteirista e montador, são frutos de parcerias com personagens extraordinariamente comuns, mediadas por uma câmera afetiva que ressignifica os gestos e falas cotidianos. Nessa chave, seu primeiro longa, Esse Amor que nos Consome (2012), acompanha os movimentos de um grupo de dança em um casarão abandonado no Rio. Já a soteropolitana Letícia Simões elabora outra ideia de doméstico em seu quarto longa, Casa (2019). Ela mergulha na difícil relação entre três gerações de mulheres da mesma família: a cineasta, sua mãe e sua avó, construindo uma rede de espelhamentos que ecoam em sua filmografia. Em ambos, algo de si se revela nesse olhar lançado para os outros, fazendo emergir uma outra forma de liberdade.

Marcos Pimentel e Marília Rocha – Essa gente brasileira

Sonhos e desejos da gente comum brasileira colorem alguns filmes de Marcos e Marília. Depois de uma fase em que cultivou o não verbal, com ensaios mais voltados para a sensorialidade audiovisual urbana, Marcos passou à observação meticulosa e paciente de lugares e pessoas para capturar momentos-síntese e rotinas sugestivas no campo e na cidade. Assim é A Parte do Mundo que me Pertence (2017), olhar terno sobre moradores de bairros humildes de Belo Horizonte. Por seu turno, Marília, em A Falta que me Faz (2009), investe na interação entre quatro jovens de Diamantina (MG), com inquietações típicas do limiar da mocidade. Esse filme é exemplar do trabalho de uma realizadora sensível às relações de amizade e família, temática que, no seu caso, se estende do documentário à ficção.

Orlando Senna e Cavi Borges – As muitas frentes do audiovisual

Cada um no seu tempo e no seu modus operandi, Orlando e Cavi se aproximam pela multiplicidade de suas atuações no audiovisual. Orlando é diretor, roteirista, professor e ex-gestor com larga experiência em todos esses campos. Cavi é cineasta, produtor, distribuidor, professor e agitador cultural de forte presença na cena dos últimos 20 anos. Como um dos grandes desbravadores do terreno comum à ficção e ao documentário no Brasil, em Diamante Bruto (1977) Orlando partiu da literatura para tratar do culto à celebridade e explorar os diálogos entre o real e a fabulação. Cavi, por sua vez, apesar de em seus últimos filmes ter adentrado firme o terreno da ficção, tem o documentário como veículo de reflexão sobre o próprio fazer cinematográfico. Rosemberg – Cinema, Colagem e Afetos (2015) exemplifica o carinho que ele vem dedicando aos mestres do cinema brasileiro.

Sandra Kogut e Aline Motta - Artes visuais e busca em família

Sandra começou nos anos 1980 com o suporte em vídeo, passando por obras experimentais, seriadas e televisivas que investigam questões como a relação entre indivíduo, espaço público e nacionalidade. Seu primeiro longa, Um Passaporte Húngaro (2011), tem como mote a história de exílio de seus avós e o burocrático processo de emissão de um passaporte para iniciar uma busca que explicita fronteiras simbólicas e concretas. Já a artista e fotógrafa Aline convoca outra ideia de pertencimento associada a uma perspectiva afro-diaspórica, revelando outras corporalidades ao criar uma ponte entre Brasil e o continente africano. Na trilogia de curtas Pontes sobre Abismos, Se o Mar Tivesse Varandas e (Outros) Fundamentos (2017-2019), ela combina técnicas e práticas em uma jornada por suas raízes comuns, desenhando memórias familiares e coletivas.

Jom Tob Azulay e Ana Rieper – No coração do pop

A música popular brasileira faz uma ponte entre os trabalhos de Jom Tob e Ana. O primeiro é um pioneiro na captação da pulsação do rock e do Tropicalismo no Brasil. O registro de festivais e turnês, ainda nos anos 1970, lançou o nome desse ex-diplomata como uma referência no circuito. Em Corações a Mil (1983), Jom Tob experimentou inserir uma história de ficção noregistro documental de uma turnê de Gilberto Gil. Mistura pop por excelência. De sua parte, Ana vem construindo uma carreira ligada à música popular. Vou Rifar meu Coração (2011) faz uma crônica do amor da gente simples brasileira cantado na música romântica (chamada brega) ou inspirado por ela. Das grandes cidades às periferias e ao sertão, a música e o documentário se unem na obra desses dois para compor um retrato afetivo do país.

Jorge Bodanzky e Takumã Kuikuro - Navegando entre culturas

Cada um a seu modo, eles filmam o choque entre diferentes culturas, no trânsito entre a encenação performática e o registro documental. Trabalhando de forma pioneira no limiar entre ficção e documentário desde os anos 1970, Bodanzky, em  Terceiro Milênio (1981), embarca em uma viagem pela Amazônia através da lente de um senador populista que personifica os absurdos de um país que nega a si próprio. O filme escancara o encontro violento entre pensamento desenvolvimentista e os direitos das populações originárias. Partindo de outra visão de mundo, Takumã, cineasta do Alto Xingu com filmes voltados à preservação da cultura Kuikuro e à investigação do universo dos "brancos" a partir de uma perspectiva indígena, codirige As Hiper Mulheres (2011). O longa põe em cena um impressionante ritual protagonizado pelas mulheres da aldeia cujos cantos carregam as memórias de toda a comunidade.

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