Trotskistas se reúnem em ato que lembra 40 anos de fundação

A Organização Sociali­sta Internaciona­lista, em 1º de maio de 1978, dia internacional dos traba­lhadores, lançou, em um ato em Osasco (SP), o jornal ‘O Traba­lho’, cujo primeiro editor foi o jornalista e escritor Paulo Mo­rei­ra Leite. "Valeu a pena, sem dúvida, contribuir para esse passo histórico dos trabalhadores brasileiros que nunca tinham tido um partido próprio, nessa escala", conta o economista Markus Sokol, membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores, ao jornalista Renato Dias

A Organização Sociali­sta Internaciona­lista, em 1º de maio de 1978, dia internacional dos traba­lhadores, lançou, em um ato em Osasco (SP), o jornal ‘O Traba­lho’, cujo primeiro editor foi o jornalista e escritor Paulo Mo­rei­ra Leite. "Valeu a pena, sem dúvida, contribuir para esse passo histórico dos trabalhadores brasileiros que nunca tinham tido um partido próprio, nessa escala", conta o economista Markus Sokol, membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores, ao jornalista Renato Dias
A Organização Sociali­sta Internaciona­lista, em 1º de maio de 1978, dia internacional dos traba­lhadores, lançou, em um ato em Osasco (SP), o jornal ‘O Traba­lho’, cujo primeiro editor foi o jornalista e escritor Paulo Mo­rei­ra Leite. "Valeu a pena, sem dúvida, contribuir para esse passo histórico dos trabalhadores brasileiros que nunca tinham tido um partido próprio, nessa escala", conta o economista Markus Sokol, membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores, ao jornalista Renato Dias (Foto: Gisele Federicce)

Por Renato Dias, para o 247

Novembro de 1976, Praia Grande, São Paulo. Sob o tempo nublado da ditadura civil e militar, que havia executado, a sangue frio, no mesmo ano, o operário Manuel Fiel Filho, trotskistas se reúnem a portas fechadas, clandestinamente, para construir uma nova organização marxista revolucionária.

Produto da união de quatro grupos: a Fração Bolche­vi­que-Trotskista, a Organização de Mobilização Operária e o Grupo Ou­tu­­bro. Eles haviam criado, antes, a Organização Marxista Brasi­lei­ra. Em 1976, ocorre a fusão da OMB com a Organi­zação Comu­nis­ta 1º de Maio: surge, então, a Organização Sociali­sta Internaciona­lista.

Um processo difícil, com parte dos quadros exilados, outros presos, conduzido sob a égide do então Comitê de Organi­zação pela Reconstrução da 4ª Internacional, informa com exclu­si­vi­dade ao Diário da Manhã o economista Markus Sokol, de São Paulo, membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores.

A OSI, em 1º de maio de 1978, dia internacional dos traba­lhadores, lança, em um ato, em Osasco [SP], o jornal ‘O Traba­lho’. O seu primeiro editor foi o jornalista e escritor Paulo Mo­rei­ra Leite. Que depois teve passagens pelos grandes conglo­merados de comunicação, como ‘O Estado de S. Paulo’ e ‘Época’.

Soldados de Liev Davidovich Brontein, ‘nom de guerre’ Leon Trotsky, líder da revolução russa de outubro de 1917, que completou centenário em 7 de novembro de 2017, eles têm encontro marcado nesta sexta-feira, 18 de novembro, no Sindicato dos Engenheiros, em São Paulo [SP], para ato político.

- 40 anos da corrente ‘O Trabalho’!

‘Abaixo a ditadura’ e ‘Nem Arena, nem MDB, voto nulo por um Partido Operário’: essas eram as palavras de ordem, em 1976, levantadas pela OSI, que a partir de 1º de maio de 1978 seria identificada nos movimentos operário, estudantil e socialista como ‘O Trabalho’. É o que relata, emocionado, Markus Sokol.

- Ao lado da luta por sindicatos e uma central sindical independente, pela reconstrução da UNE!

Os trotskistas de O Trabalho participaram da conferência do Colégio Sion, em 10 de fevereiro de 1980, que fundou o PT. Depois de um debate interno, superando uma hesitação, a OSI, desde agosto de 1980, se engajou a fundo na construção das estruturas do partido e na campanha pela legalização do PT, diz.

- Com as visitas porta a porta, formação de núcleos de base, primeiro, e diretórios depois.

Balanço histórico

Valeu a pena, sem dúvida, contribuir para esse passo histórico dos trabalhadores brasileiros que nunca tinham tido um partido próprio, nessa escala, relata Markus Sokol. Um ponto de apoio para o surgimento da CUT e de organizações populares, com uma série de conquistas nacionais, explica ele.

- A começar pela derrubada da ditadura civil e militar.

Com a crise de 2014, 2015 e 2016, o golpe que depôs Dilma Rousseff e a caçada a Luiz Inácio Lula da Silva, além da grave derrota do PT nas urnas em outubro último, Markus Sokol propôs a renúncia da direção executiva do PT Nacional. Com a designação de uma executiva de transição provisória, observa.

- Com mandato para preparar um Congresso Extraordinário e renovar a direção. Era a melhor sinalização para fora e para dentro, reconhecendo os erros – na minha opinião, a conciliação de classes e a adaptação às instituições corruptas herdadas - e mostrando disposição de debater a sua superação.

Para a reconstrução do PT, propus na última reunião do DN um apelo à militância para a realização de um congresso extraordinário baseado na volta dos encontros locais e com a eleição de delegados e diretórios. Infelizmente, foi adotado um espécie de PED (eleição em urna) mitigado, lamenta, indignado.

- Um produto da adaptação ás instituições corruptas e fonte viciada de deformação do partido, como o abuso do poder econômico.

Frente Ampla

A proposta de formação de uma Frente Ampla, aos moldes do Uruguai, no Brasil, a ser puxada pelo PT, defendida por Luiz Inácio Lula da Silva, não lhe entusiasma. A tarefa da hora é a reconstrução do PT, atira. Depois, podemos e devemos buscar a melhor política de alianças eleitorais, sublinha o trotskista.

- O que exclui o nefasto “acordo nacional com o PMDB” e similares.

Apesar disso, o Brasil é muito diferente do Uruguai para es­con­dermos a estrela do PT, momentaneamente atingida, numa fren­te permanente, fuzila. “A Frente Ampla que, como se sabe, não abarca organizações populares, apenas partidos. No nosso ca­so, integrá-las leva ao risco de atrelar e matar sua independência.”

 - Aliás, foi com essa divisa que o PT foi fundado, o respeito à autonomia, e assim deve ser reconstruído.

Socialismo

É possível derrotar o capitalismo e começar a construção do socialismo, crê o economista, após lembrar os 99 anos da Revo­lução Russa, ocorrido em 7 de novembro. Com todos os proble­mas – a começar da degeneração stalinista depois – fica essa li­ção da história para as novas gerações estudarmos e aprendermos, frisa.

A defesa da independência política dos trabalhadores orga­ni­zados em partido próprio para, através de uma política ousada de frente, antiimperialista em nosso caso, liderar a nação oprimida para um futuro de progresso, justiça social e soberania nacional. Esse seria, hoje, o legado de Leon Trotsky, metralha.

Cronologia dos fatos

1917
Revolução russa de outubro ou 7 de novembro

1927
Leon Trotsky é expulso do Partido Comunista Soviético

1933
Ascensão de Hitler. Trotsky declara morta IIIª Internacional

1938
Leon Trotsky funda a Quarta Internacional, na França

1939
Início da Segunda Guerra Mundial. Polônia invadida

1940
É assassinado, no México, Leon Trotsky

1976
Surge a Organização Socialista Internacionalista

1978
É lançado, em primeiro de maio, o jornal O Trabalho

1980
A OSI se engaja no projeto de construção do PT

1987
Racha divide a Fração Quarta Internacional, OT

1989
Queda do Muro de Berlim atinge os seguidores de Stálin

2016
40 anos, em novembro, da fundação da OSI - Trotskista

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247