Zuza Homem de Mello foi o maior pesquisador musical do País

Jornalista e pesquisador musical, Zuza Homem de Mello, que faleceu neste domingo (4), chegou a cursar engenharia mas, incentivado pela mãe, resolver estudar música e aprimorar-se como contrabixista na Juilliard School, em Nova York (EUA). Também produtor de vários shows e de discos de artistas como Elis Regina e Milton Nascimento

Zuza Homem de Mello
Zuza Homem de Mello (Foto: Divulgação)
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Por Fabio M Michel, da RBA - O escritor, jornalista e contrabaixista, José Eduardo Homem de Mello, mais conhecido como Zuza, morreu nesse domingo (4), enquanto dormia em seu apartamento, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Considerado o maior pesquisador de música do país, ele tinha 87 anos de idade. Segundo a família, a causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio.

Zuza, que nasceu em São Paulo, em 1933, chegou a cursar engenharia mas, incentivado pela mãe, resolver estudar música e aprimorar-se como contrabixista na Juilliard School, em Nova York, nos anos 1950. Em seu retorno ao Brasil, começou a trabalhar na TV Record como técnico de som em programas como “O Fino da Bossa”, “Jovem Guarda” e “Bossaudade”. Foi diretor de festivais como “O Fino da Música” e o “Festival de Verão do Guarujá”, além de apresentador do programa “Jazz Brasil”, na TV Cultura.

Entre 1977 e 1988 produziu e apresentou o Programa do Zuza, na Rádio Jovem Pan AM, e fez crítica de música popular para O Estado de S. Paulo, atuando desde então como diretor artístico de shows e festivais de jazz e produtor de discos. É autor, entre outros, dos livros Música Popular Brasileira Cantada e Contada (Melhoramentos, 1976), A Canção no Tempo, em coautoria com Jairo Severiano (Editora 34, 1997 e 1998), João Gilberto (Publifolha, 2001), A Era dos Festivais (Editora 34, 2003), Música nas Veias (Editora 34, 2007) e Música com Z (Editora 34, 2014, vencedor do Prêmio APCA).

Foi também produtor de vários shows e de discos de artistas como Elis Regina e Milton Nascimento. O paulistano se dedicou a identificar gêneros e repertórios que se mantivessem relevantes ao longo do tempo. “O que você chama de qualidade, eu troco pela palavra perenidade (…) A música que vai permanecer daqui pra frente, daqui a dez anos, é o que me interessa. Para mim, o que conta é aquilo que vai vingar para sempre”, dizia.

A história de Zuza e sua importância no cenário cultural do país são mostradas no documentário de Janaína Dalri, Zuza Homem de Jazz, de 2018. O longa resgata também o período em que morou nos EUA, quando compareceu a shows de Duke Ellington, Ella Fitzgerald e Billie Holliday, entre outros grandes nomes do jazz à época.

O portal Uol reproduziu, sem citar a época, declaração de Caetano Veloso sobre o pesquisador: “Zuza é das grandes figuras do meu Brasil. Eu o visitava em Sampa pra conversar e ouvir música, e ele me mostrava tudo. É um conhecedor da música, apaixonado por jazz e íntimo da MPB. E que homem elegante, educado, civilizado!”

Na última terça-feira (29), Zuza havia finalizado uma biografia sobre o compositor, cantor, violinista e ícone da Bossa Nova, João Gilberto.

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