Acordos comerciais
Amarrado ao Mercosul, que gradativamente perde espaço político e unidade econômica para outras formas de acordos, é que nossa política externa se degringola
Fruto de uma integração econômica mais forte, apoiada na evolução das relações comerciais e no uso das tecnologias da informação que romperam as barreiras geográficas imprimindo agora uma faceta monetária no direcionamento diplomático, é que encontramos nossa política externa numa situação incomum, principalmente quando comparada às novas relações comerciais do Brasil com o resto do mundo.
Apoiado em uma política míope de barreiras alfandegárias e protecionismo que travam o desenvolvimento industrial nacional, priorizando um parque obsoleto em detrimento da busca de competitividade e melhorias produtivas, o governo brasileiro acabou por se isolar de forma preocupante ao que se refere à construção de acordos comerciais e expansão de mercados estrangeiros.
O fato é que perdemos terreno para diversos países, inclusive em campos de commodities e troca de tecnologia, fatores importantes para a manutenção do nosso ritmo de crescimento econômico.
Amarrado ao Mercosul, que gradativamente perde espaço político e unidade econômica para outras formas de acordos, é que nossa política externa se degringola. Limitada a um número inexpressivo de novas ações, reduzimos nossas potencialidades a acordos pontuais, ligados muito dramaticamente a arroubos políticos do que propriamente a lógica econômica de beneficio industrial e comercial do Brasil.
Daí talvez a nossa necessidade de pesar a mão em aumentos alfandegários que tentam barrar de todo modo à entrada de produtos importados e desarticulam as potenciais trocas de know how entre produtores nacionais e estrangeiros.
Isolado comercialmente desde os devaneios de uma política diplomática primária de Lula, o governo brasileiro não conseguiu imprimir em seus acordos comerciais a mesma velocidade com que o giro da economia mundial aferiu, perdendo espaço para países com menor expressão econômica, como o Chile, por exemplo.
Esta lacuna deixada pela diplomacia brasileira e sua estratégia de comércio exterior chamou a atenção em momento em que temos péssimos resultados na balança comercial e o surgimento de conversas entre EUA e Europa na construção de um acordo comercial livre.
Significa por assim dizer que, mesmo tomados por diversos percalços em suas economias, a maioria dos países buscou aumentar as relações de parcerias comerciais através de novos acordos e tratados, tentando uma via de mão dupla para solucionar os problemas internos, acessando outros mercados e abrindo suas localidades para a interação comercial entre as partes.
A expansão das zonas de comercio amplia os mercados potenciais, reduzem as diferenças e tentam impulsionar o mercado local através da concorrência e a busca por melhores práticas. Neste jogo comercial, ganham-se os exportadores, os importadores e toda a sociedade ali envolvida, uma vez que os produtores nacionais defenderão sua produção através da busca incessante de aprimoramento produtivo e não haverá uma reserva de mercado capaz de acomodar o espírito empreendedor do empresário.
Enfim, precisamos aprimorar nossos movimentos comerciais para enfrentar os desafios competitivos, rompendo nossas fronteiras e buscando novos espaços para que nossos produtos ganhem terreno.
