Agnelli e Esteves, do BTG, atacam Vale na África

Em 2010, como presidente da Vale, Roger Agnelli levou a companhia a comprar, por US$ 2,5 bi, participação na mina de Simandou, na Guiné; agora, associado a André Esteves, ele age para atravessar o negócio, pagando gorda comissão e assistindo ao governo local destruir as instalações da Vale e matar habitantes da região da mina

Agnelli e Esteves, do BTG, atacam Vale na África
Agnelli e Esteves, do BTG, atacam Vale na África (Foto: Edição 247)
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247 – Em 2010, penúltimo ano de sua gestão na presidência da Vale, Roger Agnelli levou a companhia a fechar um negócio de US$ 2, 5 bilhões – e de alto risco. Por aquele valor, com US$ 500 milhões adiantados, a companhia comprou do israelense Beny Stenmetz 51% da parte dele na considerada maior e melhor mina de minério de ferro ainda inexplorada do mundo, o Complexo de Simandou, na Guiné. Agora, menos de dois anos depois, o mesmo Agnelli volta a agir sobre Simandou, mas desta vez para, na prática, atravessar o negócio da Vale. Oferecendo-se, por meio do banco BTG Pactual, do carioca André Esteves, e da joint venture que eles anunciaram com pompa e circunstância, meses atrás, a B&A, Agnelli está a um passo de se tornar sócio do governo da Guiné no Complexo de Simandou, reduzir, com isso, a presença da mineradora na região e, em fechamento, ficar com a parte do leão.

A ação coordenada tem, ainda, um objetivo maior: a compra da própria Vale pela B&A, a empresa de mineração que Agnelli e Esteves montaram juntos. O enfraquecimento da Vale no exterior ajuda em tudo os planos da dupla, uma vez que os problemas podem ter reflexo no preço das ações e, assim, tornar a companha mais barata e vulnerável a ofertas hostis. Esse movimento de compra é um velho sonho de Esteves, que já procurou ajudar o empresário Eike Batista nesta direção. Em Roger Agnelli, encontrou o parceiro ideal.

Como é do seu estilo, o BTG Pactual joga pesado para conseguir o que quer. Por escrito, documento do banco obtido pela revista Exame indica o interesse total de a instituição de Esteves prestar "consultoria financeira ao governo da República da Guiné, para agir como seu consultor exclusivo com um potencial aporte de capital". Além disso, é especialmente importante o parágrafo em que o BTG Pactual se compromete a fazer "o pagamento de honorários condicionais, a ser pagos se a transação for formalizada, de um valor equivalente a 2,5% do montante da transação". Em resumo, pagamento de uma gorda comissão para quem ajudar ao BTG Pactual e à B&A a tomar sua parte de Simandou, cujas reservas de minério de ferro são estimadas em 5,5 bilhões de toneladas.

Não por coincidência, após o envio do documento pela sede do banco em São Paulo ao governo da Guiné, o filho de Alpha Condé, presidente do país africano, – de resto, um dos mais pobres do continente --, Mohamed Condé desembarcou na capital paulista carregando a tiracolo o ministro das Minas do país governado por seu pai. Mohamed está fazendo de tudo para ser o grande beneficiário da gorda comissão prometida pelo BTG Pactual de Esteves.

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Enquanto Agnelli e Esteves atuam nos ambientes acarpetados e climatizados das altas finanças, na selva da Guiné o governo do país faz sua parte para infernizar, por outro ângulo, a vida da Vale. Soldados tem sido enviados nos últimos tempos à região para impedir os trabalhos iniciais em torno da mina.O acampamento da Vale foi destruído, documentos foram roubados. Seis civis morreram vítimas de tiros disparados por soldados da Guiné. O recado está claro: a Vale que Agnelli instalou lá deve sair do lugar, e com o apoio, agora, do próprio Agnelli e seu novo sócio Esteves. Os ataques especulativo e militar acontecem num momento delicado para a empresa. Penalizada pelo declínio do preço do minério de ferro no mercado internacional, a Vale já perdeu um terço de seu valor de mercado desde 2010, chegando agora a R$ 183 bilhões, depois de estar valendo R$ 275 bilhões.

Num movimento inicial, o presidente da Guiné fechou contratos de consultoria com o megainvestidor George Soros e o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, para mudar todas regras do setor de mineração vigentes até então. Agora, pelo novo código, o governo da Guiné terá direito a participação de 15% em todos os projetos de exploração mineral, e opção preferencial de compra de 20%. Acuada pelos africanos e atacada por seu ex-presidente brasileiro e um banqueiro que se mostra cada vez mais agressivo, a Vale do presidente Murilo Ferreira anunciou na sexta-feira 14 estar refazendo seus planos de ocupação e retirada do minério de ferro de Simandou.

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Acostumado a contar dinheiro, Esteves, com a jogada planejada por Agnelli – seu primeiro movimento à frente da recém criada B&A –, precisará de mais cuidado: afinal, poderá encontrar entre suas mãos, a partir de agora, notas manchadas de sangue.

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