Agravamento do coronavírus leva a nova onda de corte de projeções para PIB do Brasil e do mundo
Medidas para frear o avanço da doença devem impactar o consumo globalmente, o que afeta principalmente as commodities
Do Infomoney - O abalo causado pelo coronavírus na economia global está se mostrando bem maior do que se pensava em um primeiro momento. Isso provoca uma onda de reduções nas projeções dos economistas para o crescimento da economia global.
A equipe de análise do Credit Suisse, por exemplo, entende que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial não crescerá mais 2,6% como previam antes, mas 2,2%. “A disseminação do surto no Japão, Coreia do Sul, Itália e outras economias significa quarentenas e restrições na atividade econômica fora da China”, afirmam os analistas James Sweeney, Neville Hill, Yi David Wang, Hiromichi Shirakawa e Alonso Cervera. Para eles, é provável que o PIB desses países, assim como o da zona do euro, sofra contração ao longo deste ano.
Especificamente para o Brasil, o BofA cortou sua projeção de crescimento em 2020 de 2,2% para 1,9%. Na mesma toada, o JPMorgan reduziu a estimativa de avanço do PIB brasileiro de 1,9% para 1,8%.
Os analistas Dalton Gardimam, Ricardo Mauad e Bernardo Keiserman, do Bradesco BBI, também revisaram suas projeções para o PIB brasileiro em 2020, cortando de 2,3% para 1,9%. “Clara e inegavelmente, a estimativa de 2,3% tem perspectiva negativa, mas para sermos honestos, não vemos o Brasil voltando ao nível de crescimento de 1% visto nos últimos anos mesmo após as revisões”, escreve a equipe do Bradesco.
Apesar disso, os analistas ressaltam que há boas notícias para o Brasil nesse caso. Por mais que o baque nos preços das commodities não seja algo fácil de se contornar devido à dependência brasileira da exportação desses produtos, o País está distante do epicentro da epidemia e é uma economia relativamente fechada, além de ter um clima tropical, que é menos propício para a disseminação de doenças respiratórias.
Fora isso, o turismo nunca foi tão relevante para a economia brasileira quanto para outros países que estão sendo impactados pelo coronavírus.
Na avaliação dos analistas do Bradesco, duas coisas para serem observadas de perto nos próximos dias são a evolução dos casos fora da China e as medidas iniciais do governo brasileiro para conter a proliferação do vírus conforme novos casos forem se confirmando no nosso território.
Antes mesmo da nova onda de aversão ao risco dos investidores nessa semana, diversos bancos já haviam cortado a previsão para a economia brasileira. O BNP Paribas reduziu sua previsão de crescimento do PIB 2020 de 2% para 1,5%, enquanto o Fator derrubou a projeção de 2,2% para 1,4%.
Previsão oficial
Além dos bancos e das casas de análise, o próprio Ministério da Economia deve revisar a previsão de alta do PIB até o fim da próxima semana, segundo informações do Estado de S. Paulo. Atualmente, o cenário-base de crescimento brasileiro do governo é de 2,4%.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE), Adolfo Sachsida, disse que o melhor “remédio” para enfrentar os efeitos negativos da epidemia no crescimento econômico é avançar nas reformas no Congresso.