André Brandão pode deixar a presidência do Banco do Brasil

Segundo veículos de imprensa, a mudança pode ser efetivada ainda nesta semana. Com os rumores, ações do BB registraram queda de mais de 4% nesta quarta-feira

André Brandão
André Brandão (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Infomoney - As ações do Banco do Brasil (BBAS3) passaram a registrar queda de mais de 4% na sessão desta quarta-feira (13) após a Veja informar que André Brandão, presidente do Banco do Brasil nomeado por Jair Bolsonaro em setembro do ano passado, poderia estar de saída do cargo. Às 14h39 (horário de Brasília), os ativos BBAS3 registravam perdas de 4,41%, a R$ 37,77.

O movimento de forte queda aconteceu a partir das 13h35, quando a notícia foi publicada pelo site de Veja, como pode ser observado no gráfico abaixo:

Segundo fontes ouvidas pela coluna Radar, a mudança no comando da instituição está sendo seriamente considerada pelo Planalto neste momento.

“Brandão, na situação atual, não seria exonerado. O governo — leia-se a equipe de Paulo Guedes — encontraria outra função estratégica para ele. A mudança pode ser efetivada ainda nesta semana”, afirma a nota.

Na segunda, o Banco do Brasil anunciou ter aprovado um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além de programas de desligamento, com expectativa de adesão de 5 mil funcionários. O banco estima que a implementação plena das medidas deve ocorrer durante o primeiro semestre deste ano.

A reestruturação, já esperada pelo mercado, foi vista por analistas como um grande esforço da instituição para atacar seu maior gargalo em relação aos seus pares, a ineficiência, e avançar no processo de digitalização. Contudo, para alguns deles, o movimento veio com atraso em relação a seus principais concorrentes.

A avaliação é de que, embora tenha sido elogiado por analistas do setor, o plano teria desagradado Bolsonaro, devido ao potencial desgaste político da medida, em particular pelo momento, em meio a negociações para tentar emplacar seus candidatos para a eleição na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado.

“Há uma sensação de dificuldade de implementar medidas de redução de despesas”, disse uma fonte familiarizada com o banco a par do assunto ouvida pela Reuters. Consultado, o BB informou que não comentaria rumores de mercado.

Por volta das 14h15, Andréia Sadi, do G1, também informou que Bolsonaro cogita a troca de comando no BB por não estar satisfeito com os “efeitos políticos” da gestão de Brandão.

Entre assessores do governo, a avaliação é a de que ele tem boa repercussão no mercado, mas não levou em conta o que chamam de “dimensão política” de medidas.

Ministro da Economia, Paulo Guedes gosta de Brandão e faz elogios ao perfil do presidente do banco, destaca a publicação da colunista. Assim, a equipe econômica tenta reverter a irritação do presidente, de forma a manter Brandão no cargo. “Mas admite que, desde a sua indicação, o presidente não se empolgou- mas aceitou em respeito a Guedes e [Roberto] Campos Neto”, ressalta, referindo-se também ao presidente do Banco Central, que também participou da escolha.

Segundo o Credit Suisse, se confirmada, a notícia é negativa, pois lançaria dúvidas sobre a continuação das iniciativas recentes de corte de custos, ao mesmo tempo que aumentaria o medo da interferência do governo.

Marcel Campos, analista da XP Investimentos, também destacou em nota que a notícia seria negativa. Isso porque i) Brandão sinalizou positivamente para o mercado que seu mandato seria voltado para o ganho de eficiência por meio de uma reestruturação organizacional; ii) o executivo é um veterano respeitado com mais de 30 anos de experiência em bancos privados, como Citi e HSBC, incluindo uma posição de CEO na operação local do HSBC de 2012 até sua venda para o Bradesco em 2016; e iii) pode ser visto como interferência política do governo (acionista controlador) em detrimento dos acionistas minoritários.

“No entanto, reiteramos nossa recomendação de compra e visão positiva ao banco, pois acreditamos que tal mudança não afetará os fundamentos do banco: i) um desconto de 15% ao valor patrimonial e 7 vezes a relação preço sobre lucro esperada para 2021, o que já poderia implicar em uma gestão abaixo da média; ii) defendido com uma boa carteira de crédito, menor exposição a receitas de serviços, elevados índices de liquidez e adequação de capital e tesouraria passiva; iii) digitalmente competitivo com o maior número de usuários ativos mensais de aplicativos e uma estratégia omnichannel; e iv) com vitaminas de curto prazo que poderiam aumentar os ganhos por meio de um menor custo de captação e provisões operacionais”, aponta o analista.

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