Apesar da taxa de juros, políticas de crédito do governo Lula foram decisivas para o crescimento, aponta Fazenda
Relatório da Secretaria de Política Econômica atribui desaceleração à política monetária e projeta alta de 2,3% em 2026 com apoio de programas do Governo
247 - A Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda, avaliou que as taxas de juros elevadas adotadas pelo Banco Central do Brasil funcionaram como freio para a atividade econômica, mas destacou que políticas de ampliação do crédito implementadas pelo Governo Lula contribuíram para sustentar a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). As informações constam em nota divulgada pela Agência Gov, nesta terça-feira (4).
De acordo com a análise, a política monetária contracionista foi o principal fator por trás da desaceleração do crescimento do PIB, que passou de 3,4% em 2024 para 2,3% em 2025. O resultado oficial foi anunciado na manhã de terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sem mencionar nominalmente o Banco Central, a secretaria afirmou que “a política monetária contracionista foi o fator preponderante que explica o crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, ante 3,4% em 2024)”. Em outro trecho, a Nota Informativa “PIB de 2025 — Desaceleração da atividade no ano” registra que “a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto”.
A SPE aponta que a desaceleração foi mais intensa nos setores cíclicos, cujo crescimento recuou de 4% em 2024 para 1,5% em 2025. Segundo o documento, a perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre do ano passado, quando a atividade econômica ficou praticamente estável em relação aos seis primeiros meses do ano.
Ainda conforme a nota, “não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025”. A secretaria também informou que, entre os países do G-20 que já divulgaram o resultado do quarto trimestre, o Brasil ficou na décima posição na margem, na sétima na comparação interanual e na sexta no acumulado em quatro trimestres.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a projeção da SPE é de crescimento de 2,3%, repetindo o ritmo de 2025, mesmo diante de um baixo carregamento estatístico entre os anos. “Pela ótica da oferta, a expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços. Pela demanda, a expectativa é de maior contribuição da absorção doméstica comparativamente a 2025, contrabalançada por menor contribuição do setor externo”, sinaliza o documento.
No campo industrial, a secretaria avalia que programas de crédito devem reforçar a expansão. “Políticas oficiais já em curso também devem impulsionar o setor industrial ao longo deste ano”, afirma a SPE. A nota cita iniciativas como o Move Brasil, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e o Reforma Casa Brasil, além da nova regra de direcionamento da poupança para facilitar o acesso à casa própria. Segundo o texto, essas medidas “devem contribuir para a maior expansão industrial em 2026”.
Para a agropecuária, a perspectiva é de nova safra recorde de soja, mas com impacto negativo de menor produção de milho e arroz e redução no abate de bovinos, o que tende a limitar o crescimento do setor.
Já o setor de serviços deve apresentar desempenho mais forte ao longo de 2026, impulsionado pela reforma da tributação sobre a renda — com isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e redução de alíquotas para rendas de até R$ 7.350 —, pela ampliação do crédito consignado ao trabalhador do setor privado, por meio do Crédito do Trabalhador, e pela resiliência do mercado de trabalho, conforme destaca a SPE.