Apesar das comemorações, abertura de carne ‘in natura’ aos EUA não tem nada a ver com Bolsonaro

Desde a Operação Carne Fraca, em 2017, o Brasil tentava recuperar a abertura deste mercado aos EUA, que é pouco representativo e não faz cócegas diante da queda nas exportações registradas no primeiro ano do governo Bolsonaro

Carne brasileira, ministros Tereza Cristina e Ernesto Araújo
Carne brasileira, ministros Tereza Cristina e Ernesto Araújo (Foto: Reuters / Agência Brasil)
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247 - Integrantes do primeiro escalão do governo Bolsonaro têm comemorado nestes últimos dias a reabertura do mercado de carne brasileira ‘in natura’ para os Estados Unidos como se fosse fruto de uma suposta amizade entre o atual presidente e Donald Trump - que já vimos, tem dado mais prejuízos do que bons resultados.

“EUA anunciam a reabertura de seu mercado para a carne bovina brasileira, fechado desde 2017. Mais um resultado econômico concreto, que não viria sem a nova parceria política estabelecida entre os Presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump”, manifestou-se no Twitter o chanceler Ernesto Araújo. 

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, postou um vídeo e parabenizou Bolsonaro pela notícia. Apoiadores do governo questionaram a imprensa sobre o destaque que seria dado a tão importância notícia, depois de os veículos terem criticado recentemente o alto preço do produto.

A compra de carne brasileira fresca estava suspensa pelo governo americano desde 2017 por alegação de “preocupações recorrentes” em relação à segurança do produto após a deflagração da questionável Operação Carne Fraca em frigoríficos do País pela Polícia Federal. Os EUA não foram o único país a suspender a compra de carne brasileira na ocasião.

Desde 2017, portanto, o Brasil tentava reabrir o mercado submetendo-se a inspeções dos EUA, destacou ao 247 o sociólogo e especialista em assuntos internacionais Marcelo Zero. Um trabalho que vinha sendo articulado muito antes de Bolsonaro sequer pensar em ser candidato à presidência.

Zero observa também que os EUA são o maior produtor mundial de carne bovina. “Naquele mercado, o Brasil disputa uma mísera cota de aproximadamente 64 mil toneladas/ano com vários outros países. O Brasil sequer tem uma cota específica naquele mercado, como é o caso de Austrália, Argentina e Uruguai. Irã, países árabes e China importam bem mais”, exemplifica. 

Para termos de comparação, somente em dezembro do ano passado, o Brasil exportou 185 mil toneladas de carne bovina, sendo a maior parte para a China, países árabes, Irã e outros. No mercado de carne bovina norte-americano, o Brasil tem participação de apenas 4,5%.

Marcelo Zero avalia que a reabertura de carne ‘in natura’ para os EUA “não vai nem fazer cócegas nas exportações cadentes”, em referência à queda de exportações registrada no primeiro ano do atual governo, parte possivelmente motivada pela ideológica e desrespeitosa política externa de Bolsonaro. 

O Brasil registrou em 2019 superávit comercial (diferença entre exportações e importações) de US$ 46 bilhões. O resultado é 20,5% inferior ao apurado no ano anterior, US$ 58 bilhões, e representa o menor desempenho desde 2015, quando o saldo foi de U$S 19,5 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

 

 

 

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