HOME > Economia

Armadilhas de longo prazo

Parece-me que não estamos levando em conta toda nossa base inflacionária pretérita, nossos números de atividade econômica e nos "esquecendo" do prejuízo social que a inflação provoca

O governo federal vem trabalhando com uma política econômica que incomoda pelo fato de não se apoiar em arcabouços históricos de nosso país. Parece-me que não estamos levando em conta toda nossa base inflacionária pretérita, nossos números de atividade econômica e nos "esquecendo" do prejuízo social que a inflação provoca. É preciso olhar para trás a fim de planejarmos um futuro próspero, reconhecendo os males que nos afligiram.

Não acredito que devemos criar raízes com o passado, limitando nossas medidas apenas ao que já foi tentado, mas sim travar as ações inéditas para combater crises, mas reconhecendo nossa formação econômica para prospectar oportunidades futuras. É necessário romper barreiras e garantir uma progressão.

Por mais importantes e louváveis que sejam as políticas sociais de inclusão, não há desconstrução mais forte desta política que uma taxa de inflação agressiva, atrelada a um nível de atividade industrial menor, sem inovação tecnológica e baixo crescimento da economia. Além disso, uma produção agrícola se perde em gargalos estruturais, soterrados pelos investimentos omissos do governo.

Desmantelamos uma política de juros básicos SELIC em que a idea recaía com uma visão de futuro e até mesmo se antevendo aos acontecimentos. Mesmo que dentro do mesmo perfil macro partidário, o Banco Central de Henrique Meirelles conscientemente demonstra-se diferente do Banco Central de Tombini, mesmo tendo como grande base os mesmos técnicos.

Antes, a definição da taxa de juros era antecessora aos acontecimentos econômicos, ditando a forma e amarrando a economia às perspectivas do governo em sua política de estratégias macroeconômicas. Esta forma de abordar a política de juros dava um sentido de puxar a economia, sendo predecessor dos fatos.

Hoje, o BC monitora o cenário, mas apenas depois das variáveis se materializarem é que a taxa SELIC se altera. Logo, passamos de puxadores da economia para um posicionamento que pode em alguns casos ser retardatário.

Outro ponto que acaba prejudicando a confiança institucional do BC é que o mérito da redução dos juros ficou com a presidência da república, o que indiretamente consolidou a ideia de não independência entre os poderes.

Este papel reacionário na condução da economia brasileira pode fazer parte de uma nova forma gestora imposta pela presidenta Dilma, que como resultado final pode trazer bons resultados, mas esta alteração de postura do BC prejudica a construção das expectativas e na confiança de mercado entre as partes.

Dentro da visão de longo prazo, outro destaque é o momento de forte desoneração fiscal realizada pelo governo federal sem uma contrapartida na redução do custeio da máquina pública.

A redução dos impostos incidentes sobre a cesta básica, por exemplo, é uma louvável ação social, que garante um acesso quantitativo aos produtos alimentares, mas precisa de uma contrapartida dos empresários.

Porém, dentro deste contexto, ressalto a necessidade de observarmos que os impactos de medidas de desoneração podem engessar as contas públicas, reduzindo nossas margens de manobra.

É imprescindível mantermos um rigor orçamentário, reduzindo custeio e ampliando os investimentos. O problema não é a desoneração e sim a omissão do governo em reduzir suas despesas, reduzir seu custeio.