As relações trabalhistas no mercado global

Diante da queda das fronteiras globais na qual a mobilidade tecnológica está transformando a forma de trabalhar, um endereço fixo e uma carga horária pré-definida já não são realidades na maioria dos países do mundo

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Defendendo a imigração de profissionais estrangeiros para atuarem na América Latina, o Presidente do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, considera que existe um "apagão" de mão de obra qualificada nos países que experimentam sucessivos anos de bonança em suas economias. Conforme declaração dada à BBC Brasil, Moreno acha que deve haver importação de talentos e competências da Europa, por exemplo, que trariam maior conhecimento gerando maior integração entre os continentes.

No ano de 2012, o Brasil bateu recorde de vistos para estrangeiros trabalharem por aqui. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o crescimento em relação a 2011 foi de 3,54%, alcançando 73.022, sendo 64.682 temporários e 8.340 permanentes. De fato, a falta de profissionais qualificados apontada pelo Presidente do BID é uma realidade e numa economia de mercado é absolutamente natural esta dinâmica de expatriações. Não há tempo para se formar o número de Engenheiros, Desenvolvedores de Software e outros profissionais exigidos pelo mercado, cujas vagas não são preenchidas. Os esforços governamentais envolvendo o Sistema "S" etc são louváveis, mas a verdade é que chegaram tarde demais para o aquecimento econômico experimentado. O Governo aponta que as áreas predominantes desta importação de cérebros são: engenharia, tecnologia em geral, análise de sistemas, petróleo e gás, infraestrutura e construção civil Naturalmente que  o Pré-Sal, Copa, Olimpíadas, PAC etc são os grandes geradores de empregos atraentes para cidadãos de diversas partes do mundo, sobretudo dos países em crise econômica.

Temos um cliente da Going Global, atuante no setor de Casa e Construção, que afirmou empregar dois norte-americanos no serviço de assentamento de pisos aqui no Brasil. Outro cliente do setor de Tecnologia da Informação passou a utilizar profissionais do Equador, Chile e Colômbia no desenvolvimento de sistemas e mostrou-se muito satisfeito com o custo e qualidade dos serviços contratados.

O curioso na afirmativa do Presidente do BID de que a facilitação do acesso aos estrangeiros especialmente europeus, na América Latina é positiva sob o aspecto da integração é que a mesma Europa conhecida por seus problemas relacionados aos imigrantes, sobretudo de suas ex colônias, hoje luta pelo reconhecimento dos diplomas de seus profissionais expatriados para os países latinos e reclama das barreiras por eles encontradas no quesito dos vistos profissionais.

Recentemente algumas manifestações dos trabalhadores dos Portos me causaram preocupação. Atônitos com as necessárias e louváveis mudanças advindas do Programa de Privatização dos Portos, previstas na Medida Provisória 595, conhecida como MP dos Portos, o corporativismo sindical desta categoria bradou alto e como ato de protesto interviram no descarregamento e montagem de guindastes provenientes da China. O fato ocorreu no terminal da Embraport ao ocuparem o Navio de Bandeira Chinesa Zhen Hua 10. Acontece que numa ação absolutamente corriqueira, comum em qualquer parte do mundo onde o fornecedor estrangeiro tem a obrigação de assegurar a entrega adequada de equipamentos complexos, os trabalhadores chineses providenciavam o descarregamento cumprindo as normas para em seguida montarem, darem por entregue e regressarem ao seu país de origem. O susto foi grande!

Diante da queda das fronteiras globais na qual a mobilidade tecnológica está transformando a forma de trabalhar, um endereço fixo e uma carga horária pré-definida já não são realidades na maioria dos países do mundo. Certamente a OIT – Organização Internacional do Trabalho deve estar debatendo e orientando os países impactados por esta dinâmica. Fico imaginando como ficarão as normas e regras transnacionais para regular direitos sociais entre países contratantes e contratados. Não é por acaso que os Indianos vivem sob a intensa e permanente pressão dos congressistas norte-americanos contrários ao "outsourcing offshore" das empresas americanas com as empresas indianas em serviços de desenvolvimento de sistemas, contact Center, contabilidade, entre outros. Estima-se que a Índia alcance US$ 60 Bilhões/ano com suas exportações de serviços em Tecnologia da Informação para o mundo.

Recentemente tive o prazer de ler e recomendo aos leitores, o Livro intitulado: Os Novos Nômades Globais - Jim Mattewman, que narra sobre a realidade de aproximadamente um bilhão de pessoas  cuja característica é a fixação provisória em um país específico. Diferente deste consultor que roda pelo mundo na abertura e consolidação de mercados para seus clientes e volta para casa, saudoso de seus familiares e amigos, o Novo Nômade Global é àquele que além de viajar muito, tem uma Morada Transoceânica, ou seja, vive literalmente em diversos endereços pelo globo sem se preocupar com um único destino de retorno para casa. Novos Tempos!!

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