Associação de Bancos prevê corte expressivo na Selic na próxima reunião do Copom
Projeção da ABBC aponta queda de 0,5 ponto percentual na taxa de juros, enquanto mercado espera redução de 0,25 ponto
247 - A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) anunciou suas projeções para a taxa básica de juros, a Selic, durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, prevista para os dias 1º e 2 de agosto. De acordo com a ABBC, há "plenas condições" para um corte mais amplo, atingindo 0,50 ponto porcentual (pp), na taxa atual, que está em 13,75%, sendo o maior patamar desde 2016, destaca o Metrópoles.
Enquanto isso, o consenso entre os agentes de mercado aponta para um corte inicial de 0,25 pp, o que levaria a Selic a 13,50%, segundo as projeções no boletim Focus desta semana. Contudo, tanto a manutenção da taxa quanto um corte mais substancial, como o projetado pela ABBC, não estão descartados.
A Associação justificou sua projeção com base em um balanço de riscos favorável, além de um processo de desinflação consistente e uma redução das expectativas inflacionárias. “A decisão estaria alinhada ao balanço de riscos favorável, ao consistente processo de desinflação e à queda das expectativas, e ajudaria a reduzir o grau de aperto monetário”, diz a nota da associação.
A avaliação dos técnicos da ABBC também destacou o cenário mais positivo de pressões inflacionárias, principalmente com a queda nos preços das commodities. Outros fatores considerados relevantes foram a decisão do Conselho Monetário Nacional de manter a meta de imposto em 3%, o que ajudou a reancorar as expectativas, bem como a percepção de um cenário fiscal mais "benigno" com a revisão da nota brasileira por agências de risco. Recentemente, a Fitch e a DBRS elevaram a nota de crédito brasileira, e a S&P alterou a perspectiva da nota de "estável" para "positiva" em junho, algo que não acontecia desde 2019.
Outro ponto destacado pela ABBC foi a taxa real de juros do país, que atualmente está em torno de 7%, tornando o Brasil o país com a maior taxa real de juros do mundo. Membros do governo têm criticado esse patamar desde o início do ano.